ALBUM REVIEW: Hwasa – O

Hwasa fez o seu comeback essa semana com o 2º EP “O”, e a faixa principal “NA” ainda não engrenou nos charts (Tá passeando ali pelo Top 200 do Melon), o que eu acho injusto por ser uma faixa bem divertida que poderia estar fazendo mais barulho na Coreia sim. Mas eu tinha minhas expectativas com o EP que prometia ser muito bom pelas prévias que ela lançou como teaser, e com um single que gostei estava animado para ouvir o que o álbum entregaria. E agora estou aqui, pronto para fazer a review do “O” e dizer que é o melhor trabalho da Hwasa (E um dos melhores álbuns envolvendo o Mamamoo):

Artista: Hwasa
Álbum: O
Lançamento: 19/09/2024
Gravadora: PNATION
Nota: 81/100

Um dos grandes problemas da Hwasa é que nenhum álbum, seja solo ou com o Mamamoo, condiz com o talento que ela possui. Sabemos que a Hwasa é uma vocalista incrível, tem um dos timbres mais únicos do K-pop, ela não só tem uma voz forte como é bastante expressiva e com personalidade, e é impossível não reconhecer a Hwasa cantando algo. Porém, quando vamos ouvir um álbum com ela, a experiência é muito menos interessante. Os singles no geral são bem competentes, mas as b-sides acabam sendo engolidas. É muito gostoso ouvir a Hwasa cantando, o que não quer dizer que eu lembre o que ela está cantando enquanto a ouço. Falta um trabalho grandioso na carreira dessa mulher, e “O” tenta ser esse trabalho.

“O” não é uma novidade quanto ao tema. De novo temos Hwasa cantando sobre ela mesma abordando suas forças e vulnerabilidades, o que é meio repetitivo mas faz sentido dado o fato dela ser assunto constante nas notas do Naver por sua personalidade, comportamento e visuais mais fora do padrão idol. Acaba sendo necessário bater na mesma tecla e reforçar para o público que está muito bem e não tem problemas com ela mesma (Mesmo que saia a coisa mais tosca em uma ou outra ocasião), já que toda hora querem podar a comadre.

A surpresa está nas sonoridades, que me soam bem fora da curva para ela. Especialmente na primeira metade do EP, onde ela passeia pelo “house de mulher viado” e “country de mulher da roça” pelas músicas. Eu não lembro dela explorando alguma coisa por essas vertentes solo (E acho que nem o Mamamoo tem muita coisa assim), e isso me emocionou desde as prévias. Com o EP completo, temos um projeto ousado por parte da Hwasa onde todas as músicas pelo menos tentam ser marcantes por conta própria e não sendo figuração para o single (Que eu passei a defender menos depois de perceber que é uma das piores músicas desse EP).

No geral, “O” é um álbum muito competente. Sinto uma certa injustiça em músicas como “EGO” e “HWASA” não serem single pois são muito mais legais e viciantes (A primeira um housezão delicioso e a segunda sendo o country que Miley Cyrus queria ter lançado em algum momento da carreira) e até faixas menos pretensiosas como “just want to have some fun” e “Road” são envolventes e deixam sua marca. É notável o empenho desse EP em mostrar uma nova versão (Ou novas versões) da Hwasa que a reinvente como artista, e o “O” me deixa uma impressão de que Hwasa e os responsáveis pelo menos sabem o que fazer para atingir essa renovação (Ou pelo menos mostrar melhor a cantora como uma artista versátil e sem medo de experimentar coisas novas).

Faixa a Faixa

O álbum começa com “Road”, um número midtempo mais minimalista com uma guitarrinha de pegada mais country rock com Hwasa cantando sobre seguir perseguindo o desconhecido a fim de se descobrir nessa jornada que ela chama de vida. “Road” é uma introdução que busca levar o ouvinte a sentir algo mais produndo e introspectivo com a voz da Hwasa conduzindo a energia mais reflexiva da música. Se o álbum fosse focado apenas nisso de enaltecer a voz dela como destaque “Road” seria só mais uma, mas abrindo esse EP ela consegue brilhar sozinha. O country vem mais forte e pop na faixa “HWASA”, de forma mais intensa e poderosa. Essa poderia ser facilmente uma música que Miley Cyrus lançaria para relembrar o povo de que ela é uma menina da roça, mas os vocais da Hwasa dão uma atitude própria que combina muito bem com ela. Instrumental e vocais brilham em conjunto, sendo uma das minhas músicas favoritas do EP.

A seguir temos uma sequência de músicas com variações house onde Hwasa se empenha em ser a sua mulher viado da semana. A faixa principal “NA” peca em querer ser tudo de uma vez e acabar não sendo muita coisa. Valorizo muito o refrão (Que muita gente da minha bolha odiou mas é a minha parte favorita da música) e o pré-refrão no teclado é memorável também, mas “NA” tinha potencial para ser mais emocionante se não fosse tão desbocada. Entendo e aprecio o que a Hwasa quis fazer aqui, mas também entendo quem não se sentiu mais homossexual ouvindo isso aqui.

Em compensação, “EGO” é facilmente um dos melhores solos da Hwasa na carreira, ela canalizou muito bem a diva das pistas dos anos 90. Um tecladinho ali, sintetizadores acolá, um batidão marcadíssimo bem gostoso e a voz da Hwasa sendo a cereja do bolo. Uma música que é brilhante por não reinventar a roda da house music, focada em fazer muito bem o que qualquer homossexual gosta de ouvir para transcender. Fechando essa sequência temos “OK NEXT” sendo mais pop e com a Hwasa entregando uma performance mais sussurrada sem deixar a potência de lado. É compreensível a escolha de “NA” como single (É a mais “tiktokável” das 3) mas, com duas músicas muito melhores vindo logo depois com a mesma proposta, “NA” acaba perdendo o brilho dentro do EP.

“just want to have fun” é a música menos compromissada do álbum, um popzinho oitentista com um ou outro toque disco que, como a música diz, só quer se divertir depois de tanta faixa potente que o EP entregou. Me ganha pelo carisma, é a faixa mais leve mas transborda simpatia e me dá vontade de cantar junto enquanto limpo a casa ouvindo, sendo uma faixa muito divertida de álbum. A última música do álbum, “O”, desacelera as coisas de forma padrão com um R&B mais passional e suave, com um violino sutilmente conduzindo a música e aumentando a delicadeza da interpretação da Hwasa. Obviamente é a música mais esquecível do EP, mas faz bem seu papel de faixa mais lenta que encerra álbum de K-pop.

Concluindo…

Se me perguntarem se o “O” é o trabalho que faz jus ao talento da Hwasa, eu diria que ela está quase lá. É o meu trabalho favorito dela solo e acho que, se ela forçar mais um pouquinho no que deu certo com esse EP, tem potencial para entregar o álbum da carreira.

6 comentários sobre “ALBUM REVIEW: Hwasa – O

  1. Lembro da época que o kpop se resumia em títulos como LALALALILA, DUN DURU DUN, LALALA, DA DA DA, DU DU DU.
    Agora chegamos na época que o kpop é A, B, C, O, no máximo um NA, LA.

    Cadê a criatividade desse povo de colocar uns títulos mais inspirados?

  2. Dougie, fala sobre o aespa e o NewIllit com o comeback marcado para o mesmo dia, quem vai ganhar as rainhas do momento ou as rainhas do plágio e do Payola?

    • Até falaria que nos charts quem ganharia seria o Illit, mas depois de serem massacradas pela falta de gogó e do NJ gate, não da pra saber se a coreia vai abraçar elas ou não.
      Talvez sim, se continuarem se vestindo de tidinha, coreano ama pedo culture.

      Agora em qualidade, obviamente que Aespa ganha. Só um high note da NingNing ja causa um tremor no palco e as illits vão abaixo.

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