O ILLIT já havia me surpreendido com a ótima “It’s Me” sendo o melhor pancadão techno da HYBE no mês de abril, mas não criei muitas expectativas na hora de ouvir o EP pois a BELIFT parece ter uma forma mais “café com leite” e inofensiva de fazer os mini álbuns do grupo. Então fiquei positivamente surpreso do quão bom foi ouvir o “MAMIHLAPINATAPAI”, não exatamente por ter algo muito fora das expectativas ou com a mesma adrenalina do single, mas porque parece que todos os astros das trendings musicais se alinharam nos estúdios da BELIFT unicamente para criar o EP mais cativante da carreira do ILLIT até aqui:

Artista: ILLIT
Álbum: MAMIHLAPINATAPAI
Lançamento: 30/04/2026
Gravadora: BELIFT LAB
Nota: 82/100
Sonoramente, “MAMIHLAPINATAPAI” não é um EP tão surpreendente assim. Um mini-álbum sem direção sonora, com uma tracklist onde cada faixa tem um gênero diferente, muita coisa nele é apenas o ILLIT embarcando e encapsulando tudo que está em alta em um comeback. Tem techno, tem drum and bass, synthpop/rock, electropop e a baladinha padrão. O que tem que ser autotunado é autotunado e o que não precisa simplesmente deixa a gente ouvir os vocais do grupo. O que tem que ser dançante é um fervo e o que tem que ser emocionante é mais suave. Talvez o álbum surpreenda dentro dos lançamentos do ILLIT por ser mais intenso que o habitual, mas não é a primeira (e nem será a última) vez que ouvimos “um álbum adorável que mostre os diferentes charmes de um girlgroup adolescente de K-pop” como esse.
Dito isso, tudo dá certo “MAMIHLAPINATAPAI”. Todas as 5 faixas desse EP são boas e não fiquei entediado em nenhum dos 13 minutos do álbum (Algo que eu sinto com muita frequência ouvindo o ILLIT). O foco aqui é fazer bem o que todo mundo já fez/faz, e músicas como “paw, paw!” e “GRWM” acabam sendo acima da média e se destacam como grandes faixas para as pistas de K-pop, além das outras album tracks serem competentes em sua proposta. O conjunto vocal do ILLIT ainda foca em ser fofo e ter uma certa inocência na interpretação, o que dá um contraste interessante para os pancadões do álbum e um encanto para as faixas mais cadenciadas. Falta o fio condutor de sempre nesses álbuns que tentam atirar para todo lado musicalmente, mas é um EP interessante do início ao fim.
O mais divisivo aqui é, realmente, a faixa principal. “It’s Me” não só é uma faixa mais “apelativa” no sentido “vamos botar o máximo de clichês virais de TikTok para emplacar esse comeback”, como está numa frequência totalmente diferente até mesmo das outras faixas mais dance do álbum. Não vou reclamar muito porque eu realmente gostei de “It’s Me” e já engoli os “who’s your bias? I’m your bias!” sem muito esforço mas, dentro de um EP mais sóbrio como esse, soa como uma tentativa desesperada de engatar um hit do momento, então dá para entender quem ouviu isso e pensou “Jesus amado, que joça”. Um grupo que vende 500 mil álbuns por comeback e consegue botar as músicas na boca da galera não precisa passar por essa coisa mais “forçada”, mas entendo isso como a HYBE tentando emplacar uma nova “Magnetic” comercialmente.
A sensação que tenho é que calhou dos gêneros musicais certos estarem bombando para a HYBE conseguir montar um EP forte para o ILLIT. Nada na construção do “MAMIHLAPINATAPAI” parece fugir do padrão para o grupo, para a HYBE e para o K-pop no geral, mas eles conseguiram as demos certas e isso rendeu uma tracklist bem legal. Acho que “It’s Me” não é exatamente a faixa certa como “porta de entrada” para o que o conjunto da obra entrega, mas é uma faixa promocional ousada para elas e aprecio a tentativa de fugir do óbvio (Mesmo que igual a todo mundo na HYBE, aparentemente). Para um grupo que já passou batido comigo nos 3 EPs anteriores, “MAMIHLAPINATAPAI” pelo menos me mostra que elas tem potencial para lançar um álbum realmente marcante, basta apenas os responsáveis terem vontade de ir além do que está bombando no TikTok e caçar mais demos fortes para um futuro full album do grupo.
Faixa a Faixa
O EP começa com “GRWM (Get Ready With Me)”, um drum and bass jovial sobre compartilhar seus sentimentos com o próximo. Para quem gosta de falar que o NewJeans moldou o K-pop atual, “GRWM” é a música mais “NewJeans” do EP pela batida mais calma e o jeito meio alternativo (Que, a essa altura, não é tão alternativo assim) de explorar o drum n bass, e a performance do ILLIT é relaxante do início ao fim, com destaque para o refrão adorável e quando o instrumental brilha no final da música. “It’s Me” já chega como um soco de adrenalina techno que, como eu disse, não conversa muito bem com o resto do EP, mas talvez seja o boost de personalidade e ousadia que o ILLIT precise para evoluir como grupo. O gancho poderia ser menos cansativo, mas o instrumental A+ e a energia mais descolada do grupo se sobressaem na música, tornando ela bem divertida.
“paw, paw!” é descrito como “um electropop com toques hyperpop” bem autotunado e animado, que tem uma rapidez de versos parecida com “It’s Me” mas em um tom mais fofo e ganchos mais amistosos, que tornam a música mais cativante no geral. A desacelerada rápida que deram no segundo refrão é uma surpresa no primeiro play que se torna divertida no segundo em diante. Imagino essa música facilmente ganhando uma versão japonesa e virando single por lá. “MAMIHLAPINATAPAI” é um pop/rock mais sintetizado e inspirado nos números oitentistas americanos que começa a tirar a pressão das faixas eletrônicas da 1ª metade do álbum. Não gostei delas terem começado a música com esse “rap”, mas logo vem o refrão sing along e perfeitinho para botar a música lá pra cima. E esse synth retrô como um forma de “fugir” do pop/rock tradicional foi inventivo também (Além de sentir que esse instrumental foi feito para mim). Uma gracinha de música. Fechando o EP, “Love, older you” é uma balada pop mais alternativa com um acorde de guitarra e uma bateria conduzindo os versos e o refrão de forma delicada e tocante, enquanto o ILLIT entrega a performance mais sensível e vulnerável do álbum. Quando até a baladinha obrigatória do álbum é acima da média, é sinal de que o ILLIT foi muito feliz com esse EP.
Concluindo…
As músicas são tão boas que ofuscam o fato desse ser mais um álbum com cara de playlist de algoritmo no K-pop. Ou seja, “MAMIHLAPINATAPAI” é tranquilamente o melhor e mais marcante álbum do ILLIT até o momento.