Review Retrô: Quando a Kana Nishino matou o eletropop para ser a Taylor Swift do Japão com “Darling”

A Kana Nishino fez seu comeback para o J-pop depois de 6 anos de hiatus com o single “EYES ON YOU”, que chocantemente não é um single (tão) maria mijona quanto esperava que fosse. Enquanto o MV não sai para eu fazer um post bonitinho sobre (Está previsto para o dia 12), vamos fazer um review retrô de quando a Kana Nishino mostrou todo seu poder como uma das solistas japonesas mais populares da década, onde ela simplesmente MATOU o Eletropop no mainstream japonês para lançar “Darling”:

Tá, não foi exatamente a Kana Nishino que matou o eletropop no Japão, mas eu culpo essa senhora com a sequência de smash hits que ela acumulou nesse estilo pop teen mais inocente com essa pegadinha mais country que ela teve (Darling, Moshi mo Unmei no Hito ga Iru no nara e Torisetsu) por fazer todo mundo desistir do eletropop e do arquétipo de diva pop no Japão. As novatas queriam ser a Kana Nishino, algumas velhas de guerra recalcularam rota para tentar descolar um hit mais kawaii e só veteranas que já tinham público de tour seguraram o rojão do eletropop (Ou vingavam baladões que eram temas de dramas de sucesso por lá). Kana Nishino deu uma redefinida no jogo, e a fórmula na época era cada gravadora tentar descolar sua Taylor Swift japonesa.

O que difere “Darling” dos outros hits dela nesse estilo é que eu gosto de “Darling”. Muito até. A maior parte das outras músicas da Nishino depois de Darling são uma chatice para mim (Embora simpatize mais agora do que na época que lançou), mas “Darling” tem um charme especial no conjunto da obra que me faz pensar que essa safada sabia muito bem o que estava fazendo com essa música. Esse banjo que conduz a música para um pop country é delicioso e combina muito bem com esse vocal mais agudo e inocente da Kaninha, me ganha pela vulnerabilidade e delicadeza da interpretação. É tudo fofinho mas não de um jeito obviamente kawaii, e a historinha animada do MV é uma graça.

Tudo em “Darling” é simpático de um jeito “Perfeitamente exagerado”. “Darling” é uma música feita para ser fofa e realçar toda a fofura e carisma que uma jovem vivendo o primeiro amor pode ter, com o banjo dando um ar ainda mais interiorano de gatinha que chegou na cidade grande ontem e se apaixonou a primeira vista. É uma música que realça a todo momento a inocência de uma mulher apaixonada, o que é gracioso e, bem ou mal, algo muito novo dentro da atual geração de solistas japonesas. O público comprou, “Darling” se tornou um dos maiores sucessos da Kana e o J-pop nunca mais seria o mesmo.

Posso achar todo o direcionamento da carreira da Kana Nishino depois de “Darling” um saco, mas não posso dizer que “Darling” não é um dos meus singles favoritos dela. Toda a construção de “Darling” é adorável, a Kana não foi inocente sendo a mulher mais inocente do Japão e é uma música ótima para você que está aí, vivendo um grande e puro amor sendo a cavalona que eu sei que você é (Ou gosta da Taylor Swift do velho testamento).

Um comentário sobre “Review Retrô: Quando a Kana Nishino matou o eletropop para ser a Taylor Swift do Japão com “Darling”

  1. DARLING foi icônica, pra quem não é fã da Kana Nishino, vou explicar:

    Ela vinha de uma queda de popularidade, porque a fórmula Pop/R&B dela já tava gasta com 5-6 anos de carreira. E ela tentou de tudo, fez “Sayonara” que era uma power ballad e vendeu 250k, um Eletropopzão que era “We Dont Stop” que na época morreu com 100k, e hoje de tanto ela cantar pegou 250k nos digitais. Esse números parecem bons pra vocês? Mas a Kana vendia no mínimo 1M apenas em vendas digitais em todos os discos dela, pelo menos com UMA única música. Inclusive na era to LOVE (que vendeu quase 900k físicos + digitais e se tornou o álbum de estúdio da década de 2010s por uma solistas teve TODOS os singles acima de 2M e um deles bateu quase 7M de vendas).

    “Darling” fez a Kana DOMINAR os digitais como só ela fazia. A Kana era terror até mesmo pras maiores bandas do jpop, porque nos digitais ela era imbatível (como citei acima). “Darling” fez a Kana MOLDAR o jpop? Sim, principalmente porque ela fez uma era INTEIRA nesse estilo depois desse single (que fez parte do with LOVE que é bem diverso, não é só jcountry, inclusive tem Abracadabra que é babadeira, vão ouvir). “Darling” ficou 8 semanas em #1 lugar nos digitais, e foi um negócio tão grande que bateu 500k de downloads antes do álbum ser lançado. Foi de fato um smash hit estantaneo na época e que manteve a Kana como hitmaker. Inclusive o “with LOVE” tinha previsão de vender só 180k pelo debut fraquissimo, mas a Kana perdurou o disco por mais de um ano nas paradas dado o sucesso gigantesco de Darling ao longo desse tempo e o álbum fechou acima dos 250k.

    Curiosidade: Infelizmente essa masterpiece foi passada pela tediosa “Torisetsu” que é considerada uma das 5 músicas de assinatura da carreira da fadinha do pop japonês. Pra quen gostar do estilo, ela sabe diversificar bem e acho o “Just LOVE” funcional, mas é um disco conceito que segue esse estilo do início ao fim, mesmo tendo a balada r&b pop perfection que é “Set Me Free” e o GUILTY pleasure dos fãs da gata que é “Love Is Good” que ela foi a percursora do j-sertanejo/j-boiadeira onde ela literalmente faz um música sertaneja no jpop. Inclusive (e infelizmente) foi nesse disco que a Kana se igualou à Namie e Koda em ser uma das únicas solistas à ficar em #1 na venda de Álbuns por 3 SEMANAS, pra terem ideia de como ela realmente moldou o jpop para uma versão country kawaii.

    Quem quiser conhecer a Kana recomendo fortemente: Esperanza, Distance, Sakura I Love You, Go For It!!, No.1, Motto, Aitakute Aitakute, Watashitachi, Tatoe Donna Ni, Kimi Ni Aitaku Naru Kara. A Kana tem farofões, mas aí eu indico ir atrás dos discos que ela explora mais o lado dance: Thank You, LOVE é o mais solar dela. Love Place é o fan favorite e exportou ela pra Ásia. E o to LOVE foi responsável por fazer a Kana ser o terror das jvéias, porque ela vendeu 220k só no debut e vendeu 900k no total e nem mesmo o comeback da Utadão foi capaz de apagar o impacto cultural que foi esse segundo disco.

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