Todo artista tem aquela música que não ganha a devida promoção, fica meio escondida como album track ou b-side e acaba desperdiçando o potencial de uma música icônica que é fácil um dos auges da carreira. E o Lado B nasceu para comentar essas grandes músicas que o artista não fez questão de divulgar mas que eu ouvi e acho que merecem muita atenção.
E hoje eu senti uma súbita vontade de escutar “Dorothy” da Sulli depois de ver alguém no meu instagram colocando essa música nos stories, e foi muito bom relembrar e passar a tarde ouvindo uma das músicas mais especiais já feitas na Coreia do Sul:
O que me ganha em “Dorothy” é a sensibilidade. Tanto a primeira metade voz e piano quanto a segunda metade partindo para o Drum n Bass são sensíveis ao ouvido, de uma vulnerabilidade que traz conforto. E o tom que a Sulli mantém a música inteira é de uma delicadeza ímpar, fazendo “Dorothy” ser ainda mais especial. A repetição de “Dorothy” na música inteira tem um propósito que não é apenas ser um gancho repetitivo, mas me aprofundar ao universo mágico, fantasioso e multidimensional da Dorothy. Depois de conhecê-la, você descobre que Dorothy, na verdade, está distante, desiludida e mais cinza do que aparenta, trazendo todo o aspecto frágil que conecta a Sulli com as pessoas que passam por condições semelhantes.
A produção é algo que eu descreveria como um “caos introvertido”. Ao mesmo tempo que “Dorothy” é imprevisível e não segue uma fórmula padrão de música pop de intro/versos/refrão e traz a inesperada virada de balada para dnb no meio da música, a execução é muito contida, frágil, como se a Sulli expressasse o receio de se expor demais e a vontade que ela tem de se manter nesse casulo que criou. É uma faixa que não tem medo de expressar a tristeza e melancolia de quem está com a mente fragilizada e fazer disso uma arte. Quando eu compreendi todas as nuances e passei a me identificar com a ideia de “ser várias pessoas para o mundo e não ser nada para meu próprio eu”, a música simplesmente me destruiu para depois me reconstruir sabendo que não estou sozinho e tem gente passando pelas mesmas coisas que eu.
“Dorothy” é um trabalho emblemático, indo para uma direção de tema e melodia nada comum dentro do K-pop. Sulli é responsável pela dessa música e dá para você sentir a sinceridade dela em cada verso, a falta de esperança e autocuidado descritos de um jeito poético e delicado, que se torna avassalador quando você se conecta com a mensagem. A letra é uma das coisas mais preciosas que já foram escritas no K-pop e a produção é uma das mais únicas naquele país, com a virada do piano para o drum n bass uma das coisas mais lifechanging que a música já me proporcionou. Uma música incrível do início ao fim, assim como todo o debut solo da Sulli.
a peachzinha faz muita falta, hoje e sempre. <3
Uma pena que ela tenha nos deixado tão cedo. Ela não era só um rostinho bonito, mas também uma artista talentosa e sensível.
E caramba, nessa foto abrindo o artigo ela tá a cara da Yves (…ou o contrário, já que a Sulli veio primeiro).
Perfeita
até hoje me choca um album tão idiossincrático assim ter saído de uma empresa tão rédea curta na liberdade artística como a sm, é palpavel o quanto de si nossa menina derramou nas três musicas… artista em niveis estratosféricos
Inesquecível
Eterna.