ALBUM REVIEW: Jisoo (BLACKPINK) – AMORTAGE

A visão de uma carreira solo da Jisoo no geral é, digamos, “menos empolgante” do que um solo de BLACKPINK no geral. Não que as outras integrantes do BLACKPINK sejam lá grandes personalidades, mas elas tem uma persona bem desenhada que faz a gente criar expectativas: Jennie como a gostosona diva pop, Lisa como a FODONA do grupo e Rosé é a chata que aposta em pop mais vocal que todo grupo de K-pop tem. Já a Jisoo… Bem, todo mundo apostava que ela seguiria a carreira de atriz, então não é como se alguém esperasse alguma coisa mais definida dela. O “AMORTAGE” ilustra muito bem como não dá para esperar algo mais grandioso da Jisoo… E isso acaba sendo bom para ela, no final do dia:

Artista: Jisoo
Álbum: AMORTAGE
Lançamento: 14/02/2025
Gravadora: Blissoo Limited/Warner Records
Nota: 70/100

Optar pelo mais básico nem sempre é ruim desde que você saiba como transformar o básico em entretenimento. O que não falta são exemplos de cantoras e grupos pop no geral que não se preocupam em reinventar a roda e estão mais afim de entregar aquele pop mais básico, radiofônico e redondinho pronto para abalar uma playlist gls, sem uma mensagem muito transgressora mas com uma batida viciante que te deixa naquela vibe para ouvir de novo e de novo. O “AMORTAGE”, que é descrito como uma “montagem que expressa as emoções complexas e belas que todos sentem ao vivenciar o início e o fim do amor como um filme romântico”, aposta no tema básico do amor em suas diferentes fases, com umas produções pop/dance mais básicas que deram certo antes, dão certo hoje e darão certo no futuro. Um EP que não impressiona em nenhum momento, mas é fácil de curtir.

A impressão que tenho assistindo o MV, ouvindo as músicas e vendo as performances (E até mesmo apreciando os visuais) é que a Jisoo, das 4, é a que melhor aprendeu o que fazer como idol de girlgroup de K-pop na década passada e tenta replicar isso como idol solo de K-pop. Absolutamente TUDO que esse EP proporciona parece ter uns 4, 5 anos de delay dentro da indústria e é como lidar como uma novata no pop que busca uma identidade mais marcante no K-pop. Ou, simplesmente, fazer um pop falando de amor redondinho para um ouvinte de música pop curtir (Que quero acreditar que seja o caso da Jisoo).

O resultado é um mini álbum divertido, despretensioso e, huh, pop. Nenhuma música impressiona ou muda a minha vida, mas tem dias que eu só preciso de um popzinho mais fácil que me acompanhe na hora de lavar uma louça ou varrer a casa e o “AMORTAGE” está aqui para isso. É difícil ter grandes sentimentos, adorar ou odiar um álbum que, do início ao fim, tenta (e consegue) ser apenas agradável, o que tranquilamente deixa o EP menos emblemático ou que bote a Jisoo como um grande destaque de 2025. Porém, se precisar de uma música pop mais simples que tem um instrumental e um vocal que cumpre seu papel, a Jisoo estará ali presente para você. A Jisoo não é aquela solista que trará aquela graça de amar ou odiar ouvindo, mas parece que não é a intenção dela ser esse tipo de diva pop que fique na boca da galera. Tendo uns 50 homossexuais para dançar e cantar as farofinhas que ela lança já está bom.

“AMORTAGE” é um arroz com feijão bem feito e isso é o suficiente para a Jisoo, eu acho. Claro que é pouco para uma integrante de um grupo do calibre do BLACKPINK, mas sinto que seria bem mais capenga se ela fosse mais pretensiosa ou ambiciosa. Todas as músicas são coisas que eu colocaria no meio de uma playlist pop e não pularia quando tocasse no aleatório, e talvez uma ou outra música acabe crescendo involuntariamente. “AMORTAGE” definitivamente não vai te arrebatar se você gosta de músicas mais agressivas, com mais presença e personalidade, mas estará por você naqueles momentos que você só precisa de um popzinho de diva pop coloridinho mais fácil e acessível que não te faça pensar muito. É o menos comentável, mas definitivamente não será a pior experiência que você terá ouvindo um álbum solo de integrante do BLACKPINK.

Faixa a Faixa

O disco começa com o single “earthquake”, que segue sendo uma farofa bem gostosa de consumir. Boa parte desse ser o single mais “K-pop” dos singles do BLACKPINK pós YG é que essa é assumidamente uma música de set de DJ europeu que ganha mais charme e graça com uma gostosa cantando por cima (Sendo basicamente a base do K-pop desde que o eletropop e o pop/dance viraram algo no fim dos anos 2000), a Jisoo se aproveita bem do fato de ter contatos com boas demos e produtores eletrônicos e só precisou escolher a melhor farofa disponível. Seria mais icônico se os versos tivessem a mesma pegada club do refrão, mas nada que me impede de ser a garota branca da boate VIVENDO por esse oontz oontz.

A seguir temos “Your Love”, que é o synthpop emocional que vimos hoje mesmo no pré-debut do novo girlgroup da Starship mas mais midtempo e feito do jeito certo. O vocal da Jisoo é mais agradável e a produção é mais segura, quando o refrão ganha batidas mais fortes a Jisoo também dá um sentimento mais intenso em sua performance, é uma música com diferentes intensidades que mostra uma Jisso com diferentes níveis de vulnerabilidade. Para o que se propõe é uma música ótima que vai agradar muito os simpatizantes de synthpop, então obviamente eu curti muito isso aqui.

As duas últimas músicas são menos interessantes. “TEARS” segue aquela linha de pop tragicômico que serviria de trilha sonora de alguma comédia romântica ou que uma Sabrina Carpenter da vida lançaria com mais carisma. A Jisoo é muito vanilla e não faz nenhum momento de “TEARS” ser mais memorável, tem um instrumental simpático mas não é nada que eu faça muita questão. “Hugs & Kisses”, por outro lado, explora melhor os vocais da Jisoo (É a música que eu mais curti ouvir a Jisoo cantando e diria que é a performance menos safe dela no EP), mas o instrumental é irrelevante demais e faz a música cair no mesmo lugar indiferente de “TEARS”. Até mesmo um trabalho mais seguro precisa ter um ponto que prenda o ouvinte, coisa que essas duas músicas não tem.

Concluindo…

“AMORTAGE” é um EP sólido, bem polido e mostra que a Jisoo tem um básico porém bom gosto na hora de escolher demos pop. Não sei se a Jisoo consegue (Ou pretende) ser melhor do que o que ela mostrou aqui mas, se ignorarmos o fato dela ter quase 1 década de debut e adotar isso como um álbum de uma solista novata, “AMORTAGE” é um bom primeiro passo. De qualquer forma é melhor que o da Rosé, então dá para considerar o “AMORTAGE” uma vitória.

12 comentários sobre “ALBUM REVIEW: Jisoo (BLACKPINK) – AMORTAGE

  1. Acho a Jisoo ruim em praticamente tudo o que se propõe a fazer: uma péssima atriz, uma péssima cantora e a personalidade dela não me agrada em nada. Eu já tentei gostar dela, mas não consigo.

    Não achei o mini bom. Depois que ouvi a segunda música, já estava cansada, e ele só tem quatro faixas. A única música que “salva” é earthquake, uma ótima escolha para title, mas que só se destaca pelo instrumental, porque eu não suporto a voz dela. Ainda assim, ouvi apenas uma vez e não pretendo ouvir novamente.

  2. Your Love é uma musica muito bonita, tanto em sonoridade quanto em letra. A Jisoo acertou nesse mini álbum e não sei se as outras vão entregar um trabalho tão coeso e sólido. Mas até agora AMORTAGE surrou o Rosie só pelo fato que não fiquei com vontade de dormir (fãs da Rosé podem espernear). É aquilo, ela sabe que é básica e vai no básico mesmo pq é o que ela sustenta, ao contrário das outras que prometem tudo e no fim entregam mais do mesmo.
    Não é uma obra de arte, mas não decepciona.
    Amei como Hug and Kisses explorou a voz de fumante dela. Aquilo né, a diferença quando você trabalha com produtores que sabem produzir musica que valorize o seu vocal. Teddy could never

  3. É inovador e revolucionário? Não. Mas, durante aquela meia hora, cria ali pra você um lugar tão aconchegante, tão reconfortante, tão capaz de reconstruir a sua fé na humanidade que não tem preço

  4. Eu daria 60 e acharia muito, se você deu essa nota para o mini da Jisoo você devia ouvir o Reve Festival Feel my Rhythm, você vai se surpreender

    • Do jeito que ele é hater do grupo, é basicamente dar pérola aos porcos. Melhor deixar as divas serem apreciadas por quem valoriza coisa de qualidade e deixar as básicas continuarem a ser básicas.

      • Ele mudou um pouco, avaliou cosmic muito bem, por mais que na lista de fim de ano tenha feito o crime

  5. Vi alguém falando que tava kpop demais, ou qualquer coisa que fariam no kpop, diferente dos trabalhos das outras que são mais internacionais ou americanizados. E acho que isso faz todo sentido já que, delas, a Jisoo é que realmente viveu e cresceu na Coreia. Vi ela falando em uma entrevista que uma inspiração pra ela é Baby One More Time e que ela se inspira na sensação pop dessa música. Gostei muito que ela soube aplicar isso para o que ela é capaz em termos de vocal, interpretação e coreografia. Gostei muito também por ser isso que você falou, o básico que funciona. Esse solo é praticamente um presente para os fãs, estava com medo que isso significasse vir balada insossa, mas felizmente a diva pensou nos fãs GLS. E melhor um álbum de 4 faixas redondinho do que 12 faixas em que mais da metade só enchem linguiça (Oi, Rosie 🙃)

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