ALBUM REVIEW: i-Rohm – Usually

Esse mês de janeiro foi pessoalmente tão desagastante por umas coisas que aconteceram no off que acabei esquecendo de uma coisa super importante para o funcionamento desse blog e na minha meta de ser a maior subcelebridade kpopper da região do Grajaú: Os pedidos por pix. Então é hora de TIRAR O ATRASO (E aproveitar que nada muito relevante está acontecendo essa semana) e fazer os pedidos que estão há um tempo para fazer nesse blog. O primeiro pedido foi um review do “Usually”, EP da cantora i-Rohm lançado em abril de 2024. O que é uma i-Rohm? Eu também não sei, então vamos descobrir juntos AGORA:

Artista: i-Rohm
Álbum: Usually
Lançamento: 05/12/2024
Gravadora: i-Rohm
Nota: 79/100

Não consegui achar muita coisa sobre a i-Rohm ou sobre o EP para fazer uma introdução mais forte sobre a gata mas a primeira coisa que pensei olhando apenas para a capa do “Usually” foi “hum, lá vem mais uma variação easy listening de como fazer música eletrônica y2k no K-pop”… E eu terminei de ouvir pensando “Caramba, e não é que eu tinha razão?”. Você já deve ter escutado muito UK Garage, Jersey Club e Drum n Bass no K-pop sendo executados do jeito mais fácil e inofensivo possível (com uma ou outra fugindo a regra), e “Usually” é um EP que não tenta fazer algo fora dessa tendência e é bem comum ao que já ouvimos desses estilos ao longo do ano passado. Nada é muito “Uau que coisa incrível e inovadora”, mas a ideia do “Usually” é ser simples e divertido com as sonoridades que estão bombando atualmente.

Dito isso, o “Usually” soa menos pretensioso do que o habitual. Todas as músicas do EP, na verdade, exploram essa energia mais tranquila e amistosa dos instrumentais e, principalmente, da performance vocal da i-Rohm. Você se dá conta do rumo que o EP possui no momento que ela canta o primeiro verso de todas as músicas, o jeitinho mais cool e doce que quase se funde com o instrumental e cria uma experiência mais imersiva, suave e carismática. Simples (até demais, em alguns momentos), mas que funciona. É uma interpretação quase que oposta ao jeito mais desbocado e solto que a The Deep entrega no Brand New House, por exemplo, mas ambos chegam no mesmo lugar mais alternativo, independente e descolado de fazer um pop eletrônico.

“Usually” é o tipo de trabalho onde o conjunto supera o faixa a faixa. Nenhuma música do EP é impressionante ou super destacável (“Boy Used To” é a que mais fica perto dessa descrição mas não acho que esteja num nível de destaque muito acima das outras), mas é um trabalho de 9 minutos que desce redondinho, é super agradável e, quando eu menos percebo, já encarei a linha 9 inteira ouvindo o projeto. Apesar de não gostar de álbuns que tentam ser muito simpáticos e pouco emblemáticos, “Usually” é um tanto eficaz em sua proposta e discretamente se prende na minha playlist. Quando eu me dou conta eu já ouvi o EP umas 10 vezes em loop (O fato de ser um álbum com menos de 10 minutos ajuda nesse fato), e em nenhum momento eu fiquei entediado ouvindo. Os mesmos problemas que normalmente faixas que morrem por 2 minutos tem estão aqui, mas a experiência do EP é mais relevante que as reclamações que poderia fazer sobre a duração.

Muito da experiência do “Usually” vai depender do quão aberto ao “easy listening” você ainda está. Se já está saturado disso e quer de volta as produções mais bombásticas e maximalistas na Coreia, esse EP da i-Rohm não fará muito por você. Mass se você ainda VIVE pelas portas do DnB e Jersey Club que a PinkPantheress abriu nos últimos anos, “Usually” é um EP acima da média. Tem um conceito sonoro bem desenhado e uma execução eficiente, que não viaja muito em batidas mais ousadas em prol da coesão. Nada no álbum particularmente chama muita atenção, mas a obra como um todo acaba sendo fácil, agradável e gostoso de ouvir. Não é O grande álbum da minha vida, mas é uma ótima companhia para quando eu quiser ouvir umas batidas leves e relaxantes no fim de um dia de trabalho.

Faixa a Faixa

As duas primeiras faixas do “Usually” tem uma intro bem tricky antes das batidas eletrônicasdarem o estilo do EP. Na faixa título “Usually” temos batidas pop mais simples que induzem uma faixa bem basiquinha até a produção ficar mais eletrônica e estilosa. Já “Boy Used To” começa com uma guitarrinha bem mid rock-ish antes das batidas se destacarem de um jeitinho mais cool. Senti que a primeira música é muito mais “comum” no sentido de ser uma faixa mais leve e despretensiosa, um batidão eletrônico que você deixaria de fundo em uma playlist eletrônica de lounge ou casa noturna, enquanto a segunda é mais ambciosa e forte tanto pela guitarrinha quanto pelas batidas mais memoráveis (Individualmente, “Boy Used To” é a minha faixa favorita do EP), mas são duas músicas que cumprem seu papel em entregar algo descolado, jovem e estiloso.

“Honey” vai para um caminho leve mais dreamy, atmosférico, com uma produção que traz aquela sensação de tranquilidade e conforto ouvindo, enquanto “Cry It Out” é mais intensa, fazendo um legítimo dnb que abalaria um CD da Kaleidoscópio. Essas duas músicas sofrem mais pela curta duração (“Honey” mal passa de 2 minutos e “Cry It Out” nem chega nessa minutagem), mas o que temos aqui tem carisma e me prende ouvindo. A sensação de que poderia ser MAIOR é forte aqui (É uma constante no álbum inteiro mas essas duas últimas músicas são curtas demais até mesmo na atual fase de músicas curtas), mas o que temos é legal também.

Concluindo…

Citando Isabela Boscov: “Usually” É inovador e revolucionário? Não. Mas, durante aqueles 9 minutos, cria ali pra você um lugar tão aconchegante, tão reconfortante que não tem preço. Se você acha que o NewJeans é o melhor grupo da atualidade, abriu portas e paved the way para o K-pop atual, a i-Rohm será uma ótima descoberta para agregar sua playlist eletrônica easy listening com esse EP.

5 comentários sobre “ALBUM REVIEW: i-Rohm – Usually

  1. Adoro receber recomendações, ainda estou preso em Official do Ichillin que também vi aqui, obrigado Dougie.

  2. Esse estilo de música não é TUDO pra mim, mas casualmente gosto de estar conhecendo, até porque música boa é música boa

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