Alerta de mais um pix de girlgroup novato na área: AtHeart lançou o seu 1º mini álbum “Plot Twist”, e um dos leitores do blog mandou deliciosos dinheiros para eu fazer um post comentando sobre esse EP e ajudando na divulgação de mais uma promessa de girlgroup global no K-pop. Será que tem futuro ou já morreram como girlgroup nugu logo na estreia? Vamos descobrir isso agora:

Artista: AtHeart
Álbum: Plot Twist
Lançamento: 13/08/2025
Gravadora: Titan Content Co.
Nota: 79/100
A base do “Plot Twist” traz um enredo que a gente já conhece: EP que explora a versatilidade do AtHeart em múltiplas sonoridades, sem uma ideia mais específica, com músicas bem distintas umas das outras e diversos produtores que já trabalharam com artistas de renome nos Estados Unidos como DEMI LOVATO, CAMILA CABELLO e SHAWN MENDES. Não sou muito de prestar atenção nos créditos de produção, mas consegui contar DEZOITO compositores diferentes sem qualquer repetição nesse EP de 12 minutos, mostrando que a Titan foi caçando demo em tudo quanto é beco da música pop. Temos EDM, R&B, synthpop, hyperpop e ritmos africanos em 5 faixas, e o “Plot Twist” acaba sendo mais uma playlist em forma de álbum no K-pop. Uma coisa já manjada e que está LONGE de mudar na música pop.
PORÉM, uma coisa dá muito certo e precisa ser pontuada como algo que se destaca do EP médio coreano em 2025: Por mais diferentes que as músicas sejam, existe uma atmosfera mais suave e delicada em comum que conecta as faixas e fazem elas funcionarem dentro da tracklist. Achei o “Plot Twist” bem redondinho nesse sentido e as faixas não parecem brigar para ser um destaque no seu ouvido. Temos a faixa principal que cumpre o papel de faixa que você tem que prestar atenção (Mesmo não sendo a melhor do álbum) e temos as faixas que desenvolvem o conceito do single para criar um projeto harmônico. Cada música desperta emoções diferentes ao ouvir, mas é menos caótico e, nesse caso, é melhor do que 5 ou 6 faixas selecionadas ao vento enquanto contam com a sorte de uma delas viralizar no TikTok.
Uma das provas de que o AtHeart pensou muito nesse EP funcionar como um álbum é que conjunto de “Plot Twist” é mais legal que o faixa a faixa. Eu voltei para casa ouvindo esse mini e achei ele uma delícia do início ao fim, tem vários estilos mas uma coesão, uma linha mais tranquila que conecta tudo muito bem (Com exceção da última faixa, muito mais animada e colorida que as outras músicas), mas as fraquezas são mais perceptíveis quando você escuta uma música de cada vez prestando mais atenção. No geral, “Plot Twist” tem músicas com muito potencial mas que parecem precisar de algo a mais para “chegar lá”. Eu nem falo de duração (Poderia por conta de 4 das 5 músicas terem menos de 3 minutos, mas só uma delas me incomodou por ser muito curta), mas dava para alguns instrumentais exagerarem e ir além para explorar toda a sonoridade. Eu compreendo as faixas serem mais contidas tanto pelo conceito do álbum não ser aquela coisa explosiva quanto por ser um girlgroup novo no K-pop — onde polimento é tudo —, mas as músicas seriam muito mais memoráveis se deixassem liberar geral.
No final, a sensação que o “Plot Twist” me dá é de que o AtHeart é mais um girlgroup com muito potencial no K-pop, mas com gente que sabe o que está fazendo por trás do grupo. Tem muito grupo novo que mostra ter talento bruto mas falta um time para lapidar a coisa toda e fazer o grupo ser memorável. Já a empresa do AtHeart tem alguns ex-figurões da SM Entertainment na administração/fundação (Explicando a participação da Sooyoung na divulgação desse debut), uma empresa que costuma(va) entregar grandes e aclamados álbuns na música pop em outros tempos, e acho que eles tem uma visão bem definida do que o AtHeart pode fazer para se destacar e ser, futuramente, um girlgroup essencial na vida do kpopper médio, se refletindo em um mini álbum que consegue ter seu brilho no meio da manada de lançamentos pop coreanos. Por mais que o “Plot Twist” embarque em diferentes modinhas do K-pop e do pop atual, o AtHeart ainda tentou fazer isso tudo fazer sentido para criar uma experiência etérea, misteriosa e agradavelmente confusa, e temos que dar crédito pelo álbum parecer um álbum.
Faixa a Faixa
O álbum começa com a faixa título “Plot Twist” que eu achei bem “diferente” do debut habitual de girlgroup de K-pop. Uma mistura de Pop e EDM que busca causar diversas “reviravoltas” ao longos dos 2 minutos e meio de canção, mas sem significar mudanças drásticas de sonoridade ou mixes de 3 gêneros musicais em uma música. Em partes eu acho que “Plot Twist” tenta fazer algo parecido com o que a Chungha fez em “Killing Me”, mas com uma produção mais conceitual e vocais mais processados. É interessante e eu curti, mas me incomoda a música ser “silenciosa demais”, como se faltasse alguma coisa dando vida para a música como um todo. Acho que a música ganharia outro nível se os sintetizadores fossem um pouco mais intensos (Especialmente no refrão), mas vale pela intenção de fazer algo diferente da manada.
“Push Back” é uma música do gênero amapiano, que é mais um estilo musical africano que o K-pop usa para mostrar que eles acreditam muito que a Tyla é o futuro da música pop. A produção é bem legal e diria que é uma das melhores que o K-pop já fez na tentativa de replicar a magia do afrobeats, e o AtHeart se beneficia de uma performance mais sofisticada, que não deixa a música morna. Um dos problemas dos afrobeats e derivados no K-pop é que boa parte deles tira todo o calor e provocação que uma música nesse estilo pede, e acho que o AtHeart (Na medida do possível, se tratando de um girlgroup adolescente coreano) é mais ousado, consequentemente, acima da média, fazendo dessa uma das grandes b-tracks do ano no K-pop. “Dot Dot Dot…” já é um R&Bzão de girlgroup novo clássico, com toda a inocência e delicadeza que um girlgroup de novinhas pode proporcionar cantando sobre o amor. É competente para o que se propõe, mas nada muito impressionante ou com algo que você não tenha escutado antes.
“Knew Me” é um pop moderninho e dreamy de 2 minutos e meio, e obviamente a duração dessa música foi a que mais me incomodou. Ainda mais que a música acaba de forma muito seca, como se tivesse cortado uma parte dela para encaixá-la na trend. Uma pena, porque a música é deliciosa e merecia um minuto a mais para ter o seu auge com os vocais doces subindo um tom e a aura leve e fantasiosa que o instrumental cria. Fechando o álbum temos o single pré-debut do grupo “Good Girl”, que vai por um caminho hyperpop fofinho mas não muito exagerado, e acaba sendo e não sendo um J-pop idol ao mesmo tempo. Os vocais doces e animados estão ali mas não parece muito desafiador como um hyperpop padrão e/ou carismático como um número idol J-pop, e o mesmo vale para o instrumental. A ideia está ali, mas a execução segura a onda e não parece enlouquecer como deveria. Apesar disso, eu gostei da música e achei um encerramento animado para esse EP (Embora bem deslocado da sonoridade mais pé no chão que o álbum em si criou com as outras faixas).
Concluindo…
Que a deusa da música pop proteja essas meninas e não faça o AtHeart virar o girlgroup 101 que só tenta viralizar com a modinha do momento. Visualmente e sonoramente interessante, o grupo tem tudo para criar uma sólida discografia a partir desse EP de estreia, e com sorte a fadinha do sucesso abençoa elas com um hit para alimentar o grupo por uns 5 ou 7 anos.
esse debut empolgou realmente
Me lembra um pouco aquela coisa conceitual meio estranha da época do debut do Loona ou do GWSN. Bem que o kpop poderia voltar a embarcar nessa onda.