ALBUM REVIEW: Kandis – Playground

Mais um pedido de pix que estava na fila para fazer post (Uma hora eu consigo esvaziar, mas está acabando), dessa vez para fazer o review de “Playground”, primeiro álbum de estúdio do girlgroup Kandis. Compilando as músicas que o grupo já lançou em diferentes formações ao longo dos últimos 2 anos e meio, o álbum de 15 faixas é uma experiência longa, hip hop e definitivamente incomum para os álbuns coreanos que escutamos por aqui. E será que elas sustentam um álbum longo? Vamos descobrir (E conhecer o Kandis) AGORA:

Artista: Kandis
Álbum: Playground
Lançamento: 14/01/2025
Gravadora: Quarter Music
Nota: 85/100

Eu não esperava ouvir um R&B/Hip Hop bem sóbrio e consistente quando dei de cara com um álbum chamado “Playground”. Quer dizer, pelo nome e capa eu poderia algo mais “infantil”, um pop mais coloridinho e alegre que faria a alegria da criançada tal como “POP” da Nayeon ou “Bloody Mary” da Lady Gaga (rs), então fui pego de surpresa quando a primeira música me jogou um R&B super suave e good vibes, e isso foi se mantendo no álbum inteiro. Mas a ideia de álbum “brincante” e cool para ouvir de forma relaxada e despretensiosa ainda está aqui, só que de um jeito diferente e super atrativo pois não é todo dia que temos um girlgroup de hip hop pipocando no radar kpopper (De cabeça eu só lembro do D-UNIT e YOUNG POSSE mesmo).

A proposta do “Playground” é ser um álbum leve e divertido enquanto mostra as habilidades do Kandis como periféricas que entendem de R&B/Hip Hop com as melhores referências old school que o gênero pode proporcionar, e acho que consegue fazer isso muito bem. Acho que 15 faixas (16 se levar em conta a faixa exclusiva do CD físico “Memories”) acabou sendo um pouco demais para esse álbum (Isso fica mais evidente com umas 3 ou 4 músicas que poderiam ser guardadas para outro álbum), mas ainda é um belo banquete em meio ao festival de full albums com 8, 9 faixas que a música coreana desova. Muitas músicas se destacam de um jeito positivo e único dentro do projeto, desde faixas que cumprem com a energia mais descompromissada como a faixa título e “What Am I”, até músicas mais emotivas que desaceleram e criam uma atmosfera envolvente como “We Could Be” e “What Can I”. Em nenhum momento o álbum vira algo mais pretensioso e querendo mostrar que elas são as melhores no que fazem, e as músicas existem como algo que as meninas curtiram o som e a vibe, escreveram uma letra em cima e se divertiram cantando.

Muitas músicas desse álbum poderiam estar encaixadas como fillers em álbuns/EPs pop na Coreia, porque uma coisa que gravadoras de K-pop AMAM fazer é botar números R&B mais inofensivos para encher linguiça em álbuns que não tem nada a ver. Porém, essas músicas ganham um brilho a mais quando pensadas e executado dentro de um álbum R&B, e esse é o grande trunfo do “Playground”. Entre músicas que passeiam entre sonoridades R&B, Soul e Hip-Hop, “Playground” é um álbum que tem uma vibe mais gostosa e relaxante, para ouvir durante uma caminhada pela manhã ou para voltar do trabalho a noite. Não é aquele apocalíptico álbum de estreia que cura enfermos e salva vidas, mas mostra muito potencial para que, futuramente, o Kandis entre esse álbum que abale as estruturas do Hip Hop coreano.

Apesar de estarmos no início de 2025, tenho plena certeza que “Playground” será o álbum mais “único” que ouvirei da Coreia esse ano, seja por ser um álbum super coeso que não tenta explorar 16 mil lados e sons diferentes ou por simplesmente mostrar as qualidades e identidade de meninas que são promissoras como um girlgroup de R&B/hip hop coreano. O Kandis é um grupo com bons vocais e raps, brilha pela simplicidade e referências mais old school que são aplicadas em todo o “Playground” e mostra que é um girlgroup interessante para quem curte o gênero. A direção musical do grupo é excitante e empolgante, e espero que elas tenham oportunidade de evoluir tudo que elas entregaram aqui.

Faixa a Faixa

A intro não traz nada demais por ser 30 segundos delas falando alguma coisa em um parquinho, então já vamos para “We Could Be” que já dá o tom mais carismático e fresh do álbum. Simples, old school, que explora muito bem a harmonia dos vocais do grupo. Traz uma vulnerabilidade na interpretação que me dá conforto e me deixa relaxado ouvindo, e eu gosto disso. “Alice” mantém a vibe em uma produção ainda mais hip hop old school, com mais força para combinar com os habilidades de rap que são exibidas pela primeira vez no álbum.

“Ruined” mantém o rap e as referências anos 2000 do hip hop mas com uma letra um pouco mais intimista onde elas retratam sentimentos mais caóticos desencadeados pela ansiedade e nervosismo. É a primeira música com uma energia mais “pesada” especialmente pela repetição do “Eu arruinei tudo e vou consertar tudo também” que mostra um Kandis mais fragilizado vendo tudo dar errado, mas na esperança de que as coisas melhorem. Me identifico com a letra, entro na vibe e concluo pensando que essa música é um dos destaques do álbum, mas acho que faria mais sentido no final da tracklist do que no começo. “Show Me Your Vibe” bota um humor diferente e intimidador nessa parte mais intensa do álbum, mas é uma música que eu sinto meio deslocada do álbum. O “Playground” é meio que uma coletânea do que elas lançaram desde o pre-debut em 2022 então é compreensível que músicas velhas delas apareçam aqui, mas a música soa crua e precisaria de mais trabalho e polimento para ir além de uma mixtape introdutória.

“: )” volta com a leveza de antes numa letra bem “bff”, é divertida e tira um sorriso agradável do meu rosto. É uma música simples que busca trazer um calor e conforto focando novamente nos vocais suaves do Kandis, e funciona bem. “BF” repete o tema de bff, mas em um R&B/soul mais cadenciado e emotivo que é melhor e mais envolvente em comparação a faixa anterior. É uma daquelas músicas belíssimas de ouvir e eu fico ali querendo repetir a música simplesmente pelo prazer de ouvir as vozes e harmonização delas.

“Weed Out” é outra música que soa meio distante e não acho que precisava estar nesse álbum porque, apesar de manter o hip hop old school e ser uma faixa interessante, não curti muito a forma como ela muda a vibe mais leve do álbum em batidas estilosas. Sozinha é uma ótima faixa, mas acho que funciona melhor em um álbum com conceito mais potente e menos smooth como o “Playground”. Aí temos “Be Humble”, um interlúdio que brinca com tambores e sintetizadores enquanto me bota no meu lugar falando para eu ser mais humilde, e aí temos a faixa título “Playground” que traz um baixo mais marcado, raps descolados e vocais sussurrados que transmitem melhor a energia mais divertida que o álbum quer possuir. Uma faixa que te convida a dançar e se divertir no playground, então se deixe levar nesse baixo e, bem, divirta-se.

“Reality” é outro interlúdio que desacelera as coisas e tem uma curta letra que tenta me trazer para a realidade, o que indica que o álbum vai se mostrar mais sério e menos lúdico daqui até o final… Então não faz muito sentido uma faixa jazzy big band mais desbocada como “What Am I” estar nessa parte do álbum. É uma ótima faixa, o sax condutor da música é tudo de bom e etc., mas acho que poderia inverter posições com “Ruined” na tracklist para o álbum fluir melhor. “What Can I”, por outro lado, traz a desaceleração que eu esperava para o final de álbum em uma música mais honesta e “triste” sobre um relacionamento vazio. “What Can I” é tudo que eu espero de uma música que me dá vontade de beber algum álcool barato e olhar para o nada deixando pensamentos e sentimentos fluírem, e por isso se junta aos grandes destaques do álbum com “Playground”, “Ruined” e “We Could Be” (BF fecha o Top 5 do álbum).

“So Much” é a música que mais se encaixaria naquilo que falei antes de “Seria fillerzão dentro de um álbum de K-pop, mas se encaixa muito bem em um álbum como o ‘Playground'”. É muito interessante como os vocais do grupo não são exatamente potentes ou emblemáticos mas são muito mais prazerosos do que muita coisa que a gente ouve normalmente, e “So Much” é o melhor exemplo de como elas sabem explorar os limites e a beleza do conjunto vocal que possuem. A sensibilidade de “So Much” aliado a esse R&B lento e melancólico é encantadora. Fechando o álbum temos “Faith”, mais uma faixa que explora temas como ansiedade e depressão na letra, sendo uma mensagem de conforto para quem passa por isso. Não é exatamente o final mais memorável de um álbum, mas é uma faixa agradável que termina bem um álbum agradável como esse.

Concluindo…

A gente costuma falar que todo grupo meia boca que debuta com uma música meia boca “tem potencial” para não dizer que fizeram um debut chato, mas o Kandis REALMENTE é um grupo com potencial que entregou um ótimo trabalho hip hop com o “Playground”. Um girlgroup bom, com talento e uma sonoridade diferente do girlgroup comum, que tem tudo para ser um grande e interessante girlgroup de hip hop (Se a empresa delas tiver dinheiro para investir em uma carreira de verdade para o grupo).

4 comentários sobre “ALBUM REVIEW: Kandis – Playground

  1. Quando li a parte da resenha mencionando “diferentes formações” desse grupo, confesso que estava esperando um histórico bagunçado estilo Rania, com tantas entradas e saídas que deve ter idol que foi integrante pelo Rania e nem ela mesma sabe, mas pelo que li o Kandis não teve ninguém abandonando o barco: foi só uma dupla que depois recebeu mais uma garota e virou trio, e mais tarde recebeu a última integrante e virou o quarteto atual.

    Enfim, essa foi uma boa descoberta. Acho que hoje em dia, quem procura músicas legais no kpop tem mais chances de encontrar isso num grupo de fundo de quintal (que precisa fazer algo chamativo pra se destacar se quiser sobreviver em meio aos milhares de outros grupos no mercado) que em grupos de agências grandes (que sabem que os netizens vão comprar qualquer porcaria que lançarem só pelo nome da agência).

    • A mixtape pré-debut “Show Me Your Vibe” foi como trio, aí uma delas vazou antes do debut oficial e aí foram adicionando as meninas até virar quarteto

      • Ah, bom saber, então a trajetória delas tem uma troca de membros como todo bom grupo nugu precisa ter em algum momento.

  2. Divas, as filhas blasians da Doechii serviram muito nesse álbum. Guardando o pix pro próximo comeback das mamis.

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