Do pior ao melhor: Ranqueando os singles da carreira da Lee Jung Hyun

Receber dois pedidos de pix falando de discografias numa semana não muito legal para mim foi mais complicado do que imaginei que seria, então tirei a semana para focar em entregar bons posts sem me desgastar com lançamentos essa semana (Nem rolou muita coisa relevante mesmo, isso ajudou muito). Então, depois de ranquear os singles do Red Velvet (Que, com mais de 100 respostas, deve estar repleto de comentários dentro do som e super saudáveis de se ler), chegou a vez de falar dos singles da cantora Lee Jung Hyun. Não conhece a diva? Pois o meu trabalho será o de te convencer a ouvir, pois é uma das artistas mais interessantes que o mundinho K-pop já desovou.

Nenhum

Desbravar a discografia da Lee Jung Hyun é notar como a cantora (até hoje) conseguiu ser uma das artistas mais únicas do K-pop. Os responsáveis sabiam que estavam diante de uma das artistas mais inovadoras, transgressoras e originais dentro da indústria, que estava disposta a dar o nome em visuais e sons pavimentando o caminho para a música techno no K-pop. Praticamente tudo envolvendo a Lee Jung Hyun é tão inventivo, novo e ousado que, a cada single e MV que eu passo nesse post, fico cada vez mais encantado com a personalidade forte que ela imprime em cada trabalho. Tudo tem a cara (Ou, pelo menos, um toque mágico) da Lee Jung Hyun, que sabia transformar ideias boas em música boa. Tanto na época do auge quanto nas gerações seguintes, é uma das artistas mais únicas que a Coreia do Sul tem a oferecer, e vale a pena conhecer tudo que ela fez nos quase 15 anos de carreira como cantora.

Joolae

Acho que o problema de Joolae é ter a ideia certa mas a execução não tão certa assim. A sonoridade meio que brincando com a ideia de pop mais jovem e aegyo, colocando toda a extravagância da Lee Jung Hyun em uma farofa menos oontz oontz e mais poppy é boa, mas a execução é estranha e desconfortável de um jeito ruim, que não me dá vontade de ouvir de novo e de novo. Talvez funcionasse melhor ali no ano 2000.

Ari Ari

Até mesmo para montar esse tier de singles bons da Lee Jung Hyun eu tive uma certa vontade de não colocar nada dada a competência dela em servir os melhores e mais ousados technos que a Coreia já viu, mas aí eu pensei o seguinte: Esse technozão me dá vida ouvindo e mostra que a Lee Jung Hyun é a maior artista viva ou é só uma boa fritação? E acho que “Ari Ari” se encaixa bem na segunda descrição. É um farofão eletrônico interessante dentro dos padrões coreanos, mas meio que se perde no meio dos ótimos singles que a Lee Jung Hyun sendo um techno 101 do início dos anos 2000 com a própria Lee Jung Hyun sendo bem 101 na interpretação mais furiosa dela. “Ari Ari” provavelmente ainda é melhor que a sua favorita, mas é um dos singles mais fracos do catálogo da Lee Jung Hyun.

Dara Dara

Podemos dizer o mesmo de “Ari Ari” em “Dara Dara”. É uma fritação boa e a Lee Jung Hyun está em seu elemento, sendo outro consistente trabalho da Lee Jung Hyun, mas a magia não é a mesma. Acho que a ideia do instrumental tradicional poderia ser mais utilizada na música inteira ao invés de ficar mais “limitada” na intro antes da Lee Jung Hyun servir a fritação habitual, e o próprio techno aqui não é tão lifechanging. A essa altura a cantora estava em seu 4º álbum, e acho que faz sentido dizer que ela estava se reciclando (Afinal, qual outro ato relevante do K-pop no início dos anos 2000 estava fazendo o que ela fazia?), mas não exatamente evoluindo. Ainda é outra boa fritação no catálogo da Lee Jung Hyun, mas é difícil eu lembrar dessa música no meio de tanto bop no fim do dia.

Summer Dance

“Summer Dance” é o melhor de todos os singles mais “cute” onde a Lee Jung Hyun aposta em algo mais carismático e vibrante ao invés da assinatura mais agressiva e ambiciosa. É uma faixa de verão mais colorida e bem humorada, que traz um certo atrevimento enquanto a Lee Jung Hyun brinca de fazer música pop. Sinto o calor e um sabor de coquetel de morango ouvindo essa música, e para mim já é o suficiente para considerar “Summer Dance” bem boa. Não é exatamente algo que ouviria no verão de 2025 (E a Cyndi Wang fez melhor que ela no remake “Honey”), mas é ótima para uma playlist throwback anos 90/2000.

I Love You Cheol-soo

A Lee Jung Hyun sempre foi fiel a sua persona techno diva, mesmo que não fizesse sentido em tempos como o ano de 2006, onde o pop estava mais orgânico e menos eletrônico. Isso mais ou menos se reflete em “I Love You Cheol-Soo”, que é um trabalho bem menos impressionante em comparação ao que ela fez antes e depois. Uma coisa meio “Não vamos mudar a assinatura da Lee Jung Hyun mas também não sabemos como inovar o que já foi feito para ela” e aí temos esse techno atrevidinho e exótico mas não muito inspirado. É uma boa música para o que se propõe e vale por toda a coisa camp que a Lee Jung Hyun carrega em todos os trabalhos, mas não é uma música essencial se tratando de Lee Jung Hyun.

You

Eu amo o pancadão eletrônico e mais uma mistura intrigante e hipnotizante entre os batidões do techno e elementos mais tradicionais e a apropriação cultural que inventou a Gwen Stefani. “You” está ali meio que requentando os nachos do fenômeno que a Lee Jung Hyun serviu com “Wa” e “Bakkwo”, mas tem seu charme e é outra ótima fritação para o catálogo da fodona do techno. Só não coloco no Tier S porque acho que o instrumental dá uma engolida na Lee Jung Hyun (a performance furiosa e agressiva dela é menos presente na música e eu senti um pouco de falta disso), mas não é nada que prejudique a música em si.

Going Crazy

“Going Crazy” é o primeiro single da cantora mais alinhado com o pop mais trend/y2k do K-pop na época. Tem elementos eletrônicos mais quirky e característicos de um trabalho da Lee Jung Hyun, mas você consegue imaginar um Baby V.O.X ou Fin K.L na fase de grandes gostosas (Ou até mesmo a BoA no início de carreira) lançando algo assim sem esses elementos mais camp. Vocalmente eu acho que não combina tão bem quanto os trabalhos mais eletrônicos dela mas não é um empecilho para minha pessoa. É divertido, é exótico, é curioso ver a Lee Jung Hyun em figurino diva pop mais padrão servindo gostosona realness em um MV.

Follow Me

Aqui a Lee Jung Hyun trocou o seu nome para Thalia Sodi e serviu a latinidade mais eletrônica, esquisita e sensual que uma gostosa coreana poderia servir (E que a Thalia não ironicamente poderia entregar ali nos anos 2000), abraçando a sensualidade e cafonice que um instrumental latin pop pode oferecer e dando aquele charme que da Lee Jung Hyun que, se você chegou até aqui ouvindo todas as músicas, já deve conhecer bem. É bem divertido notar que a Lee Jung Hyun passeou por diversas tendências da música pop sem necessariamente abandonar o estilo que deu nome a ela, e quase sempre conseguir fazer algo único e memorável em cima disso. “Follow Me” é um dos grandes momentos do intercâmbio latino no K-pop, sendo o tipo de trabalho selvagem e destemido que só a Lee Jung Hyun seria capaz de sustentar.

Crazy

“Crazy” se encaixa bem naquele específico momento da segunda metade dos anos 2000 onde todas as divas pareciam investir em uma coisa mais sexual e femme fatale com vários descamisados. Diria que é praticamente a Lee Jung Hyun achando que o “Blackout” é o melhor álbum da Britney Spears e falou “Tá aí, quero fazer o que ela fez” mas, diferente de pegar o sample da Britney na cara dura, a Lee Jung Hyun conseguiu adicionar seu tom eletrônico mais insano para criar essa faixa. Hipnótico desde o primeiro segundo, “Crazy” te faz embarcar no mundinho mais doido e “punk” que a música cria, sendo suja o suficiente para te deixar intrigado e querer ouvir de novo. “Crazy” surge como uma reinvenção da Lee Jung Hyun, que estava pronta para ser a fodona do eletropop coreano.

V

O grande motivo da Lee Jung Hyun ser uma lenda para a música coreana é o fato dela ser aquele refúgio esquisito e fora da casinha para quem quer fugir de coisas mais padronizadas que o K-pop faz. Ao invés de um pop redondinho e chiclete mais girly, “V” é um pancadão eletrônico com toques retrô e vocais que passeiam entre o distorcido e o esganiçado, e isso é muito bom. “V” é tão unserious que dá a volta e eu começo a levar a coisa toda bem a sério como o maior EDM de 2013, sendo extremamente original e único em meio ao fenômeno EDM que o K-pop vivia na época. Se você não se diverte ouvindo isso é porque já morreu por dentro (ou não viveu a fase mais camp fo K-pop trabalhando com dance music).

Wa

O fato de “Wa” introduzir o techno na Coreia já seria motivo de considerar essa uma das melhores coisas já feitas naquele país, mas “Wa” vai ALÉM e é um trabalho de arrepiar. A intro se utilizando de música tradicional não te deixa preparado para o que vem a seguir, e quando a fritação começa você pensa “uau”. E a performance da Lee Jung Hyun, toda agressiva e exagerada, combina tão bem com a adrenalina proporcionada pela produção que me deixa alucinado (Especialmente o final mais rasgado que ela entrega). 26 anos se passaram e essa música AINDA é o evento, uma das melhores coisas já feitas no K-pop (E talvez o melhor debut que a Coreia já viu? Não seria um título injusto para essa música).

Bakkwo

Bakkwo vai pelo mesmo caminho icônico de “Wa”, trocando os instrumentos tradicionais por uma sirene e outros elementos que dão aquela sensação alarmante, perigosa e excitante. A fritação segue de forma frenética e a Lee Jung Hyun serve ainda mais drama e selvageria na performance, aquela coisa exagerada e que soaria ridículo em um pop tradicional mas é perfeita para um technozão como esse. A Lee Jung Hyun estava em 2099 quando resolveu lançar essa em 1999. Eu queria muito ser um jovem homossexual sul coreano para presenciar esse debut da Lee Jung Hyun ao vivo, pois eu tenho certeza que muitas vidas foram mudadas com o lançamento do “Let’s Go To My Star”.

Half

Entre “Bakkwo” e “Half” há alguns singles que exploram um pouco a versatilidade da Lee Jung Hyun enquanto artista pop, mas os trabalhos mais icônicos dela estão nessa esfera quirky, techno e super agressiva que somente ela era capaz de entregar. “Half” é o tipo de música que funciona tão bem em uma fritação rave quanto para cantar bêbada em um karaokê (Se eu soubesse coreano eu daria o NOME com essa música). Todos os elementos de uma incrível música da Lee Jung Hyun, desde o batidão frenético até a voz rasgada com versos rápidos furiosos, com um toque mais colorido que deixa tudo ainda mais divertido. Das músicas perfeitas desse post eu acredito que seja a menos atemporal (A produção dessa grita 2001 enquanto “Wa” e “Bakkwo” soam mais fresh), mas mostra como a Lee Jung Hyun não tinha medo de ser O ponto fora da curva dentro do K-pop.

Love Me

A única coisa inédita para mim nesse post é “Love Me” pelo fato de nunca ter tido vontade de ouvir o álbum chinês da Lee Jung Hyun (Tem os singles japoneses mas não achei nada em qualidade decente para postar aqui). E confesso que não estava pronto para ouvir a gata interpolando “Lovefool” num pancadão dance sensual, mas aqui estamos nós com a morena sendo divônica em mais um projeto visualmente provocante e musicalmente fatal. E os momentos onde a performance da Lee Jung Hyun vai para um lado mais misterioso são OURO e é o que faz “Love Me” entrar no hall de singles icônicos dessa mulher.

Suspicious Man

“Suspicious Man” bota a Lee Jung Hyun para se aventurar no electropop como todo mundo que queria ter seu Lady Gaga moment ali em 2009/2010, mas a diva não é a inventora da excentricidade e do camp na Coreia para ser comparada com qualquer narigudinha por aí, então deu um toque autotunado próprio para “Suspicious Man” ser a cara da Lee Jung Hyun. É exagerado, é farofa, às vezes você duvida que tem uma pessoa de verdade cantando essa música, e por isso mesmo é extremamente divertido. Uma grande música que mostra que a Lee Jung Hyun seria a artista PERFEITA para surgir na onda eletropop que o K-pop parece estar afim de ressuscitar.

8 comentários sobre “Do pior ao melhor: Ranqueando os singles da carreira da Lee Jung Hyun

  1. Dougie eu senti falta de Peace aqui no blog, não esqueça de quando a bisha foi o momento sendo a Michaela Jackson do Kpop

  2. a lee jung hyun vai ser O evento no meu spotify wrapped de 2025, mergulhei de cabeça na discografia dela nesse ano, cada álbum é cheio de bsides incríveis, qm quiser recomendação de álbum dela pra ouvir de cabo a rabo e ficar tipo WOW BITCH YOUR SO TALENTED, eu indico Magic To My Star, só ouçam

  3. Lee Jung Hyun, Lee Hyori, Uhm Jung Hwa e BoA para sempre precursoras do verdadeiro CHARISMA, UNIQUENESS, NERVE AND TALENT naquele país. Essa é para quem é preconceituoso e diz que vovó não pode fazer HISTÓRIA.

  4. Tenho muito carinho por Joolae porque me traz nostalgia das músicas dos desenhos que passavam na TV aberta nessa época. Não é perfeita mas ela foi muito grandona na persona Junghyun para Baixinhos.

  5. minha música favorita da lee junghyun fora os singles é half. acho uma palhaçada, ela pegou wa e botou no circo da gretchen

Os comentários estão desativados.