Essa semana não rolou muita coisa relevante no Asian Pop para comentar por aqui, me permitindo “tirar uma folga” do blog, mas tivemos algumas coisas que merecem a minha atenção e um post por aqui. Por exemplo, Ayumi Hamasaki lançou essa semana o MV para o seu novo single “mimosa”, o primeiro em estilo throwback para celebrar a carreira da comadre depois de 27 anos no J-pop. Uma carreira como a da Ayu tem muita coisa para destacar e celebrar em um MV revival para mostrar todo o impacto que a Imperatriz do J-pop causou nesses 27 anos, mas estamos em tempos de vacas magras para a Ayu e a avex, então “mimosa” acabou ganhando o vídeo mais básico que o chatGPT pode proporcionar:
O destaque do lançamento obviamente é o MV e o uso de uma das IAs mais pobretonas para fazer as capas da carreira dela ganharem vida, além da cena final da Ayu do presente encontrando a Ayu do passado. Conhecendo a velha eu tenho certeza que ela abriu o instagram e achou um máximo ver os vídeos de capas se movendo com uso do ChatGPT e achou que seria uma boa ideia para fazer com os trabalhos dela. Bom para a avex, que anda aproveitando qualquer oportunidade para economizar dinheiro, e usou isso ao invés de dar o opulente e icônico vídeo que o MV revisitando a carreira da Ayu merecia ter.
Mas o mais importante: CADÊ A ICÔNICA CAPA DELA DE QUATRO E DE BRAÇO DECEPADO DO PARTY QUEEN?

Ayuzão tem todos os motivos do mundo para esconder o Party Queen tal como a Lady Gaga finge que nunca lançou um ARTPOP, desde fazer ela virar saco de pancadas por todo o país enquanto o seu rabaço passeava estampando os caminhões de divulgação da avex até a qualidade mais que duvidosa do material visual e das músicas (Eu particularmente não acho o “Party Queen” essa droga toda mas assim, se até os fãs mais fieis chutam ele, quem sou eu para falar que eles estão errados né), mas acho que o álbum merecia essa menção nem que fosse para ficar encostado no cantinho. Até a AYU NEGONA de “Appears” teve o seu momento no MV e nada do Party Queen ou do Colours (Esse segundo ninguém faz questão de lembrar mesmo).

Já a música é a mesma Ayu de sempre lançando a mesma balada pop/rock de sempre para eu fazer as mesmas pontuações de sempre. O problema dos lançamentos recentes da Ayuzão é que não importa muito se eles são ou não bons trabalhos, eles soam como uma reciclagem de coisas que ela já fez nos anos 2000 e isso fica menos empolgante de ouvir ano após ano. Isso é um problema tanto do público (temos uma artista que o público mais jovem considera datada e os mais velhos de guerra da fanbase preferem ouvir o que ela lançou 20 anos atrás do que o que ela lançou ontem) e da própria artista, pois já tem um tempo que a Ayu não quer saber muito de reinventar a roda. E, honestamente, com quase 3 décadas na indústria e dezenas de álbuns, álbuns de remixes e coletâneas lançadas, ela está certa em simplesmente agradar quem vai nos shows delas e não arranjar dor de cabeça tentando acompanhar a galerinha mais antenada. Vez ou outra ela acerta, mas não é como fosse de propósito ou algo que trouxesse a Ayu para 2025 e a fizesse cair nas graças do japonês médio.
Por exemplo, eu acho o “remember you” um ótimo álbum e o melhor da carreira dela em uns bons 15 anos, mas tudo nele parece gravado em 2002 com uma leve repaginada, o que não causa o mesmo impacto do que causaria há 20 anos. “BYE-BYE” também é ótima e calhou de soar mais fresh por conta da onda y2k e com certeza seria um hit em 2003, mas Ayu não tem o mesmo engajamento com os jovens hoje. “mimosa” cai na mesma armadilha: É uma balada sinfônica bonita, a voz de anjo da Ayu está mais palatável para quem não é acostumado e emociona num primeiro momento, mas não é nada que você já não tenha visto a Ayu fazer quase que anualmente em seu auge. Provavelmente “mimosa” ganhará um pouco mais de atenção do que o habitual desses singles recentes da Ayu por ser tema de um dorama do Getsu 9 (Horário nobre dos dramas japoneses), e acho que ser chamada para fazer tie-ins mais relevantes como esse é a maior vitória que a Ayu atual consegue ter.
Para quem não cansou de Ayumi Hamasaki ou curte essas baladas japonesas dos anos 2000 em pleno 2025, “mimosa” é um ótimo trabalho. Hoje em dia acho que somente a Ayu de relevante aposta nessas baladas de estilo mais orquestrado, dramático e exuberante (Talvez a Mika Nakashima ainda faça isso mas não acompanho tão a fundo a carreira da doll), rola um solo de guitarra servindo como ponte e isso é legal. Tudo bem bonito se tratando de Ayu, mas duvido que as pessoas e fãs mais fieis vão largar os clássicos dos anos anos 2000 dela para ouvir “mimosa”. Se engajar com a ala de dorameiras ela já está no lucro.
Os japas não estavam prontos pra bundinha magra de 40kg da Ayu! Party Queen, você será vingado um dia!
Música bonita, mas o que me chamou atenção foi o MV mesmo, que traz as animações em IA para o bom e velho nível Ayumi Hamasaki de pura cafonice.
Nunca mude, Ayu!