Do pior ao melhor: Ranqueando os singles da carreira do 4minute

Eu estava com saudades de fazer um post ranqueando os singles de algum girlgroup morto na indústria, então fui na pesquisa do blog para ver quais grupos ainda não tinha um post especial desses. E aí eu vi que, chocantemente, não teve um post desse tipo para o 4minute. Não teve um 4nia para me mandar um pix para fazer post? O boicote em cima da Hyuna está tão forte assim? Jiyoon proibiu os fças de relembrar da carreira idol agora que ela é indie de bandinha de garagem? São muitas questões que se tornarão irrelevantes HOJE, pois vamos reviver o 4minute por um dia para ver as tranqueiras e hinos que elas lançaram na década passada. Sem mais delongas, vamos ao post:

What A Girl Wants

O ruim de música mais fofinha explorando o auge do autotune é que o negócio já era bobo na época e envelhece horrivelmente com o passar do tempo. Tipo, era para “What A Girl Wants” ser um número para embarcar no sucesso de Gee fofinho de garota indignada com o primeiro amor ser um pamonha, mas tem umas 3 tão autotunadas que eu simplesmente perco a linha e acabo me irritando com os versos e os raps. O refrão é bonzinho, mas nada que salve o conjunto da obra. O tipo de bobagem que não dá a volta e diverte como boa parte dos singles de início da carreira do 4minute.

Hate

A primeira coisa que penso sobre “Hate” é “Ah, pelo amor de DEUS”. Inegavelmente temos o Skrillex assinando a tenebrosa parte eletrônica pois é a cara das farofas eletrônicas dele, e a música dramática que “Hate” promete ser no início afunda em uma virada de sonoridade horrorosa, se tornando um grande e trágico acidente em forma de farofão EDM. E o que já era horrível em 2016 fica ainda PIOR ouvindo hoje em dia. Como foi que a Cube teve a CORAGEM de botar essa música como o xeque-mate da carreira do 4minute? Óbvio que daria ruim.

Is It Poppin?

O mal das músicas do 4minute em parceria com o Brave Brothers é que os singles ficam devendo na criatividade. “Is It Poppin’?” ainda tem uma desculpa de ser um single especial de verão feito para aproveitar o hype que elas conseguiram com “What’s Your Name?” e duvido que passaram mais de 2 horas produzindo e formulando essa música, mas o resultado ainda é bobo, fraco, com os “Going Crazy” repetidos na música inteira enchendo o saco, um instrumental bem vazio e um refrão que soa como se “Because Of You” do After School fosse um single meia boca de verão, o que faz a música toda soar como as sobras da criatividade do Brave Brothers. Meh.

Whatcha Doin’ Today

O mesmo que foi dito de “Is It Poppin” vale para “Whatcha Doin Today”: Falta personalidade e empenho para fazer uma música grande, só que elas vão para um pop retrô aqui. Esse é o tipo de pop perfeito para deixar as vocalistas soltarem a voz e elevarem a música para outro nível (Elas já tinham feito isso antes e deu muito certo) mas, por algum motivo, o gancho ficou nos “aha” gemidos mesmo. A música já é morna e soa feito no automático das músicas retrô jazzy no K-pop, vocalmente não tem nada demais e o humor da música é falho. Nada cola, e “Whatcha Doin’ Today” só tem como feito mais memorável dar uma paulada no SNSD e no 2NE1 em um music show ao mesmo tempo.

First

Eu normalmente aclamo os números eletropop japoneses e repito como os produtores japoneses faziam mais ideia do que fazer com música eletrônica do que os produtores coreanos (E o próprio 4minute tem exemplos bem melhores disso que vão aparecer por aqui, inclusive) mas nossa, todos os envolvidos estavam com muita má vontade na hora de fazer essa “FIRST”, né? Uma farofa nugu de quem levou meia hora juntando uns oontz oontz para fazer uma música, uns versos bestas que já mostravam que o 4minute não se empenhou muito em aprender japonês e tiveram que improvisar com frases e versos repetidos em inglês que deixam tudo ainda mais pobre. São 3 minutos de fritação eletrônica que passam pelo meu ouvido e eu não lembro de absolutamente NADA no final.

Hot Issue

95% da fase electropop do K-pop no fim dos anos 2000/início dos anos 2010 depende muito de como está a lua quando você ouve hoje em dia. Em outros tempos eu diria “puta merda que música ruim” após ouvir “Hot Issue” mas hoje, em 2025 e com o leve revival do estilo no pop, eu penso que é uma trasheira bem divertida. Os versos são bem uma joça mesmo, mas o refrão tem carisma e eu sabia cantar mesmo depois de tanto tempo sem ouvir, e tem o break para o rap que servia muito no hip hop também. “Hot Issue” não é lá um grande debut mas é música de bebida barata, roupa colorida demais e ir na boate e ferver na pista de dança até o mundo acabar, o que é bem vindo na minha playlist.

Muzik

A mais escrachada das vezes que o 4minute soava como uma versão bootleg do 2NE1, desde o autotune tenebroso e cheirando ao mofo de 2009 até o farofão eletrônico torando na sua cabeça sem qualquer descanso. A música é mais de 3 minutos de uma bobagem despretensiosa delas falando que estão VIVENDO enquanto FODEM COM A MÚSICA (Ou ouvem funky music… sei lá, aprendi inglês ouvindo os álbuns da Namie) que diverte e funciona especificamente para o ano de 2009. A música não quer dizer nada com nada e elas só repetindo BOOM BOOM LIKE LIKE ADORO OUÇAR MÚSICA, não tem nada de muito grandioso rolando mas é um fervo gostosinho de ouvir hoje em dia.

Heart To Heart

Tudo que deu errado em “What A Girl Wants” é corrigido em “Heart To Heart”. Vocalmente menos processada, as vocalistas do grupo entregam a emoção inocente e carismática de jovem inocente sofrendo por amor que “Heart To Heart” pede, e o instrumental é mais leve e agradável de ouvir também. Não tem nada muito incrível rolando aqui, mas também não tem nada muito ofensivo e o resultado é charmoso. É um número fofo de um grupo que tinha a proposta de servir as fritações mais safadas da geração, o resultado envelhece bem e é melhor do que o esperado.

What’s Your Name?

O que me pega em “What’s Your Name?” é que parece faltar gás na música. A ideia é legal, um hip hop coloridinho e descompromissado que dá uma virada mais descolada no que foi feito em “Volume Up” sem deixar de ser catchy, e o produto final é até divertido com um pré-refrão muito bom e um refrão chiclete, mas a execução parece crua no mal sentido. Sinto que falta mais sintetizadores, mais energia, uma melodia mais vibrante e com fogo para ser a música mais descolada que já ouvi. A sensação que tenho é que “What’s Your Name?” tenta ser aquela música divertida para todo mundo sem, necessariamente, ser a favorita de alguém (e meio que conseguiu, já que foi o primeiro #1 na carreira delas). É simpática e diverte no aleatório, mas o 4minute tem pancadão muito mais legal para ouvir.

Why

Assim como FIRST, “WHY” é uma farofa japonesa que não tem nada de muito especial, porém a execução é muito melhor e o 4minute evolui de “farofa nugu” para “farofa de girlgroup de 2º escalão lutando pela sua vida para acontecer” (que foi a situação do 4minute durante quase toda a vida do grupo). “WHY” é um eletropop legal, poderia servir de comercial para vender algum produto tipo desodorante enquanto elas modelam no vídeo, serve um refrão dançante e colorido, ao mesmo tempo que traz a atitude de gostosonas para o 4minute sustentar bem.

HUH (Hit Your Heart)

O 4minute acertava muito quando botava uma proposta mais fierce de gostosonas do batidão eletrônico da época, fazendo um instrumental mais marcado e rebolativo para sentir o poder de alguém que está muito afim de acabar com a minha vida. “HUH” tem muito disso e não é um farofão simplesmente por ser um farofão, e exala o poder e vontade de descer até o chão que um girlgroup da 2ª geração do K-pop poderia oferecer. Só não coloco em perfeito pois acho que o break é bem irrelevante e dá um momento mais “meh” para a música mas, fora isso, é um dos batidões mais potentes e interessantes que o K-pop ofereceu em 2010.

I My Me Mine

ARGH outra farofa deliciosa. Eu achei que espancaria mais os eletropop do 4minute nesse post, mas “I My me Mine” é TÃO o retrato da farofa coreana BOA de 2010 e eu tinha esquecido de como o batidão e sintetizadores dessa intro me dão VIDA ouvindo. A repetição do “I My Me Mine” durante a música me dá uma quebrada e eu sinto que deveria ser outra coisa, mas todo o resto é o eletropop feito ADEQUADAMENTE para as cacuras da 2nd gen reviverem as boas memórias com a música e falar que isso é K-pop de verdade na internet.

Ready Go

“Ready Go” é o tipo de single japonês que dá razão para qualquer um que fala que a discografia japonesa de girlgroups de K-pop é melhor que a coreana (Na 2ª geração, pelo menos). Essa sonoridade mais rock de patricinha querendo ser gostosona sem deixar de bater o cabelo de forma bem fierce é algo que o 4minute nunca tinha experimentado, e acabou sendo uma novidade brilhante para o grupo que combinou com todas as integrantes. Não é uma música que me faça parar tudo que estou fazendo para ouvir e dançar junto, mas chega bem perto.

Cold Rain

Uma baladinha fria, profunda e triste do 4minute como single? Absolutamente NINGUÉM esparava isso. Mas aconteceu, e não é que é boa? É mais uma oportunidade perdida de mostrar as main vocal como main vocal do 4minute (Poderia rolar uma ou outra high note/extensão mais dramática/sofrida nessa música para dar um pulso a mais), mas traz bem a tristeza e frieza de alguém que está desiludida com o amor. É triste, é chorosa, me dá vontade de me trancar no quarto e chorar por um relacionamento falido que nunca tive… Cumpre bem demais o seu papel, e é mais memorável que muita faixa de comeback pra valer do 4minute.

Crazy

O grande acerto do 4minute com o público internacional, trazendo um hip hop de mina fodona e uma virada mais poderosa e intimidadora para o grupo, meio que aproveitando a lacuna deixada pela parte da fanbase que gosta de conceito fierce e viu o 2NE1 ir a merda meses antes desse lançamento. Todos os ganchos, versos, refrão e batidão dão certo, sendo uma série de decisões sonoras boas que formam um junto carismático e viciante. Não acho que abale tanto quanto os singles perfeitos do 4minute, mas é como elas dizem: “C-R-A-Z-Y”!!!!! Bora enlouquecer com essa bagunça!

Mirror Mirror

Eu amo “Mirror Mirror”. Amo essa coisa “metálica” que a produção tem, é uma farofa eletrônica que consegue ser sexy e femme fatale, e a repetição dos “nam geoura” no refrão é daquelas que poderia irritar em algum momento mas NÃO, eu amo cantar junto e o resto da música é TÃO icônico que o refrão fica icônico junto. Em qualquer momento que ouvir “Mirror Mirror” eu vou gritar “QUE HINO”, descer até o chão com o refrão e me sentir uma peituda metida com os versos e os os peidos eletrônicos que conduzem a produção. Meio futurista, meio sensual, super cafona e incrivelmente memorável.

Volume Up

A última grande cafonagem do 4minute, prevendo o saxofone no K-pop antes mesmo do Brave Brothers instaurar isso como uma das bases da midtempo sensual no K-pop alguns anos depois e sendo um dos poucos atos do K-pop a explorar música eletrônica romena na indústria (Incrível como a Coreia sequer cogitou samplear “Stereo Love”, né?). Ok que depois isso virou música indiana para elas, mas faz parte do camp e cafonice que a música proporciona. O sax ficou lendário em “Volume Up”, as vocalistas do grupo tiveram o momento da VIDA delas depois de tanto trabalho autotunado nerfando as gatas e o refrão é de longe o melhor do 4minute.

Love Tension

Facilmente a minha música favorita do 4minute, o melhor e mais refinado trabalho eletrônico do grupo e um dos melhores singles japoneses feitos por girlgroup de K-pop. “Love Tension” é uma faixa que já me deixa em êxtase logo nos primeiros segundos, os versos são ótimos mas a música se torna emblemática a partir do pré-redrão que é glamuroso, e o refrão explode de um jeito que me leva as nuvens. Não contente, o break de dança e a ponte de “Love Tension” são outro nível e top 3 melhores momentos de um girlgroup de K-pop no Japão. Tudo é perfeito em “Love Tension”, e se você não gosta… simplesmente está errado.

8 comentários sobre “Do pior ao melhor: Ranqueando os singles da carreira do 4minute

  1. Caralho nunca concordei tanto, descreveu completamente a minha opinião com o 4Minute. Em meio ao Kpop café com leite morno de hoje, qualquer musica aí é um soco.

  2. Dessa vez eu só discordo de HUH pois colocaria em perfeito, adoro demais essa música (mas está em ótimo, então eu perdoo) e CRAZY envelheceu mal aos meus ouvidos então colocaria em mais ou menos. Muzik e Hot Issue eu curto pela palhaçada, mas é como você falou: depende muito de como está a lua

  3. Por incrível que pareça, Crazy envelheceu bem mal comigo e eu colocaria no tier D. Hate eu adoro. Com exceção de What a girl Wants (e crazy, né), pra mim, o 4minute não tem single ruim. Is it Poppin é meio “ah, ok, meninas”, mas todo o resto eu colocaria nos tiers A e S mesmo. A fase toda entre 2009 e 2012 foi peak K-Pop/J-Pop pra mim (I My Me Mine foi o primeiro K-Pop que eu ouvi sabendo que era K-Pop inclusive).

  4. HuH, Volume Up e Love Tension ervas finíssimas
    Hate podia ser um musicão, mas o Skrillex derruba a música
    Crazy marcou 2015

  5. Tenho muito carinho por Watcha Doin Today e Hate porque foram as primeiras músicas do 4minute que eu ouvi depois de Crazy, mas ouvindo hoje em dia realmente não envelheceu muito bem (apesar dos versos de Hate serem magníficos) kkkkkk e incrível como todo mundo concorda que Volume Up é A música da carreira coreana delas, né. Até hoje eu me arrepio com os vocais da Jiyoon, ela e a main vocal eram muito subestimadas nesse sentido.

  6. hate hino huh hino. torço pelo dia que vão fazer um pix pra vc rankear algum boy group tenho mta curiosidade

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