Depois de quase causar uma guerra civil com a China se intrometendo nos assuntos de Taiwan meio que do nada e travar a ascensão de eventos japoneses no país, a mais nova ideia da primeira ministra do Japão Sanae Takaichi é um investimento de 55 bilhões de Yen (Aproximadamente 2 bilhões de reais, na cotação atual) na música japonesa com a intenção de “fazer a música deles se expandir e ressoar globalmente”. Na prática, essa é mais uma tentativa do governo japonês emplacar o J-pop para o mundo do mesmo jeito que o K-pop sem consultar o desejo da população de NÃO exportar o J-pop para o mundo. E o pior: Hoje em dia nem a fanbase internacional de J-pop quer que a indústria fique “global que nem o K-pop”.
Tentativas de exportar o J-pop como uma onda tal como o K-pop não são exatamente novas. Na verdade, essa não é nem a primeira iniciativa que o governo japonês adota para promover a música/cultura japonesa no mundo (Lembram do COOL JAPAN?), além de empresas (A avex trax, especificamente) ocasionalmente lançarem grupos e artistas com a intenção de promover internacionalmente. Quase tudo não deu certo e não passou de virais ocasionais, e muito porque o ouvinte de J-pop não quer que todo mundo escute música japonesa, e sim que ELE MESMO escute música japonesa.
Até a década passada havia esse desejo do J-pop ser “mais global” simplesmente para facilitar o acesso ao que é lançado por lá, como MVs e apresentações completas, importar álbuns e DVDs sem deixar um rim no meio do caminho e, com a ascensão do streaming, discografias no Spotify. Agora que (quase) tudo na música japonesa está acessível digitalmente em diferentes níveis (Depende do serviço que você usa para ouvir música, mas hoje os catálogos de música japonesa são bem parecidos entre Spotify, Apple Music e YouTube Music), os jpoppers simplesmente não querem o mesmo destino de “música americanizada ruim” que o K-pop vive nos últimos anos e, fora uma ou outra empresa/artista que ainda não cedeu ao streaming, ter a possibilidade de ouvir um J-pop no dia do lançamento “já tá bom”.
Claro que houve um investimento massivo do governo coreano no K-pop/culture (Seja para “bloquear” a popularidade de produtos japoneses nos anos 90 ou para aproveitar o potencial de exportação deles para a Ásia/mundo),mas um dos motivos do K-pop ser o que é hoje é que a fanbase faz MUITO barulho por qualquer coisa, seja ela boa ou não. Existe (ou existia) um empenho enorme de divulgação no boca a boca, da galera indo nas comunidades do orkut e grupos de facebook para soltar links de vídeos de K-pop em qualquer oportunidade, uma espécie de “coletivo” que impulsionava tudo quanto é grupo que não necessariamente fazia sucesso nem mesmo na Coreia. Obviamente teria quem odiasse ouvir um girlgroup coreano bancando as minas fodonas ou cantando sobre o primeiro amor, mas também teria a galera que ficaria obcecada e, nessa “marra”, a fanbase de K-pop crescia.
Já a fanbase de J-pop é bem mais silenciosa nesse aspecto. Enquanto um kpopper médio está pronto para jogar 50 performances, 40 MVs e toda a biografia do fave para qualquer pessoa que der brecha, o Jpopper médio não tem essa vontade de engajar, vê qualquer site comentando sobre alguma música japonesa fazendo sucesso e já fala “Ai não, meu fave vai ficar conhecido mundialmente, eu não quero issooooooo” e tem esse tesão em ser pedante e ouvir algo mais “exclusivo”. Obviamente tem os problemas de acessibilidade ao material que atrapalham mas, se o público não tem interesse em fazer uma música engajar internacionalmente, não há dinheiro no governo que ajude. A única “exceção” atual é o XG, que é um grupo que bebe MUITO das estratégias de divulgação de um grupo coreano comum (Boa parte dos fãs do XG já eram kpoppers antes), e isso foi um dos motivos que fizeram eles hitarem até dentro do Japão.
A parte da fanbase de J-pop que mais se empolgava nesse sentido era a formada por J-divas que tiveram seu auge há 20 anos, numa época em que você tinha que garimpar horrores até achar um .mp3 decente de uma música da Ayumi Hamasaki. Esses fãs ainda existem e resistem nessa fase de vacas magras para as J-divas, mas fica difícil dialogar hoje com a galera e divulgar músicas que o próprio japonês médio chama de “música de tia” (E o completo desinteresse das próprias em renovar o público deixa tudo ainda mais complicado). A ideia de promover uma “onda hallyu japonesa” é boa (Especialmente para aumentar o turismo local) mas, antes de querer investir cegamente nisso, a Sanae e os figurões japoneses deviam, primeiramente, convencer a população e o público consumidor que é uma boa ideia e engajar isso. O projeto é velho, mas não decolará somente com dinheiro.
De qualquer forma, a música japonesa vive uma espécie de “auge” mundialmente com os temas de anime populares se tornando hits que casualmente estouram a bolha otaku, como os temas do filme de “Chainsaw Man” hitando dentro E fora do Japão recentemente, além de diversas outras músicas que pegam carona com animes de sucesso. Esse parece o melhor cenário para a música japonesa se expandir globalmente hoje e, quem tiver interesse, se renderá a uma trilha de anime povão para carregar demandas por shows ao redor do mundo.
não tenho uma opinião super formada sobre isso, eu mesmo nem sou super fã de j-pop, apenas tenho descoberto cada vez mais músicas e artistas japoneses (muito por influência daqui e do Lunei), e inclusive o Perfume foi a minha maior obsessão musical nesse fim de 2025. eu não tenho muito problema com esse nicho, até porque eu já me sinto muito velho pra começar a ser super imersivo e engajado com essa indústria como um todo como comecei a ficar com o k-pop lá nos meus 13 anos, eu só tenho vontade de descobrir umas músicas legais e é isso.
acho que o único problema (na minha experiência) dessa falta de ocidentalização do j-pop é o fato de uma boa parte das músicas estar com o nome em japonês no Spotify. como vocês fazem pra saber qual música é qual, todo mundo desse mundinho sabe ler japonês? que saco quando eu tô com vontade de ouvir, sei lá, a faixa 9 do GAME (bíblia) e eu nem sei como fazer pra achar essa música sem ser indo lá no álbum (é um probleminha besta, mas me enche o saco)
Pra isso acontecer primeiro de tudo as gravadoras japonesas tem que chutar os velhos caquéticos da presidência de lá, né? Depois o próximo passo é conseguir fazer os artistas japoneses hitarem no Japão sem tie in de anime e Dorama, que é algo RARÍSSIMO de acontecer hoje em dia. Depois que vem o investimento internacional, com turnês pra fora do Japão e a disponibilização dos CDs, DVDs e merchs dos artistas pra quem não mora no Japão(coisa que eles dificultam muito, mas facilmente seria resolvido com a criação de lojas online internacionais). Tie in de anime é uma porta pra fora do Japão(e dentro do Japão também, já que hoje em dia é difícil os japoneses hitarem música sem tie in), mas os artistas japoneses não tem que depender disso, mas pra isso acontecer, as gravadoras japonesas tem que se mexer e fazer algo.
E ah, off Topic, Dougie : não ia causar guerra civil nenhuma não, isso é só provocação diplomática de político. Uma guerra no leste asiático hoje seria uma perda pra todo mundo e eles sabem disso. Essas tensões entre Japão e China já aconteceram antes, mas nunca escalaram pra conflito armado.
E um adendo que eu esqueci : a fanbase de fãs de jmusic é um pé no saco. Ô gente purista que não quer ver as coisas indo pra frente sendo que são fãs que moram fora do Japão e não tem tanto acesso as coisas assim, então qual a razão de ser contra o avanço internacional da jmusic?
no rain no rainbow hino
https://youtu.be/pDgqo6fcliY
ai adoro esse tipo de post de análise de alguma notícia. sou do time quero exclusividadeeee mas ao mesmo tempo tem tanto jpop bom escondido tipo o babymetal que eu nunca descobriria se não fosse explorando o 4shared
Babymetal escondido? Acho que elas são uma das maiores referências de música japonesa pro mundo.
Eu tenho uma mistura de sentimento dentro de mim quanto a isso. Ao mesmo tempo que torço por isso, também quero que não aconteça. Sei lá, vai que a influencia ocidental não faz bem, mas apoio facilitar o acesso, afinal, tem coisa que nem no telegram tô achando.
Eu discordo. Um pouco de mudança nunca é ruim, afinal, o mundo só anda pra frente. Só acho ruim se começar a copiar o modelo do Kpop(grupos idols), coisa que eu já vejo muitas gravadoras fazendo, porque sinceramente, não acho que os jovens vão querer comprar a versão 2.0 do Kpop, né? Então pra mim eles têm que manter sua identidade, mas se modernizando. Acho que o que pega pro Japão internacionalmente não são grupos idols, mas sim artistas solo, duplas e bandas, e é nisso que eles têm que investir se querem um ticket pra fora do Japão.
Imagine ter Perfume com um som americanizado? Obviamente que não seria algo voltado pra elas essa situação, porém acho que esse investimento acabaria sucateando a música japonesa que é boa e diversa.
Deveriam investir domesticamente e evitar que artistas caiam no Flop.
Ué, mas electropop não é um gênero ocidental gente? Entendo a preocupação de que a música japonesa fique muito no automático pra só tentar agradar o público ocidental, mas nós que somos fãs de música japonesa temos que admitir que o Japão é um mercado que PRECISA URGENTEMENTE de novos produtores e novos ares, né? O Jpop não vai perder sua identidade, só vai se modernizar, e isso não é só na questão musical/produção, mas na questão de distribuição também, tanto nacionalmente quanto internacionalmente.