ALBUM REVIEW: Chung Ha – Alivio

A Chung Ha vem trabalhando de forma bem ativa na sua nova gravadora More Vision desde o ano passado, mas esse ano tivemos o primeiro trabalho mais completo dessa nova fase: O EP Alivio, lançado no último dia 12. Já aclamei a faixa título “Stress” no dia do comeback apropriadamente como a “yes, and?” coreana, mas será que o álbum segue essa energia e qualidade? Vamos descobrir agora:

Artista: Chung Ha
Álbum: Alivio
Lançamento: 12/02/2025
Gravadora: More Vision
Nota: 77/100

“Alivio” é mais um álbum do K-pop que explora diversos estilos musicais e sonoridades que estão ali contando uma história que permite que diversas versões do artista sejam exploradas em um único trabalho, algo que nem é novo na vida da cantora (Praticamente a carreira dela inteira explora a ideia de álbuns “versáteis” assim). No caso, temos Chung Ha contando “uma história sincera enquanto se despede de todos os emaranhados do passado para começar de novo”, um caminho óbvio de artista lançando seu primeiro álbum em uma nova gravadora e contando que está pronta para seguir em frente depois de conseguir uma carreira na antiga e sair de lá em termos não muito amistosos. Daí, temos músicas que usam estilos que transmitem essa paz de espírito da Chungha que está grata por todos os momentos que viveu na MNH mas, agora, é um novo começo e novas memórias serão criadas com a More Vision.

Daí, temos diversas músicas que soam como uma versão mais elegante e, hum, “evoluída” do que a Chung Ha já fazia antes. Praticamente nada no álbum é inédito se tratando da cantora, mas a abordagem tem muito mais sutileza e maturidade (Com exceção das faixas mais pop/rock, que tem uma proposta de espírito livre menos polida mesmo). Isso não é necessariamente algo bom já que perde muito do poder e explosão que são característicos de alguns dos melhores trabalhos da Chung Ha, mas a tentativa de refinar suas forças e entregar algo mais emblemático a partir disso é válida. Músicas como “Creepin'”, “Stress” e “Salty” são coisas que farão você pensar “Nossa, eu já vi a Chung Ha fazendo algo assim antes mas mais sofisticado”, o que pode fazer você achar um lacre ou uma chatice.

O álbum em si não segue uma direção sonora precisa, apostando mais na força do faixa a faixa. Até a faixa 5 eu vivi e segurei a mão da Chung Ha como se ela fosse uma MÃE para mim com músicas que estariam em 5 diferentes playlists homossexuais de boate por aí. Uma vantagem da Chung Ha enquanto cantora é que o timbre dela é muito versátil e combina com praticamente tudo que pode ser música pop, fazendo dela praticamente uma Rihanna de Seul nesse sentido. Ela não tem a melhor ou mais potente voz da música, mas é fácil de curtir e ela consegue sustentar diferentes estilos sozinha durante uma música inteira. Porém, o “Alivio” também mostra um lado pop/rock da Chung Ha que eu descobri não curtir tanto assim com ela, então o final do EP perde a força comigo. Não é ruim, mas é mais dispensável e eu viveria bem sem o pop/rock nele.

Sinto que também falta no Alivio uma faixa mais imponente, que mostre a força da Chung Ha enquanto performer. Ok que a proposta do álbum no geral é ser mais sofisticado e refinar tudo que a Chung Ha já faz muito bem antes, mas senti falta de uma “I’m Ready” ou “Stay Tonight” da vida que te impacta logo no primeiro momento. O single “Stress” cumpre bem esse requisito para mim pois eu adorei tudo na música e a ideia de um house noventista super classudo é o tipo de coisa que não vemos normalmente no K-pop, mas sei que não é a mesma coisa emblemática e “UAU QUE HINO DO POP A MULHER MOSTROU QUE É FODONA DE NOVO” que senti em outros momentos da carreira dela. Falta uma potência a mais que a Chung Ha costuma entregar no pop, mas é algo mais pessoal e não diminui a qualidade do EP.

No geral, “Alivio” é uma ótima playlist de spotify disfarçada de álbum de K-pop. Gerada ali com diferentes estilos, embalados em uma tracklist e lançado ao público confiando na força das faixas isoladamente, esse EP de 8 faixas (O shade em metade do K-pop que chama álbum de 8 faixas de full album) segue bem a risca de trazer as diferentes versões de uma Chung Ha pronta para começar um novo episódio na sua carreira. Não é o tipo de álbum que você vai ouvir e dar nota 10 do início ao fim, mas aposta que você vai tirar 2 ou 3 músicas dessa farofa e aclamar como grandes músicas de 2025. Comigo deu certo, e a primeira metade do “Alivio” já é o melhor EP do ano no K-pop. Já a segunda metade não faz muito por mim e, bem, eu deixo para quem é mais fã dela curtir mesmo.

Faixa a Faixa

O álbum começa com “Creepin'”, que em outros momentos da carreira seria o trap de gostosa com tesão que a Chung Ha vez ou outra lançava como album track, mas hoje ela é uma nova mulher de gravadora nova e decidiu focar mais no R&bzão sensual. A energia de mulher com tesão e sexy ainda está lá, mas com uma melodia mais suave sem batidas pesadas dando um ar mais “fodão” para a produção. Já que estou chamando a Chung Ha de Ariana Grande da Coreia a semana inteira, “Creepin'” é basicamente uma música retirada do “Positions” que caiu no colo da nossa comadre. Gosto muito do “Positions”, e gosto muito de “Creepin'”. A seguir temos “SALTY”, a colaboração da Chung Ha com a Sunmi que levou ERAS para acontecer dado o tanto que essas gurias mostram que se amam e o tempo que elas queriam vingar uma parceria (Uma pena que deve morrer como album track mas vai lá, quem sabe ganha um vídeo especial ou coisa do tipo). As partes da Chung Ha deixam a música bem pop radiofônico enquanto a Sunmi dá um tom mais “alternativo” (com muitas aspas) com seu vocal mais sussurrado, uma escolha bem interessante levando em conta o RETRO HOUSE da produção. Particularmente eu queria que uma parceria das duas fosse algo mais potente ou que, pelo menos, tentasse ser a nova “Delusion”, mas o resultado final é ótimo e explora bem não só as forças das duas enquanto artistas, quanto a química que duas personas pop diferentes como a delas consegue criar.

“Loyal” é mais uma faixa que pega leve até demais com uma produção eletrônica mais atmosférica e os vocais mais emotivos da Chung Ha até aqui mas, de novo, não é uma faixa ruim. Muito pelo contrário, o instrumental atmosférico e os vocais super refrescantes da Chung Ha criam um som super relaxante e confortável. É uma música que acaba sendo ofuscada dentro da tracklist (Ela fica no meio do feat. Sunmi com a Title Track), mas tem seu charme e valor quando escuto isoladamente. E então temos “STRESS”, o single homossexual house noventista que segue morando na minha mente 3 dias depois. Sério, o violino da intro puxando Vogue da Madonna é algo catártico para mim.

No geral “Stress” expressa bem a sensação de “Alívio” que o álbum quer ter. Não é o housezão homossexual mais fritação e bate cabelo da vida da Chung Ha mas traz uma elegância e sofisticação que traduz bem a evolução da Chungha e suas escolhas musicais. Um grande single de comeback.

“Beat Of My Heart” é o aceno da Chung Ha para a nova geração do K-pop que adora uma fritação dnb, mas Chung Ha não é mais uma novata, então não temos aquela energia mais vanilla e adolescente que a trend dnb no K-pop aplica nesse som mais underground. Não é aquele drum and bass que as gays cadeado mais alternativas vão transcender ouvindo, mas quando o drum and bass brilha na produção você vê que é algo bem acima da média no K-pop mainstream. Se o álbum acabasse aqui esse seria um faixa a faixa 10/10 e dificilmente seria batido por um álbum de K-pop, mas o EP continua e perde o fôlego em faixas mais emotivas e pop/rock. “Even Steven (Happy Ending)” é mais pop que rock mas demonstra a alma mais rebelde de Chung Ha se liberta de um relacionamento ruim. Ela fala até um “fxxked” mostrando sua revolta com o boy lixo mas, no final do dia, é uma música que não conversa com o que o álbum estava entregando em termos de sonoridade. Num álbum mais orientado para o pop/rock talvez “Even Steven” ganhasse mais força, mas aqui é um fillerzão.

“Thanks For The Memories” já puxa mais o rock, uma faixa mais “Mulher, supera” com uma mensagem de lembrar os bons momentos que o relacionamento teve, mas se valorizar e seguir em frente depois que tudo acabou. Acho que esse estilo realmente não vende as características que mais funcionam da Chung Ha enquanto artista comigo, então “Thanks For The Memories” poderia morrer como album track de fim de álbum ao invés de ser a outra title track desse EP. Porém, para quem gosta de versatilidade, essa música acaba sendo uma grata surpresa. Por fim temos a Chung Ha sampleando “Four Seasons” do Vivaldi em “Still A Rose” para mostrar cultura para a fanbase de homossexuais que o máximo de “Four Seasons” que conhecem é o álbum da Sandy&Júnior, transformando o sample em um pop/R&B elegante que fecha bem o álbum. Das 3 últimas faixas “Still A Rose” é a que eu mais faço questão de ouvir, mas não é como se fosse sentir falta fora do álbum.

Concluindo…

“Alivio” é mais um álbum onde você pode tirar umas 2 ou 3 músicas dele e achar essenciais na sua playlist, mas o álbum mesmo não é tão essencial assim. O faixa a faixa do mini álbum é bem bom, mas essa versão mais polida da Chung Ha não muda exatamente a minha vida como as faixas mais explosivas e emblemáticas da carreira dela.

5 comentários sobre “ALBUM REVIEW: Chung Ha – Alivio

  1. Forte candidato a pior álbum do ano, sorte dela que as barangas do Blackpink tão lançando álbuns esse ano.

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