2024 foi um ano onde um álbum que, teoricamente, só existia no twitter, virou um dos grandes fenômenos culturais do ano. Mas a Charli XCX furar a bolha twitteira e fazer o mundo mais brat é uma exceção ao tanto de artistas e músicas que parecem ser um fenômeno nas redes sociais mas, se desligar a internet, eles desaparecem. Entre a bolha pop asiática, acho que o exemplo mais relevante que vale ser citado nessa retrospectiva é o girlgroup f5ve, que pode estar longe de um hit mas nossa, o social media trabalhou muito bem para elas serem populares pelo menos nas redes sociais:
Para quem não conhece: O f5ve é o rebranding do SG5, que é praticamente o redebut do Happiness, que é um grupo do megazord de girlgroups japoneses E-Girls. Se você nunca ouviu falar de nenhum desses nomes, vamos por partes: O E-Girls foi um super grupo que juntou 3 girlgroups da LDH para formar um novo e gigante grupo da gravadora japonesa. Um desses grupos foi o Happiness, que debutou em 2009 (2 anos antes do debut do E-Girls), que tinha uma sonoridade mais voltada ao eletropop e diferentes tipos de farofa. O E-Girls chegou ao fim em 2020, mas o Happiness seguiu (teoricamente) como grupo numa tentativa de promover de forma global com a 88rising, porém a pandemia (provavelmente) molhou os planos e o Happiness não lançou nada até 2022, quando tivemos o que seria a última música do grupo “Everything”.
O Happiness oficializou sua morte em 2023, mas a ideia de promover um girlgroup globalmente ainda estava viva. Então, no mesmo ano, 4 das 5 integrantes da última formação do grupo (Kaede, Sayaka, Ruri e Miyuu) formaram o SG5 junto com a integrante do iScream Rui, com o nome e conceito do grupo sendo uma referência a Sailor Moon com a benção da própria Naoko Takeuchi. Porém elas só lançaram a terrível “Fire Truck” sob esse nome/conceito, e em 2024 o grupo passou por um rebranding para, finalmente, existir o f5ve que conhecemos hoje. Muita gente acredita que o f5ve é um grupo de novatas flopadas mas a maioria delas já tem aí seus 15 anos de carreira como artistas de J-pop, e muitos hits e arenas lotadas no auge do E-Girls.
O f5ve está longe de ser um grande sucesso (ainda), com pouco mais de 130 mil ouvintes no Spotify e a música mais popular na plataforma com 3 milhões de streams. No Japão o barulho também não é lá essas coisas, mas o que fez o f5ve entrar no radar de muita gente foi o social media homossexual cuidando das redes do grupo. Com um humor de gay de fórum, antenado nas referências pop e memísticas da internet e casualmente dando um ou outro fecho em internautas mais chatos, o adm conseguiu emplacar diversos virais com seu jeitinho mais povão de usuário tóxico de rede social que, popularizou o nome do grupo entre a bolha jpopper. Se ano passado 1 dúzia de jpoppers conheciam o SG5 e achavam “Fire Truck” um lixo, hoje dá pra dizer que umas 3 dúzias de jpoppers e um ou outro kpopper adoram o grupo e acham “Underground” um hino.
Musicalmente, o grupo ficou bem mais interessante esse ano, especialmente pela já citada “Underground” (Hyperpop com referências ao eurobeat e para para que dominou o Japão nos anos 90 e é uma referência da cultura gyaru até hoje) e “UFO” (Electropop safadíssimo da década passada que eu adoro muito). Também tivemos “Lettuce”, que não faz muito por mim mas é gostosinha também. As 3 faixas são bem diferentes entre si mas tem o fio do hyperpop conduzindo e dando coerência ao projeto, o que hipnotiza todo um nicho de homossexuais que curtem um techno, uma cena underground da música eletrônica (kkkkk corta para o BLOODPOP sendo o produtor chefe do f5ve) ou qualquer farofão que dê vida no meio das músicas mais basiquinhas que dominaram o ano.
Na medida do possível, o f5ve conseguiu um público relevante para si esse ano. Muitos jpoppers conhecem o grupo, as viúvas do E-Girls apoiam as meninas e até alguns kpoppers caíram de paraquedas em algum viral do gay adm do twitter delas e passou a curtir o grupo também. Isso é o suficiente para o f5ve virar mainstream? Óbvio que não, mas é um primeiro passo. 150 mil seguidores no Instagram e 40 mil no twitter não é lá grandes coisas na era dos influencers, mas é um número muito relevante se tratando de um grupo de ex-integrantes do Happiness que ninguém levava fé que fosse alcançar nem metade dos números atuais que o f5ve vem alcançando. Tantas coisas aconteceram primeiro no twitter antes de virar um fenômeno rentável, não custa acreditar que o f5ve pode ser o novo girlgroup da nação japonesa dominando o mundo em breve.
Acho intragável esses grupos de Jpop atuais que tentam copiar os grupos de Kpop da quarta geração, É TÃO CAFONA E MAL FEITO! Mas as divas servem mesmo assim, então eu passo pano pra elas. O último lançamento delas(UFO) tá tocando aqui em casa até agora. Então espero que elas sejam o grupo de periféricas número 1 do Japão e que o adm delas continue sendo o mesmo gay de fórum de sempre!
E ah, eu lembro de quando elas eram vendidas com o conceito de Sailor Moon, pois todos estavam animados pra ver e no final elas lançaram aquela demo do NCT e molhou. Ainda bem que rebrandaram e se livraram daquele barco furado.
São um grupo muito legal! Acho que se livrar do conceito Sailor Moon foi muito bom pra elas, era muito limitante e Fire Truck nem combinava com a estética. Gostei mais da direção que elas tão tomando agora, com os clipes sem noção e com styling inspirado em subculturas. O bloodpop tá de parabéns
Eu não dava nada pra elas quando era SG5, porém depois do rebrand comecei a gostar, mas Lettuce ainda não tinha aquele sabor.
Agora estou amando. Os dois últimos lançamentos fizeram o nome, principalmente UFO que está sempre no meu repeat.
As meninas são talentosas e tem um produtor talentoso por trás. Tomara que sejam bem direcionadas e que alcancem sucesso não somente no Japão!
Elas tinham um gay de fórum como um adm, uma demo sobre legumes e um sonho. E fizeram história(aqui na minha casa no interior de Minas Gerais)!
quero q o f5ve vire igual o kiof e se tornem o grupo de periféricas mais hot topic do Japão
Viva aos grupos de Jpop periféricos que tentam se escorar no Kpop da quarta geração pra tentar sair do fundo do poço. Queremos mais disso em 2025!
Adorando esses posts. Teve também o que QUASE aconteceu: babymonster, viviz. Conseguiram ali uns momentos virais, mas não conseguiram manter
Me pergunto qual será o futuro do babymonster. Eu tenho uma leve impressão que as empresas de Kpop não estão conseguindo emplacar nenhum grupo hoje em dia. Não tem mais aquela explosão que tinha antes, sei lá. Kpop anda meio “desandado”.
Isso é culpa da forçada mudança de geração, geralmente a gente só ouvia falar de “nova geração” quando os grupos da geração atual começavam a desacelerar, na quarta geração com os grupos super em alta, com feito atrás de feito, começam a criar uma quinta geração só para dizer “o meu grupo é o primeiro da geração”.
Acho que esse deve ser um dos principais motivos mesmo. Antes da quarta geração, todas as gerações no Kpop duravam bastante e só quando os grupos ficavam veteranos que uma nova geração começava. Aí tinha tempo pra definir quem era flop e quem era hit. A própria quarta geração veio meio apressada, né? Lembro da galera reclamando disso lá em 2021. Realmente é tudo pra dizer que os favs tem records, sendo que hoje em dia ninguém tem mais aqueles feitos gigantescos dos grupos da terceira geração.
Mas em geral, acho que o Kpop que tá meio desgastado/saturado, por isso não tem mais um BTS ou Blackpink em termos de sucesso por aí. Me pergunto se essa saturação vai fazer o Kpop dar uma “m0rrida” por uns anos.
Eu irei achar o máximo se isso acontecer, kpop era muito melhor quando era de nicho, foi pro mainstream.e agora o objetivo é sempre fazer música que viralize e que dure menos de 02:20. A quarta geração começou até rápido e ao mesmo tempo não, itzy e gidle parecem mais ser da terceira, só que como elas debutaram na transição jogam para a quarta.