Top Top.jpg: 10 álbuns coreanos bons demais e que vão além da title track para você ouvir do início ao fim

Essa semana eu resolvi fazer uma graça sobre a galera que fala que álbum de K-pop é ruim como algo que só alguém da 2nd gen fala (Uma autocrítica, já que eu também falo isso frequentemente) e, tal como 90% dos hot takes envolvendo K-pop na aconchegante e familiar rede twitter/X, o algoritmo resolveu levar um singelo tweet para todos os becos do kpoptwt como se fosse a coisa mais relevante que o povo fosse ler naquela sexta feira.

Eu estaria FEITO se os posts do blog chegassem em 2 mil likes no Twitter

Daí, isso me deu uma ideia: Fazer uma lista de 10 álbuns que vão além da title track. Primeiro porque vocês gostam de recomendações e meio que acessam esse blog para isso (E xingar comeback ruim), e depois por estar muito na vibe de ouvir álbuns completos que eu gosto muito das faixas (Ou da maioria) a ponto de ouvir do início ao fim. Então, esse Top Top.jpg trará 10 álbuns que (Acredito que) ainda não tiveram sua aclamação nesse blog, mas que merecem ser escutados pois vão muito além da title track. Sem mais delongas, vamos ao listão:

10º lugar — T-ara – Breaking Heart

O “Breaking Heart” é um relançamento do “Absolute”, mas um relançamento que parece completar esse charmoso e viciante projeto dos primórdios do Eletropop no K-pop. Muita coisa nesse estilo envelheceu horrivelmente (Não só na Coreia), mas o “Breaking Heart” segue absurdamente bom. Talvez pelo fato das produções não parecerem ser feitas por alguém que parece nunca ter tocado numa mesa de sintetizadores na vida, ou por conta do conjunto vocal do T-ara funcionar muito bem com os processadores vocais para entregar trabalhos eletrônicos marcantes e viciantes, ou talvez o combo das duas coisas, mas o álbum ainda é uma delícia. Todas as músicas desse álbum poderiam ser singles de girlgroups de K-pop da época, o que faz do “Breaking Heart” um álbum tão especial (Especialmente para quem viveu o auge da 2nd gen no K-pop).

9º lugar — GFRIEND – Walpurgis Night

Um dos maiores acertos da HYBE depois de virar esquema de pirâmide foi a contribuição para o amadurecimento da imagem e som do GFRIEND em seu último ano de atividade, culminando no “Walpurgis Night” que é um amor de álbum. Explorando diferentes sons retrô entre o material inédito e fazendo resgates interessantes dos EPs anteriores (“Labyrinth” delas é top 20 melhores K-pops da década tranquilamente), o “Walpurgis Night” é um dos trabalhos mais divertidos do GFRIEND e, pessoalmente, é o álbum mais memorável do grupo. Tem de tudo no álbum e elas sustentam com muita graça e charme, deixando a maior parte das músicas interessantes à sua maneira. É uma pena que não deram continuidade nessa ideia, pois o “Walpurgis Night” prometia ser o primeiro passo para a discografia do GFRIEND alcançar um novo nível de qualidade.

8º lugar — Davichi – Amaranth

A Core Contents Media/MBK Entertainment/Pocketdol Labels pode ser uma cretina em forma de empresa, mas eles abalavam MUITO na hora de fazer baladões vocais nos anos 2000. E o álbum de estreia do Davichi, “Amaranth” é daqueles que botam as pessoas certas para cantar as baladas certas: Kang Min Kyung e Lee Haeri são dois dos vocais mais preciosos do K-pop e a dupla tem uma química vocal que eleva até as baladas mais básicas que a Coreia pode proporcionar, e a Core Contents Media tinha o time de produção certo para criar baladas mais fora do comum que elevassem ainda mais esse potencial que as meninas possuíam como novatas em 2008. Os instrumentais são extremamente prazerosos e os vocais são absurdos de tão bons de ouvir, trazendo o romantismo e drama que um álbum ballad precisa ter.

7º lugar — Jewelry – Kitchi Island

O Jewelry é um girlgroup que não só sobreviveu ao limbo de girlgroups entre a 1ª e a 2ª geração no meio dos anos 2000, como se renovou e trouxe alguns dos melhores e mais populares trabalhos do K-pop na 2ª metade dos anos 2000. O 5º álbum do grupo, “Kitchi Island”, segue a ideia do já citado “Breaking Heart” do T-ara em trazer os sons eletrônicos mais descolados e tirados de um pacote de demos da Britney Spears e traduzir para o pop coreano, com o single “One More Time” sendo o diferencial pelo grupo entregar um sensual e envolvente número POP TROT que dominou a Coreia em 2008. Com faixas sólidas que envolvem e grudam na cabeça, “Kitchi Island” traz todos os clichês de música pop, desde as mais dançantes até as baladinhas vocais, que dominaram aquela década antes do electropop virar o fenômeno que virou, e é como uma cápsula do tempo mostrando o que era legal de ouvir naquele tempo.

6º lugar — Lee Chanhyuk – ERROR

Ainda não parei para ouvir o álbum mais recente do irmão AKMU Lee Chanhyuk com mais atenção, mas não duvido que esteja tão bom quanto o incrível “ERROR”. A forma com que ele brinca com os sintetizadores e os processadores é tão preciosa e única, e isso fica evidente tanto nas fusões mais psicodélicas de instrumentos e synths quanto nas faixas mais simples, que não tentam ir além do synthpop com o Chanhyuk cantando sobre sua vida e seus dilemas de jovem coreano. Tem momentos que o álbum é gigante e explosivo, mas tem momentos que ele é fofo, meio inocente e lúdico, e isso transmite muito bem a persona do Lee Chanhyuk como artista criativo e meio doido e como um jovem coreano que simpatiza muito com os anos 80 na música pop. É impressionante como uma mente tão genial e de gosto tão apurado para produção esteja com contrato assinado com a YG Entertainment.

5º lugar — HA:TFELT – 17/19

Ainda seguindo com os álbuns que abalaram o mundinho indie idol coreano, temos o “1719” da HA:TFELT que foi um dos álbuns coreanos que mais ouvi na pandemia. Para quem gosta de álbuns mais introspectivos e pessoais, a HA:TFELT entregou um prato cheio. A ex-Wonder Girls tirou todas as armaduras em um álbum pessoal, sincero e aberto, onde ela não tem medo da exposição e bota todas suas vulnerabilidades e necessidades que teve entre os anos de 2017 a 2019 em jogo. Um álbum que começa com uma faixa “Life Sucks” e com o verso “Pela primeira vez em 29 anos meu pai me enviou uma carta” não seria um mero álbum, e você termina o 1719 quase que íntimo da HA:TFELT. Pouca coisa na Coreia tem essa proposta de aproximar o ouvinte do artista da forma crua que a HA:TFELT proporcionou aqui, e isso é fascinante.

4º lugar — Brown Eyed Girls – Sixth Sense

Desde sempre o Brown Eyed Girls soava como o “Girlgroup para adultos” que o K-pop não necessariamente precisa ter, mas que bom que teve. Enquanto o K-pop de 2011 estava explorando o auge do eletropop e do EDM, o Brown Eyed Girls surge com “Sixth Sense” trazendo um ritmo mais adulto, elegante e imponente em cima de todo o jazz, soul e R&B. A execução do “Sixth Sense” é agressiva mas prazerosa: Ao mesmo tempo que as produções são intensas e intimidam o ouvinte com melodias mais fortes, o melhor conjunto vocal do K-pop traz os diferentes sentidos e emoções que músicas sobre mulheres fortes podem entregar, desde o poder e seriedade das faixas mais imponentes até a delicadeza e fragilidade das faixas mais vulneráveis. É, realmente, outro patamar quando falamos de Brown Eyed Girls.

3º lugar — BoA – Woman

Muito se fala sobre os álbuns do f(x) e do Red Velvet serem grandes pérolas da SM, mas pouco se fala sobre como alguns dos melhores álbuns daquele cafofo na década foram lançados pela BoA. Então, para corrigir isso, vamos dar essa moral para um dos melhores álbuns feitos pela SM (E o meu favorito da comadre na Coreia). A década passada foi importante para a BoA se descobrir como uma grande performer no R&B coreano e em como incorporar elementos mais pop/eletrônicos para criar algo com a cara da cantora, e acho que o ápice disso está no “Woman”. As faixas dançantes feitas para a BoA mostrar que é a fodona da dança estão ali, ao mesmo tempo que as músicas mais suaves e sentimentais para cantar junto com ela também batem ponto (Sem cair no clichê da baladinha). É um álbum divertido e a cantora parece ter se divertido muito criando ele.

2º lugar — Lee Hyori – Monochrome

Depois do terrível escândalo de plágio do H-Logic e mais de dois anos em hiato, a Lee Hyori decidiu voltar em 2013 com o 5º full album “Monochrome”… E que retorno, viu. A Hyori tomou frente desse álbum, desenhou todo um conceito retrô mais velho, que passeava pelo jazz, blues e outros estilos acústicos dos anos 50 e 60, modernizando e deixando eles mais glamurosos e modernos. A cantora está muito melhor vocalmente e quer que você saiba no meio de tantas músicas com banda, onde a voz dela tem que elevar a experiência e trazer essa sensação de diva do passado que está brilhando no presente, e faz isso muito bem. Hoje em dia um álbum de 16 músicas soe até demais (A duração de quase 1 hora desse álbum monta uns 3 álbuns de K-pop hoje em dia, dependendo da gravadora) mas, tirando um outro filler, todas as músicas são charmosas individualmente e ajudam esse álbum a ser icônico como conjunto. “Monochrome” é nostálgico, ao mesmo tempo que é brilhante.

1º lugar — Uhm Jung Hwa – The Cloud Dream Of The Nine

Se esse não é o álbum mais GAY que o K-pop já proporcionou, com certeza está entre os 5 mais. “The Cloud Dream Of The Nine” é o típico álbum de DIVA pop que passeia por diversas sonoridades e sentimentos que uma DIVA pode proporcionar com um álbum. Poder, drama, opulência, tristeza, diversão… Tudo isso está nesse álbum de 9 músicas com muito brilho, cor e glamour, desde os números mais retrô até os trabalhos modernos mais sintetizados/eletrônicos. É como ouvir a história e importância da Uhm Jung Hwa em um único álbum, e mostrar como ela não perdeu o tato e esse brilho de rainha do pop mesmo depois de 8 anos longe dos palcos. Tanto os singles são muito bons quanto as album tracks são incríveis, e logo no primeiro play eu penso “Meu deus, essa mulher é FODA”. Se você não conhece nada da rainha do K-pop, o “The Cloud Dream Of The Nine” é um ótimo primeiro passo.

6 comentários sobre “Top Top.jpg: 10 álbuns coreanos bons demais e que vão além da title track para você ouvir do início ao fim

  1. to emocionada que finalmente to conseguindo comentar de novo MEU DEUS enfim to muito contente com essa lista pq as listas do pessoal no twitter estavam TÃO top20 do rym que teve uma mina que botou o perfect velvet E o the perfect red velvet (?????)…. só trocaria o woman pelo kiss my lips ou até pelo better, talvez? e o pessoal falou aí em cima mas eu tbm botaria o prima donna do 9muses e, numa adição mais impopular, o revolution do kara

  2. Lista irretocável!! Tenho o The Cloud Dream Of The Nine como meu álbum favorito de kpop, inclusive. Ele não ironicamente me ajudou a atravessar uma depressão fodida em 2018… Uhm Jung Hwa, você foi uma MÃE.

  3. Prima Donna do 9muses é maravilhoso!
    Eu também adicionaria o Evolution Pop Vol1 do Crayon Pop também.
    Dress to Kill do After School conta como Kpop sendo japonês?

  4. Tenho que parar pra ouvir esse álbum do Chanhyuk em algum momento, pra um homem ser divulgado tantas vezes nesse blog é porque é bom mesmo. E fiquei surpresa de ver o Jewelry sendo mencionado, porque eu comecei a passear pela discografia delas recentemente e tenho a impressão de que, pra um grupo com o sucesso e qualidade musical que elas tinham, são meio esquecidas na praça dos grupos da 2° geração, o que talvez tenha a ver com as mil mudanças na formação que devem ter afastado fãs novos.

    E por falar em formação bagunçada, eu também adicionaria o Prima Donna do 9muses, que é super subestimado mas pra mim é 0 skips! (e o Come Come Come Baby do Baby V.O.X que, se ignorar umas duas ou três baladinhas, também é uma experiência bem legal)

  5. Adorei a lista, realmente o pessoal costuma não ligar muito para o álbum completo e sim apenas para o single, o que é uma pena, pois as b-sides às vezes são melhores que o single em si.
    Um que eu colocaria também seria o Sailing do AKMU que é um álbum muito bom, consistente e os vocais dos irmãos estão no ponto. Considero este até um álbum de conforto.

  6. Amei que você trouxe outros exemplos de álbuns bons no kpop sem ser os que o pessoal já cita sempre (Pink tape, Modern Times, Reboot, 4 Walls e Perfect Velvet são albuns muito legais, mas bora dar uma variedade, galera). Ah, e o álbum que o Lee Chanhyuk lançou esse ano também é bem bom.

Os comentários estão desativados.