ALBUM REVIEW: SNSD (Girls’ Generation) – I GOT A BOY

Quando eu recebi um pix para fazer review de um álbum do SNSD eu pensei “Oxe”. Euzinho sendo pago para fazer uma review de álbum COREANO do SNSD? A pessoa foi muito corajosa com esse pix. Mas sei lá, vai que o I GOT A BOY envelheceu muito bem depois de 12 anos e eu posso estar perdendo uma pérola da música popular coreana. Então eu ouvi esse álbum de coração aberto, tentei superar o fato da title track ser uma das piores coisas já desovadas no K-pop e, agora, estou aqui para fazer minha apurada análise sobre esse álbum e dizer que: Esse álbum continua não sendo tão bom.

Artista: SNSD
Álbum: The 4th Album ‘I Got A Boy’
Lançamento: 01/01/2013
Gravadora: SM Entertainment
Nota: 59/100

Apesar de meu gosto musical para música coreana ser criado pelo leite materno da 2ª geração dos girlgroups de K-pop, não vou passar pano para os álbuns da época: 90% dos álbuns de K-pop da 2ª geração são, no máximo, medianos, com 2 ou 3 faixas (Dependendo do tamanho do álbum) sendo trabalhadas com mais empenho para usarem como promocionais do comeback e o resto do álbum sendo fillers e faixas bem meh para preencher tracklist. Dá para contar nos dedos os grupos com mais de um álbum coreano bom antes de 2015, pois o foco era vender singles emblemáticos para promover e hitar na Coreia (Especialmente os grupos sem fanbase que dependiam muito do povão abraçando a title track para fazerem dinheiro). O SNSD era viciado nessa composição de álbum filler, e passou anos lançando álbuns e EPs coreanos onde pouca coisa fora dos singles promocionais era aproveitável.

“I GOT A BOY” até tenta ir além do álbum filler e dá para ver que os responsáveis se esforçaram para fazer um álbum interessante do início ao fim mas, no fim do dia, não é uma exceção. A sensação é que existe um questionamento de como amadurecer e evoluir a sonoridade do SNSD (Que já era um grupo de mais de 5 anos de existência, super veteranas no contexto do K-pop), mas ninguém envolvido no álbum sabia como responder, colocaram qualquer coisa para preencher a tracklist e rezaram para dar certo. A primeira metade do álbum é uma zona com faixas que parecem atirar em todo canto (E boa parte delas sendo de meia boca a ruim), a title track promete uma explosão eletrônica caótica e colorida para o álbum e aí temos descarte de 2008, eletropop ruim, baladinha no piano e músicas que não empolgam. Uma tracklist feita de qualquer jeito que, somada a uma 2ª metade muito pretensiosa e sem muita direção, resulta em mais um álbum inconsistente na carreira do SNSD.

O que me incomoda no I GOT A BOY é que o SNSD tinha um problema da SM não querer largar o osso e mostrar que elas são ótimas vocalistas em sonoridades que não precisam exatamente disso para serem divertidas. “Express 999”, por exemplo, tinha tudo para o SNSD servir como as 9 Diana Ross de Seul em uma faixa disco brilhante e envolvente, mas aí elas metem um refrão super pop girly que não tem nada a ver apenas para as monas subirem o tom da música e eu fiquei pensando “… Hã?”. Tipo, custava segurar o disco e a interpretação retrô mais suave e provocante? Algumas tentativas de pop mais adorável e “musical da Broadway” como “Romantic St” e “Baby Maybe” também soam super deslocadas e avulsas no meio do álbum (teoricamente) mais agressivo do SNSD, mas isso tem que existir pois é com músicas assim que o SONE de 2013 poderia pisar no Blackjack de 2013 com um ao vivo impecável.

Apesar desse vício em mostrar que o SNSD é um grande grupo vocal em um álbum essencialmente dance, o que dá uma elevada no nível do I GOT A BOY são, justamente, as baladas e faixas mais lentas que servem alguns dos melhores trabalhos vocais do grupo. “Promise” e “Lost In Love” são baladas que ganham brilho e emoção nas vozes do SNSD, e são genuinamente bonitas de se escutar em um dia que você está mais sentimental e sensível. As faixas mais eletropop do álbum, entretanto, servem mais intenção do que execução e passeiam entre versões baratas do que elas fizeram no Japão e desastres eletrônicos, com a faixa título sendo a maior bomba delas.

“I GOT A BOY” ainda não é o primeiro álbum bom da carreira do SNSD na Coreia, mas é um primeiro passo (extremamente confuso) para elas conseguirem isso. Algumas faixas brilham por conta própria e o álbum como um todo é mais comentável e vai além do single (Pelo bem e pelo mal), mas a confusão de sonoridades que o álbum possui e a falta de liberdade da SM em fazer o SNSD se jogar e se divertir na farofada dão uma afundada no conjunto. Os álbuns e farofas delas no Japão dão certo e são bem legais pois ninguém na Universal Japan se importava se a vocal line do grupo era composta das maiores vocalistas idol vivas e isso poderia seguir nesse álbum coreano, mas a SM ainda não estava pronta para não levar o SNSD tão a sério assim.

Faixa a Faixa

O álbum começa com a faixa título “I GOT A BOY”, que é trágica. Seria chamada de versão EDM do Mixx-pop se fosse lançada nessa década, mas com uma execução que faz ainda menos sentido com esse monte de blocos de farofas empilhados sem qualquer estrutura, de um jeito que nem as viradas que a música dá apenas pelo fator surpresa são empolgantes. Uma música que nasce morta, e fica pior conforme o tempo passa. Depois o álbum já vira para um número pin up mais limpinho com “Dancing Queen”, a prima desinteressante de “Mercy” da Duffy. Eu gosto de ouvir “Dancing Queen” porque o instrumental é uma delícia em qualquer formato e essa coisa idol retrô na versão do SNSD é uma gracinha, mas nada na música me cativa tanto assim. Há males que vem para o bem: A versão da Duffy é um dos grandes clássicos do pop britânico até hoje, e engavetar “Dancing Queen” em 2008 permitiu com que o SNSD fizesse história com “Gee” no ano seguinte.

“Baby Maybe” é um popzinho adorável e bem vocal para os fãs do SNSD se emocionarem no bloco de baladas de algum show, mas super safe para elas e um filler tirado de qualquer álbum de 2009/2010 do grupo. “Talk Talk” já deixa esse lado mais sentimental e adorável de lado e é o primeiro exemplo da influência da discografia japonesa delas nesse álbum, sendo um farofão eletropop genérico que poderia facilmente ser lançado em algum álbum japonês do SNSD (Tanto que foi mesmo lançado, e “Boomerang” soa um pouquinho mais polida e com um refrão mais catchy em comparação). Aí “Promise” volta a ser uma baladinha e, a essa altura, eu já desisti de saber o que raios o SNSD queria fazer com esse álbum. Pelo menos essa música é o primeiro destaque positivo do álbum, uma midtempo R&B muito bonita e servindo vocais emocionantes de uma legítima fan song. Existe uma melancolia nos versos com elas cantando que só querem ser garotas comuns fora dos holofotes, mas se transforma em conforto com a realização de estarem felizes por terem o SONE ao lado delas.

“Express 999” é o que eu já reclamei antes: Tinha tudo para ser um número disco sensual e ousado na vida do SNSD, mas o refrão transforma a música em um popzão adolescente que me deixou genuinamente estressado. O refrão por conta própria não é ruim e acho que daria certo em um single de verão, mas aqui? Me senti roubado de um refrão que elevasse a experiência disco dos versos. De qualquer forma, “Express 999” brilha por ser uma bagunça mais coesa e gostosa de ouvir do que “I GOT A BOY”. “Lost In Love” volta para o baladão (Sério, quem construiu essa tracklist?) e é outro destaque vocal do álbum, daqueles que tira lágrimas dos fãs em um ao vivo. Um dueto entre Taeyeon e Tiffany tinha tudo para ser uma das coisas mais desnecessariamente gritadas do K-pop mas, quem diria, uma não quis engolir a outra no vocal e ambas servem um dueto imponente, que dá outro nível para essa baladinha.

“Look At Me” é a faixa mais audaciosa do “I GOT A BOY” por praticamente colocar o SNSD para lançar uma farofa de alguma diva b-list do K-pop dos anos 2000 (Ou alguma track perdida do álbum americano da BoA), mas o SNSD não é um grupo rampeiro o suficiente para transformar essa produção em algo sexy e provocante. Eu consigo facilmente ver uma IVY ou Chae Yeon da vida transformando “Look At Me” em hino pop dos anos 2000, mas falta um pouco de maldade (E um refrão melhor) para funcionar com o SNSD. “XYZ” é mais um eletropop que surgiu diretamente dos álbuns japoneses do SNSD, mas muito mais legal pela produção ter algum toque futurista que combina muito bem com o que o grupo fez no icônico 1st Japan Album. A melhor tentativa de farofa do álbum, e tranquilamente uma das melhores album tracks coreanas do grupo. Fechando o “I GOT A BOY” temos um popzinho anos 60 em “Romantic St.” porque… Bem, por que não, né? Esse álbum já é uma bagunça e não parece chegar a lugar nenhum, um popzinho retrô para coroar essa salada com bolacha e ovo em forma de álbum.

Concluindo…

“I GOT A BOY” é um álbum instável, abaixo do que o talento do SNSD pode oferecer, com uma tracklist que se segura aos trancos e barrancos e muita faixa questionável, mas com boas intenções. Consigo ver nesse álbum um SNSD disposto a experimentar e se divertir em busca da evolução de seu som como girlgroup de K-pop e não deveria ser tão difícil para elas replicar o que estavam lançando no Japão, mas a SM não fazia a menor ideia de como fazer isso e manter a tal essência do grupo.


Esse post foi bancado com um pix super gostoso para fazer esse review de outro álbum bem mais ou menos da carreira do SNSD. Se você quiser bancar esse tipo de post ou simplesmente quer me ajudar a manter o nome limpo no Serasa, você pode mandar um glorioso pix para a chave: dougielogic@gmail.com. O blog também está nas redes sociais para você seguir, temos InstagramBluesky e Twitter também.

29 comentários sobre “ALBUM REVIEW: SNSD (Girls’ Generation) – I GOT A BOY

  1. Me abraça que tive a mesma sensação ouvindo esse álbum, parece um prato com feijão, ovo, farofa e bolacha.
    Pra mim só salvo XYZ porque como disse, lembra o que elas lançaram no Japão e a discografia japonesa delas é melhor.
    E não, não vão fazer acontecer I Got boy porque quanto mais o tempo passa, pior ela fica.

    • Fun fact: Talk Talk também era descarte da época de 2008/2009 do grupo, aparentemente foi uma das cogitadas antes de Gee, durante uns anos ela ficou apenas como demo vazada, sob o nome Boomerang, até lançarem oficialmente como Talk Talk no IGAB (e a versão japonesa mantendo o nome original de Boomerang)

  2. Pior que Express 999 pra mim tem a mesma vibe de O.O do Nmixx, de serem duas músicas muito boas que foram costuradas num negócio só e acabou ficando mediano, mas ainda acho gostosinha de ouvir.

  3. Não entendi a deliciosa Express 999 sendo jogada pra merda?? Por muito menos derrubaram a Dilma. Queremos retratação!

  4. Até hoje nunca entendi essa capa azul desse álbum. Eu olhava isso e parecia a Turma da Monica Jovem.
    Mesmo eu adorando SNSD acho esse álbum bem capenga. I Got a Boy bomba e o resto tudo filler, só pra encher o álbum mesmo. No máximo Express 99 se destaca, mas nada que mudou vidas.

      • Super vejo potencial na produção dos versos como um número disco mais lento e oitentista, algo na vibe de “No Sympathy” da Son Dambi que é mais sussurrado, vibin’ e que encaixaria uma performance mais sensual (Mas o refrão vai por outro caminho e me perde)

    • Exato!!! Como que a rainha Tae deixou essa pataquadada de capa ser lançada??

  5. Divo, com todo respeito, mas vc pesou a mão nesse 59 aí, né? Vamos com calma! Até as faixas mais lentas têm seu charme… Sem falar que elas entregaram conceito, cor, confusão e coesão tudo junto! E vamos combinar: Talk Talk e Express 999 são duas xerecudas

  6. 59/100? Que nota aleatória rs Qual foi o critério ao não arredondar para 60? Amo Express 999, uma b-side ótima que poderia ter sido title ao invés da faixa-titulo.

  7. a produção do snsd só trabalhou mesmo a partir de lion heart os anos anteriores do grupo eram pra divulgar a taeyeon como vocalista do kpop

    discografia do snsd so serve meio gato pingado produzido pelo japao

    • i got a boy é ruim mas sinto mais vergonha de the boys e run devil run que tt podres demo ocidental de centavos

      • lembro quando eu estava descobrindo o snsd em 2021 e tentei escutar esse álbum para me integrar mais no universo do grupo mas simplesmente nao da, musicas muito datadas, tentei escutar outros mas aceitei que o snsd e grupo de title e é isso.

    • Uma coisa que sempre me deixa encucada: já vi ele mencionando Paparazzi num dos posts, mas duvido que isso fizesse ele dar uma nota muito melhor pro álbum

      • Mas não tem como odiar a discografia do snsd no Japão, se ele não gosta minha teoria dele ter uma birra com a SM se confirma.

      • Cada um odeia o que quiser. Ninguém é obrigado a gostar de alguma coisa só porque você gosta. Além disso você tem birra com uma porrada de artistas e empresas e quer ter moral pra falar dos outros? Vai dormir, minha filha!

  8. Concordo que o ponto alto desse álbum são as músicas mais lentas, especialmente a baladona Lost In Love que emociona demais ♥️. Como um todo, o IGAB segue a tendência da geração delas em lançar álbuns com sonoridades diversas, por isso pode parecer um compilado de músicas distintas. Acho que a ideia de trabalhos mais “coesos” surgiu pra valer no K-pop com a ascensão da terceira geração.

    Dito isso, acho que o debut album coreano segue uma linha bastante coesa em termos de sonoridade, mas, muitas vezes, passa despercebido pelo público geral.

    Obs: Baby Maybe é outra faixa oriunda do pop britânico (demo da Pixie Lott que caiu nas mãos da SM). 🤭

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