Eu nunca pensei que teria tanta coisa para fazer em off que atrasasse absolutamente todas as coisas que pretendia fazer com a minha consolidada carreira de blogueiro de K-pop esse mês, mas vamos tentar organizar a casa e limpar a fila de posts com pix que esse blog tem que fazer. O primeiro deles é meio que um post que todo fã de K-pop da 2ª geração/da década passada gosta de ver por aqui: Vamos retirar mais uma vez o cadáver do f(x) do caixão e falar dos 3 full albums que interessam delas (“Ah mas Pinnochio/Hot Summer…” pff galera, vamos falar de álbuns que importam).
Eu diria que 90% dos K-poppers 2nd gen que não tem como girlgroup fave o SNSD e/ou o 2NE1 concorda que uma das sequências mais emblemáticas (Senão A sequência mais emblemática) de lançamentos é “Pink Tape”, “Red Light” e “4 Walls”, os 3 últimos comebacks feitos pelo f(x). E hoje é dia de revisitar esses álbuns, ver porque eles são tão icônicos e constatar se envelheceram como vinho depois de mais de 10 anos. Acenda a luz vermelha do seu inferninho de quatro paredes, ligue o seu videocassete e vem comigo:

Artista: f(x)
Álbum: The 2nd Album ‘Pink Tape’
Lançamento: 29/07/2013
Gravadora: SM Entertainment
Nota: 90/100
“Pink Tape” é a primeira grande tentativa de vender o f(x) como um grupo “fora do padrão” do K-pop. O grupo já lançava singles EDM mais potentes e ousados se tratando de SM Entertainment, mas o “Pink Tape” é O álbum que tem a proposta de fazer VOCÊ pensar que o f(x) é um girlgroup diferente dos demais, desde o package até a seleção de faixas. Ao mesmo tempo que o “Pink Tape” proporciona uma mistureba de sons, ele desperta uma curiosidade de ouvir até o fim, seja pela qualidade do álbum ou para apreciar o que a próxima faixa tem de novo para mostrar. Quase tudo no álbum é BOM, e isso prende qualquer ouvinte e/ou entusiasta de música pop.
A grande graça no “Pink Tape” está nos momentos mais sintetizados/eletrônicos, que não ficam só na faixa principal e se espalham por todo álbum. Aí tem para todo gosto: Desde pancadões europeus mais safados como “Step” e “Kick” até faixas mais suaves e introspectivas como “Shadow” e “Airplane”, ou até mesmo o meio termo dos dois extremos que “Rum Pum Pum Pum” serve. A variedade de gêneros e referências que dão mais riqueza ao álbum se mostra presente no disco de “Signal” e no jazz de “Snapshot”, além de fillers faixas mais acústicas como “Ending Page” e “Goodbye Summer”, e tudo isso é interessante. “Pink Tape” é um álbum empenhado em fazer você pensar que todas as músicas são boas e divertidas, e faz isso muito bem.
“Pink Tape” é um álbum que não deixa ninguém entediado. Talvez os pancadões EDM não envelheçam tão bem para você ouvir em 2026, mas tem muita coisa interessante rolando nesse álbum e o esforço em fazer um álbum para qualquer pessoa ouvir e pensar “Uau, isso é algo que só o f(x) faria”. Ousado, exótico e encantador, “Pink Tape” é o tipo de álbum que, acima de tudo, busca a identidade do f(x) como girlgroup e o quão inventivo o grupo consegue ser para redefinir o que um girlgroup do K-pop pode fazer.

Artista: f(x)
Álbum: The 3rd Album ‘Red Light’
Lançamento: 07/07/2014
Gravadora: SM Entertainment
Nota: 85/100
Já o “RED LIGHT” mergulha de cabeça na selvageria. Se no “Pink Tape” temos músicas mais lúdicas e suaves que dão uma certa leveza para o conjunto, “RED LIGHT” tem uma atmosfera bem mais “dark” com sintetizadores pesados e expressivos, focado na adrenalina que cada uma das músicas e sintetizadores pode proporcionar. Assim como o “Pink Tape”, “RED LIGHT” aposta muito mais na força de cada faixa para elevar o conjunto, mas tudo parece mais direto e ambicioso nesse álbum por conta do eletropop em grande estilo, ao mesmo tempo que o f(x) se reinventa e traz uma persona de cores mais fortes e performance mais intensa.
Dos 3 álbuns, acho “RED LIGHT” o mais exaustivo. É longe de ser ruim, mas é o único álbum que eu sinto que preciso dar uma pausa ali no meio, descansar um pouco e ir até o final. Até os momentos mais leves do álbum ainda serem mais tensos me dão essa impressão de que o álbum passa do ponto em alguns momentos, mas o faixa a faixa dele é praticamente imbatível com grandes faixas como “Rainbow”, “Boom Bang Boom”, Vacance, “Spit It Out” e, claro, a faixa título “RED LIGHT”, que é a música que melhor vende o f(x) como “girlgroup experimental” dentro do mundinho K-pop. “RED LIGHT” é o álbum que menos tenho vontade de ouvir do início ao fim, mas eu confio que escutarei algo bom na hora de escolher qualquer música no aleatório.
Da abençoada trinca de álbuns do f(x), colocarei o “RED LIGHT” como o mais “fraco” apenas por não servir uma grande experiência como álbum. O faixa a faixa dele é muito bom e todas as músicas ali possivelmente seriam singles nas mãos de outros girlgroups da época, mas me senti perdido no conjunto da obra e não tenho essa vontade toda de ouvir completo como os outros dois álbuns desse post. De qualquer forma, um “RED LIGHT” da vida seria o álbum mais forte, completo e viciante de 90% de qualquer grupo de K-pop, para você ver o quão estupendo o f(x) foi musicalmente entre 2013 e 2015.

Artista: f(x)
Álbum: 4 Walls – The 4th Album
Lançamento: 27/10/2015
Gravadora: SM Entertainment
Nota: 100/100
“4 Walls” é o f(x) ainda se reinventando. No “Pink Tape” tivemos um f(x) mais lúdico e colorido, “RED LIGHT” proporcionou uma persona mais agressiva e intimidadora, e “4 Walls” desperta uma euforia ouvindo, com músicas que me fazem chegar naquele lugar de paz transcendental que um farofão eletrônico pode me levar. Nesse álbum o f(x) está mais sóbrio e maduro, sem perder a essência “experimental” que o grupo adquiriu ou os vícios/estilos musicais que eram a cara da SM Entertainment em 2015, e ainda traz novidades interessantes em estilos musicais e performances do grupo.
O grande trunfo é a faixa título. “4 Walls” é lendária, uma das melhores músicas do K-pop e todos os elogios que você pode dar para uma música, e ofusca tranquilamente o resto do álbum, o que me deu MUITA vontade de ouvir um álbum house/garage safadíssimo delas (A SM parecia MUITO inspirada nesse estilo na época e um álbum completo nesse pique seria icônico). O álbum não tem essa linearidade sonora (Diria que é o menos “amarrado” dos 3 nesse sentido), mas ainda é muito emblemático com os melhores e mais “sing along” refrões da carreira do grupo em hinos como a já citada faixa título, “Deja Vu”, “Rude Love”, “Papi” e “Cash Me Out”, com as duas últimas sendo mais explosivas e destoando um pouco do package do álbum mas, ao mesmo tempo, dando um pulso essencial para o álbum ter energia e ação do início ao fim.
“4 Walls” empurra diversos bops guela abaixo em diferentes estilos e batidas, com cada música tendo uma personalidade própria e um charme especial, mas ele BRILHA na capacidade de despertar a curiosidade do que vem a seguir. O “espere o inesperado” que esses álbuns mais versáteis do K-pop parecem ter como objetivo chega ao auge nesse álbum, pois tudo nele é interessante, carismático e poderoso, criando um resultado único. Grandioso e atemporal, “4 Walls” seria considerado o álbum do ano em qualquer ano que fosse lançado e é um dos álbuns responsáveis por 2015 ser um dos meus anos favoritos do K-pop (Junto com o “REBOOT” do Wonder Girls e o “BASIC” do Brown Eyed Girls).
No final, temos 3 álbuns que brilharam em seus respectivos anos, com o “4 Walls” sendo um daqueles álbuns que definem uma década no K-pop (Não à toa ainda temos diversos garage/deep house que as mais velhas de guerra da fanbase chamam de emulações do f(x)). E são 3 álbuns bem distintos, que encapsulam auras diferentes para você ouvir em diferentes momentos, humores ou performances da vida. Um processo de amadurecimento e refinamento sem perder a essência pop que fica ainda mais brilhante se você esteve presente na catarse proporcionada por cada um desses álbuns na época do lançamento.
o f(x) só melhora com o tempo, cada ano que passa no kpop mais relevante essa tríade se torna
o f(x) foi uma jogada genial da sm que nem o kpop nem a própria sm sao capazes de replicar, lamentável ter durado pouco, como tudo que é bom
Álbuns excelentes, pena que elas nunca estouraram mesmo na Coreia
o pink tape é tão lendário que até hoje em qualquer bside de qualquer grupo você encontra emulações desse álbum, só que mais sem graça.
Ahhhh, fui eu que pedi sim.
Sou viúva do F(X)!
4 Walls um dos melhores álbuns de Kpop de todos os tempos ( junto com Reboot das WG e Modern Times da IU)!