ALBUM REVIEW: ifeye – Sweet Tang

Depois de 4 dias sumido para restaurar um pouco as energias e me desligar um pouco dessa ânsia de produzir conteúdo a rodo (35 dias postando direto, dá um descanso para a blogueira aqui), estou de volta ao blog com mais reviews patrocinadas pelos piquisses dos leitores do blog (isso aí galera, sigam me dando dinheiro para detonar sua favorita). O review da vez é de “Sweet Tang”, 2º mini álbum do girlgroup novato ifeye. Será que ele é bom o suficiente para me fazer ouvir o 1º mini álbum delas? Vamos descobrir agora:

Artista: ifeye
Álbum: Sweet Tang
Lançamento: 16/07/2025
Gravadora: HI-HAT Entertainment
Nota: 70/100

Uma coisa que o K-pop atual tornou tendência são os “álbuns versáteis”. 90% dos álbuns de K-pop que eu ouvi nos últimos anos tem uma proposta semelhante de mostrar diferentes lados de um grupo/artista na Coreia de uma forma super instantânea e sem, necessariamente, ter um fio condutor amarrando a coisa toda. Se um álbum tem 6 músicas, por exemplo, elas terão 6 estilos musicais diferentes e sem qualquer ligação, meio que atirando para todo lado e rezando para o single ou alguma b-track dar certo no TikTok. E desses 6, uns 4 serão iguais em TODOS os álbuns que os grupos coreanos lançam, deixando os álbuns não só com a proposta, mas também com execução bem semelhante.

“sweet tang” é mais um desses álbuns que não necessariamente são ruins (Na verdade esse EP está longe de ser ruim), mas que não parecem um projeto fechado e mais se empenha em mostrar as várias facetas do ifeye. Temos música inspirada em funk, pop/rock, alguma variação de garage house, dnb, pop dance, hip hop e uma midtempo vocal… Tudo isso em 6 faixas e 1 interlude. E são sonoridades que, em sua maioria, você acha em qualquer álbum de K-pop atualmente. Acho que isso faz mais sentido em um girlgroup como ifeye, que ainda está se descobrindo e vendo o que funciona em seu segundo EP, do que um girlgroup que está há 10 anos no mercado fazendo um álbum tão disperso, mas ainda é uma seleção de faixas que quase todo girlgroup sem uma identidade sonora definida faz hoje em dia.

Dito isso, elas foram felizes na escolha de demos para esse comeback. Especialmente na escolha do single, pois “r u ok?” soa manjada dentro desse espectro de músicas girl crush até perceber os detalhes e elementos que se conseguem tirar a música do óbvio, além de pontos chave como o refrão mais sintetizado e os versos em espanhol que deixam a música esquisita de um jeito bom. Quando ouvi pela primeira vez eu achei meio questionável com partes ruins e partes boas mas, hoje, acho bem divertida. O resto do álbum segue a linha de fazer bem o que todo mundo já fez, com músicas que poderiam ser maiores (Não vou reclamar de duração curta nessa review para não parecer redundante e, novamente, fazer sentido com um grupo que foi criado na era das músicas de 2 minutos) mas com produções e vocais bem legais na maior parte do tempo. “sweet tang” não parece ter uma história para contar e soa como mais uma playlist variada que vendem como álbum de K-pop mas, pelo menos, as músicas são boas.

Acho que todas as críticas que poderia fazer em cima desse mini álbum são críticas que se encaixam no K-pop como um todo: Uma tracklist sem coesão, uma tentativa óbvia de mostrar versatilidade enquanto, ao mesmo tempo, só está fazendo o que todo mundo já fez e ainda fará muito esse ano, músicas curtas que não dão tempo de você curtir a experiência apropriadamente e a sensação de que você não ouviu um álbum. É o que a indústria e o público de K-pop demanda hoje e isso realmente não cola comigo. Mas, apesar dos poréns, tem muita música legal nesse EP e penso que elas tiveram mais acertos do que erros, o que é positivo no final do dia. “Sweet tang” não é emblemático ou memorável a ponto de virar fã do ifeye, mas dá para levar fé de que elas podem lançar um álbum grandioso se os produtores por trás do grupo quiserem (E o orçamento de grupo nugu permitir).

Faixa a faixa

“Loverboy” é o ifeye sendo mais um grupo explorando o funk brasileiro para criar uma faixa pop na Coreia, mas não parece forçar a barra com o phonk ou soa como uma paródia esquisita do que é feito no funk por aqui. O funk aqui é mais uma referência de destaque na hora de fazer um batidão dançante, BEM polido e limpo mas que casa bem com os elementos mais pop da faixa. Se a Anitta da fase Bang! ainda existisse, ela provavelmente lançaria uma música assim em algum momento. “friend like me” já é o pop/rock 101 mais adolescente e adorável de girlgroup está vingando na Coreia, que é fofinho mas não cola muito na minha playlist não. O grande mérito de “friend like me” está mais em me lembrar em algo que a Yena faria solo ao invés do QWER, como é o objetivo de todos os esses pop/rock lançados por girlgroups coreanos.

“round and round” é uma reinterpretação (bem livre) da versão coreana da música da roda do ônibus que roda e roda, explorando a nova mania da garotada: Batidão garage house noventista (Ou Detroit Tech House, como a música é encaixada). O refrão é meio err (Especialmente quando elas sobem o tom na segunda metade do refrão), mas a produção está uma gracinha e conversa bem com a criança viada que ainda acredita que o NewJeans pode ressusrgir no pop. Aí temos “ifeye”, interlude meio avulsa que, segundo o release da empresa, “mostra claramente a orientação musical do grupo”… O que um pop suave e melódico com toques dnb tem a ver com o farofão mais selvagem de “r u ok?”? Eu não faço a menor ideia.

A graça de “r u ok?” está em te pegar desprevenido conforme a música passa. A intro em espanhol bate de um jeito, aí os versos mais batidão com esse “arranhando” protagonizando o instrumental nessa parte muda o humor da música, e aí vem o refrão mais pop/dance que é um arraso. Acho que dava para a música ser mais barulhenta e caótica para chamar mais a atenção (Especialmente os versos que soam bem “vazios” para mim), mas tem um fogo em fazer uma boa e velha farofa pop/dance que eu aprecio mais do que as coisas que eu posso criticar. Nada mal para um girlgroup nugu.

“say moo!” é o ifeye mostrando seu lado mais brincalhão transformando o som que a vaca faz em gancho para uma música que mistura ukulelê com hip hop. A coisa toda é meio infantil e boba demais para uma velha de guerra como eu, mas essa é obviamente uma música para não se levar tão a sério assim (Talvez colasse mais comigo se seguisse o nome do álbum e fizesse uma música estúpida sobre beber suco TANG, mas acho que essa piada só funcionaria se elas falassem português). Cumpre o que promete, embora deixe o álbum ainda menos coeso. Fechando o EP temos “echo” fecha o álbum sendo uma midtempo mais vocal e industrial com um tom mais épico e futurista, onde tem momentos que soa como trilha sonora para alguma aventura em Kwangya e momentos que os produtores jogam tudo para o alto e fazem um popzinho básico para fechar o álbum. É confuso, não tão envolvente quanto eles queriam e certamente é a faixa mais esquecível do EP, mas não dá para sustentar todos os gêneros musicais do mundo né? O saldo do faixa a faixa é bem positivo.

Concluindo…

“sweet tang” é uma playlist sólida, variada e que mostra o potencial do ifeye para entregar um grande álbum no futuro, mas isso só será realidade quando as gravadoras perceberem que montar um EP de 6 faixas com 15 sonoridades diferentes não é essa genialidade e versatilidade toda que elas acham.