Esse fim de semana eu recebi um pix para falar sobre o “REBOOT”, 3º álbum de estúdio do Wonder Girls que recentemente completou 10 anos de lançamento. Eu já sabia que escreveria esse post com muito ânimo por ser um dos meus álbuns favoritos da vida, mas já tinha um tempo que não parava para ouvir do início ao fim com mais atenção. Então vocês não sabem o como eu TRANSCENDI ouvindo o “REBOOT” hoje, e espero explicar bem todo o sentimento que tive revivendo o álbum nessa review.

Artista: Wonder Girls
Álbum: REBOOT
Lançamento: 03/08/2015
Gravadora: JYP Entertainment
Nota: 100/100
O “REBOOT” surgiu em uma situação bem peculiar para um girlgroup de K-pop. Em 2015 o Wonder Girls convivia com diversos — E bem sólidos — rumores de disband depois que Sohee e Sunye saíram do grupo, o grupo já estava há 3 anos em hiato (Uma eternidade para o K-pop) e a JYP estava aquecendo os motores para dar início aos trabalhos do que viria ser o Sixteen/TWICE. Todo mundo já estava conformado com a morte do Wonder Girls MENOS o JYP, que levou para o pessoal e refutava todo rumor de fim do Wonder Girls que surgiu durante a pausa do grupo. Até que, no verão de 2015, o véio calou a boca de todo mundo anunciando não só o comeback do Wonder Girls, como o retorno da Sunmi ao grupo e a repaginada do girlgroup que, agora, seria uma girlband. Ninguém tinha muita certeza do que estava por vir mas a expectativa estava bem alta para esse retorno, e em agosto de 2015 tivemos o lançamento do emblemático “REBOOT”.
“REBOOT” é aquele álbum que você ouve e pensa que somente alguém na JYP seria capaz de lançar. O velho é comprometido com referências e conceitos retrô das décadas de 70/80 e o Wonder Girls era o grupo que dava mais possibilidade para ele experimentar esses revivals, então é um álbum que, no mainstream do pop coreano, só poderia existir com elas. Musicalmente o “REBOOT” é comprometido com o synthpop oitentista, algo que qualquer gay de fórum entusiasta de música pop estava em êxtase de ouvir por conta do aclamadíssimo EMOTION da Carly Rae Jepsen, que foi lançado semanas antes do “REBOOT” e que é considerado um dos melhores álbuns pop da década passada. O “REBOOT” tem uma direção diferente e mais dançante em comparação, mas as referências de grandes ícones do pop dos anos 80 como Madonna, Michael Jackson e Cyndi Lauper (Entre outros) é a mesma.
O grande ponto do REBOOT é que esse é um álbum que você QUER ouvir do início ao fim. O primeiro play desenvolvendo um romance fadado ao fim e a reconstrução da mulher diante de um relacionamento falido é especial e muito bem contado nas produções, letras e performance do grupo no álbum, e cada música traz uma camada nova a esse enredo. Você fica animado, triste, excitado e emocionado com esse trabalho, pois o conjunto da obra permite que você sinta tudo isso. TODAS as músicas são icônicas individualmente e tem algo para acrescentar no conjunto da obra, as diferentes formas de fazer um synthpop oitentista mostrando versatilidade e conhecimento da época… É tudo muito rico, refinado, polido e viciante. A minha vida nunca mais foi a mesma depois do primeiro play dado nesse álbum, e a minha vontade é de poder deletar isso da minha memória para ouvir e ter os mesmos orgasmos sonoros como se fosse a primeira vez.
O REBOOT é um daqueles álbuns que muda totalmente a forma como você consome música pop e merecia o devido sucesso para definir toda uma era na música pop, e é realmente uma pena que esse comeback não foi o fenômeno que deveria ser. Não ironicamente o REBOOT foi o álbum que me despertou o interesse em ouvir música pop dos anos 80 e acho que não fui o único. Foi uma jogada muito audaciosa promover um álbum oitentista dentro de uma indústria que sempre preza pela jovialidade (Embora possua um nicho de entusiastas retrô criado pelo próprio Wonder Girls), e o resultado é um dos álbuns mais conceitualmente icônicos e musicalmente impressionantes já feitos no K-pop. Um álbum atemporal.
Faixa a Faixa
O “REBOOT” (E a viagem oitentista) já começa com “Baby Don’t Play”, uma música pop cadenciada e com uma intensidade mais sexy que se estende pelos vocais do grupo numa música onde o grupo quer viver um amor intenso e implora para o cara não brincar com os sentimentos dela. A música em si é uma ótima abertura, mas fica mágico quando o violino entra dando esse tom mais dramático e marcante. “Candle” transforma essa necessidade de amor em tesão com uma música que quer loucamente que você acenda as velas delas. Mesmo com as duas músicas (E boa parte do álbum) apostando em vocais mais sussurrados, a mudança na personalidade na interpretação e na produção é visível, mais excitante e “direto ao ponto”. E quando elas conseguem isso, temos uma música inteira falando como é gostoso demais sentir VOCÊ nelas com “I Feel You”, uma das músicas sobre sexo mais criativas do K-pop. Esse trio de músicas contando uma história e colorindo isso com produções únicas dentro do synthpop oitentista, que tem personalidade individualmente e criam um conjunto estonteante. Eu termino “I Feel You” tendo a certeza de que não estou ouvindo qualquer álbum.
A experiência sexual era apenas uma viagem de uma noite, e o Wonder Girls quer reviver esse momento em “Rewind”. A música ganha um toque mais triste e melancólico, a solidão ganha força no instrumental e o medo de não ter mais aquela noite incrível ganha força, resgatando aquela sensação de necessidade de ter um grande amor que a gente ouve em “Baby Don’t Play”, mas com uma certa conformidade de que você apenas escolheu se iludir. Depois de chegar no fundo do poço, é hora de juntar os cacos e se reerguer com “Loved”, uma música mais ágil onde o eu lírico aprende com os erros e mentiras do amante e do relacionamento falido e cria forças para seguir em frente. “Loved” é a música mais sexy do álbum em termos de produção, pois tem essa potência de mulher que se reergue das cinzas e se prepara fazer um grande retorno para o mundo que eu acho fascinante e envolvente (Você vai entender o que quero dizer quando ouvir a guitarra protagonizando o final da música e sendo o chef’s kiss de “Loved”).
Os papeis se invertem em “John Doe”, onde o Wonder Girls faz você correr atrás delas. Agora o eu lírico está mais confiante e afim de diversão, e cabe ao John Doe convencer que ele é a diversão que elas querem. “John Doe” tem uma energia muito mais descontraída que as outras faixas do álbum, que carregam uma tensão mais séria e comprometida, e deixa claro que o Wonder Girls quer uma satisfação momentânea ao invés de algo mais duradouro, mas quer te fazer sentir que a noite será eterna em “One Black Night”. Seja safado, ousado e selvagem, fazendo essa noite ser tão gostosa e memorável quanto essa música. E aí temos “BACK”, que é um dueto da Lim e Yubin que deixa um pouco de lado o enredo do álbum de lado para soltar uns raps em cima de um hip hop oitentista sobre como elas ainda são as mais gostosas da Coreia. Apesar da música ser mais um lembrete de que o Wonder Girls está de volta e mais fodonas do que nunca, a letra ainda é algo que dá para encaixar no álbum como o momento em que o eu lírico ainda está com tudo e voltou a ser um assunto quente depois do fim do relacionamento, e “OPPA” mostra que o grupo quer se divertir e aproveitar a noite jovem sem nenhum oppa atrasando elas. Se antes elas se desesperavam por um amor que estava prestes a acabar, agora elas só querem se divertir sem qualquer compromisso — E você que lide com isso.
O final do álbum dá aquela desacelerada para resgatar os sons mais lentos e elegantes dos anos 80. “Faded Love” é praticamente uma reinterpretação mais contemporânea das baladas da rádio Antena 1, em uma letra madura falando sobre a solidão da mulher empoderada e como os dias ficam mais frios quando você está sozinha, buscando uma forma de resgatar um relacionamento falido. “Gone” é ainda mais lenta e passional falando sobre a oficial virar amante e como isso machuca o eu lírico, que fica sozinho quando a noite de amor acaba pois você não é (e nunca será) a prioridade daquele homem, e o álbum fecha com as memórias distantes de dias felizes em “Remember”, um baladão digno de grandes clássicos do Roxette. Na minha época mais novinha e pop bitch eu tinha uma certa resistência com essa parte final do álbum, mas hoje sou uma mulher vivida que sabe apreciar um baladão com substância de girlgroup pop, e essa trinca final é a sofrência oitentista refinada e adorável, perfeita para tomar aquela taça de vinho e encarar mais uma noite chegando junto com a solidão.
Concluindo…
“REBOOT” é um álbum que você ouve e pensa como a situação do K-pop está lamentável em 2025. Um álbum que você deveria jogar na cara daquele colega que fala que a Coreia nunca lançou música boa. Um álbum que muda sua vida e a forma de enxergar música pop do início ao fim. Os deuses da música estavam no estúdio da JYP nos dias que o “REBOOT” foi criado, e o resultado é um dos melhores álbuns da música pop de todos os tempos.
Esse post foi bancado por um gostoso pix para falar de um dos melhores álbuns da música pop. Se você quiser fazer que nem nesse post e me ajudar a pagar as contas em troca de algum post safadíssimo sobre asian pop, ou só quer agradecer o tempo que dedico trazendo entretenimento para a fanbase, pode mandar um PIX com o valor que seu coração achar que eu mereço para a chave: dougielogic@gmail.com.
Melhor álbum de kpop para mim.
Um dos álbuns de kpop que ouço completo na minha rotina mesmo depois de 10 anos de lançamento.
Faz falta demais um gg amadurecido apostando em conceito de senhoras bucetonicas.. as ultimas da jyp com autencidade (nmixx ainda tem potencial)
É impressionante como o REBOOT se mantém grandioso mesmo uma década depois. A sagacidade e a mente brilhante das meninas em produzirem e escreverem praticamente todo o álbum (com exceção da title “I Feel You”) mostra não só a maturidade artística do Wonder Girls, mas também a ousadia em cravar sua identidade em uma indústria que, à época, raramente concedia tanta autonomia às idols.
A tendência natural é que o REBOOT entre, cada vez mais, no hall dos discos indispensáveis na vida de qualquer fã de música pop coreana, não só pela qualidade musical, mas pelo peso histórico e cultural que carrega.
Infelizmente o Wonder World, que também amo de paixão, não envelheceu da mesma forma, porque acho que a sonoridade e produção ficou mais batida/datada, mas eu vou fazer o Pix pra ter o momento do hinário também, porque ele também é indispensável e tem bsides deliciosas que facilmente hitariam hoje em dia.
Amo lembrar que na época dos teasers eles foram lançando uma a uma tocando os seus instrumentos e as divulgações mostravam que elas estavam diretamente ligadas à produção do álbum.
Sem contar os programas em que elas tocaram de verdade e até versões das músicas antigas.
Artistas completas!
Wonder World envelheceu mal com algumas músicas, mas ainda serve muitas coisas maravilhosas!
Sou uma das pessoas que chegou no REBOOT por causa do TikTok e esse álbum é surpreendente. Ninguém até hoje conseguiu fazer como elas fizeram aí, cada uma com 57kg de xereca e ainda lançaram depois uma das melhores músicas do kpop é que é Why so Lonely. Lendárias, míticas, avassaladoras, Wonder Girls vocês sempre serão lembradas. Yubin te amoooooo
Este, pra mim, é um dos melhores álbuns do Kpop.
Tem coesão, tem uma proposta interessante e as meninas foram bem exploradas em casa música.
Não fica aquela sensação de você ouvir a música principal, que é boa, e as outras serem aqueles fillers só pra encher álbum.
Todas tem sua personalidade e demonstram que poderiam ser singles.
Ponto para essas meninas que já estavam caminhando para o fim, mas conseguiram lançar algo bom e que deixou os fãs satisfeitos!
Meu sonho é esse álbum ter sua justiça e ser colocado como um dos maiores da história do Kpop.
Acho que as empresas (digo empresas porque imagino que grupos não tenham essa liberdade) deveriam investir mais em albuns com sonoridade parecida ao invés de ficar atirando para todos os lados pra mostrar que seus grupos podem fazer de tudo.
AFF, Baby Dont Play é boa demais!!!!
Nada tira da minha cabeça que esse é o melhor álbum já lançado na Coreia do Sul e acho que as pessoas deviam falar mais sobre ele. As músicas são tão boas tanto em conjunto quanto individualmente que cada ouvinte sai do Spotify com uma favorita diferente, é impossível não gostar de pelo menos uma/(no meu caso, acho Gone a coisa mais chique da discografia do Wonder Girls, as linhas da Lim são um orgasmo sonoro)
A minha é “John Doe”.
Dougie, você confundiu Candle com Rewind quando foi falar dela no faixa a faixa. Estranhei porque estava ouvindo o álbum enquanto lia o post kkkk
Arrumei kkkk obrigado por avisar
Dougie, você também confundiu o ano de lançamento, está 2025 ao invés de 2015.
Elas foram MUITO artistas nesse álbum! É revoltante que o público na Coreia do Sul tenha tratado essa era das Wonder Girls com descaso.