Hoje é um dia queer no blog. Não bastasse o Cocona abalando a internet revelando sua transmasculinidade e não binariedade, hoje também tem Review do “UXLXVE”, 1º EP do grupo sem gênero do K-pop XLOV. Como podemos ser mais binários hoje? Eu não sei, mae vamos conferir o que o XLOV desovou para o mundo no mês passado:

Artista: XLOV
Álbum: UXLXVE
Lançamento: 05/11/2025
Gravadora: Quarter Music
Nota: 75/100
Toda a ideia de grupo genderless que o XLOV carrega é interessante e abre possibilidades para o grupo experimentar diversas coisas em termos de sonoridade. Essa falta de limite por gênero ppde render trabalhos únicos, colaborações fora da caixa e álbuns que estabelecem um território que destaca o XLOV dos outros grupos de K-pop. O potencial é enorme e, visualmente, o XLOV impressiona com o orçamento limitado que a empresa deles deve ter, mas o “UXLXVE” não é um primeiro EP que traga algo que mostre algo que só um grupo genderless como o XLOV pode fazer.
A primeira metade do “UXLXVE” explora um R&B mais tenso e com uma performance mais provocante e intimidadora, com toques de trap e melodias mais profundas. Seja servindo confiança e atitude ou indo para um lado mais sexy, o XLOV não tem medo de ser sujo e explorar interpretações mais fortes e envolventes. Isso não dá muito no single “Rizz”, mas brilha muito nas duas melhores faixas do EP “Scent” e “Dirty Baby” A segunda metade propõe mais diversidade servindo um pop eletrônico inspirado em tendências como hyperpop e o UK Garage, além de uma baladinha no piano porque, bem, tem que ter uma baladinha no piano né. Tudo acima da média do que o K-pop costuma entregar nesses estilos, mas nada muito UAU que me faça querer carregar na playlist. A primeira metade do “UXLXVE” é melhor que a segunda, mas o conjunto da obra é sólido.
O curioso do “UXLXVE” é que as duas faixas promocionais são justamente as duas músicas mais fracas do EP, e sofrem problemas parecidos: “Rizz” e “Biii:-P” sofrem com repetições exaustivas e produções pouco chamativas em suas áreas, seja no R&B inspirado em trap ou num hyperpop mais colorido. Acho que faz sentido por serem um grupo rookie e estarem ali descobrindo o que funciona ou não, mas acho que o caminho para eles é dar uma olhada no que o XG está fazendo e não ter medo de fazer músicas extravagantes que acompanhem a explosão de cores e visuais que o XLOV fornece.
Para um primeiro EP, “UXLXVE” é interessante e mostra potencial para o XLOV nesse R&B mais sexy e cadenciado que é a melhor ideia do álbum. Dificilmente músicas como “Scent” e “Dirty Baby” virarão single por agora, mas ficarei grato se seguirem lançando músicas assim como album tracks. O resto do EP não me despertou tanta atenção, mas segura bem e tive uma experiência bem positiva no final do dia. O principal problema é o “UXLXVE” soar tímido demais em alguns momentos, mas isso deve ser corrigido conforme o XLOV evolui e amadurece como grupo em futuros lançamentos.
Faixa a Faixa
O álbum começa com “Scent”, um R&B lento e suave que explora toda a sensualidade do grupo através da sutileza que a melodia proporciona, aliado aos sintetizadores mais profundos e uma guitarra que casualmente surge para tornar a música mais marcante, e a performance do grupo é ainda mais ousada e excitante, como se o XLOV nos convidasse para sentir e se perder no aroma sexual e perigoso que exalam. Uma abertura de álbum memorável, que poderia ser o carro chefe do comeback se o XLOV estivesse mais afim de apostar em um som mais provocante e envolvente. A seguir temos “Rizz”, que meio que se perde nas repetições do refrão e na monotonia e clichês trap do instrumental. Entendo a ideia de faixa com mais atitude e “slay factor” que a performance entrega e eu compro bem até, mas esse instrumental no geral é bem meh e fraquinho para faixa principal. O refrão, em especial, é qualquer coisa escorada na repetição de “rizz” e o que rima com essa palavra, e o resultado final é bem curto e esquecível.
“Dirty Baby” parece uma versão muito mais correta e marcante de “Rizz”. O instrumental de “Dirty Baby” é mais pesado, o refrão é melhor e tem mais presença, com uma performance mais intimidadora de um grupo que quer me ensinar como ser safado. Essa coisa mais suja e livre de “Dirty Baby” dá todo o charme e ritmo mais sexy, com a entrada do “I show you how to be dirty” sendo o melhor momento do álbum. Talvez tenha um ritmo lento demais para colar como title de grupo de K-pop, mas é o grande destaque do EP junto com “Scent”. “Biii:-P” deixa o R&B sexy de lado e começa a segunda metade do EP de um jeito mais fofinho e hyperpop, com uma letra “Por que raios você me odeia?” que poderia ser melhor desenvolvida se, mais uma vez, o refrão repetindo a mesma palavra em loop não enchesse o saco antes mesmo da música de pouco mais de 2 minutos acabar. Não colou comigo, mas mostra um lado mais freaky e fofo que combina com toda a cor e extravagância do XLOV.
“Kiss and say goodbye” é uma baladinha no piano e isso meio que é tudo que você precisa saber. Tipo, se você gosta de baladinhas meio inespecíficas e padrão coreanas, “Kiss and say goodbye” fará um bom trabalho. Se não, tem um solo de guitarra na música que talvez mereça algum destaque mas nada muito uau acontece aqui. Fechando o EP temos “Drip Drip”, que mistura a coisa mais dinâmica e rápida que um UK Garage proporciona com um violão mais calmo e acústico, que desperta uma sensação de paz enquanto dá um tom mais fantasioso para a canção. Sempre acho criativo não fechar o álbum com uma baladinha comum e esse conjunto de sintetizadores fogem do garage mais óbvio no K-pop, então acho que “Drip Drip” está acima da média e fecha o “UXLXVE” muito bem, mesmo que, sozinha, a música não parece tão brilhante ou ambiciosa.
Concluindo…
“UXLXVE” é um bom álbum de grupo de K-pop e o R&B sexy tem potencial no XLOV. Espero que os próximos lançamentos do grupo me façam ter emoções mais fortes e expressivas, mas o EP é uma introdução bem boa ao que o XLOV pode fazer.
– ah, drip drip melhor do álbum na minha opinião. também amo muito o “I don’t explain, I just exist” em dirty baby, top canetadas do ano
por mais que eu concorde que as músicas não foram muito extravagantes, eu fico feliz que o xlov já conseguiu alcançar esse espaço no público & uma fanbase leal no primeiro ano da carreira. tiveram um ano sensacional
eu acredito muito no potencial deles e acho que eles ainda vão longe mesmo nessa empresa fundo de quintal. 1 show no brasil e já vai ter orçamento pros próximos 3 comebacks
fico ansiosa pra ver o que eles tem a oferecer no futuro!!
obg pela review -pessoa q mandou o pix
so uma coisa doug, muda o pronome do cocona no começo do blog 🫶
Corrigido, obrigado por avisar 🙂