ALBUM REVIEW: XG – THE CORE

O primeiro álbum de estúdio é sempre um grande feito para artistas na Ásia e, com anos de indústria e várias músicas lançadas, a vontade de mostrar o melhor do grupo no maior lançamento deles até hoje é grande. E depois de 4 anos do debut, 2 EPs e vários singles soltados, XG lançou no último dia 23 seu primeiro álbum de estúdio “THE CORE”. Será que o XG conseguiu subir mais alguns degraus com esse álbum, ou vale mais a pena ouvir o que foi lançado antes? Vamos descobrir agora:

Artista: XG
Álbum: THE CORE
Lançamento: 23/01/2026
Gravadora: XGALX
Nota: 84/100

Uma coisa que o THE CORE provou para mim é que o XG é muito bom nas duas principais esferas musicais do grupo. Tanto no R&B/Hip-Hop quanto nas variações de músicas eletrônicas para homossexuais, o XG arrasa com ótimos trabalhos e o refinamento das produções (Principalmente na parte mais eletrônica) é notável em cada lançamento. Os dois EPs do grupo vem mostrando essa evolução e personalidade do grupo florescendo nesses estilos musicais, e “THE CORE” mostra a forma mais completa do “XG das ruas” e do “XG das pistas” que pouca gente consegue bater de frente hoje em dia.

Traduzindo “THE CORE” temos “Núcleo”, e isso basicamente representa o quão colorida pode ser a essência do XG hoje. Das melhores músicas do álbum, pouca coisa mostra algo que nunca vimos antes do grupo ou coisa do tipo, mas busca trazer um conteúdo melhor polido e com mais conteúdo. “GALA”, por exemplo, não é a primeira farofa house da vida do XG, mas é uma aventura espacial épica com uma força ainda maior que coisas como “SOMETHING AIN’T RIGHT” e “TGIF”. “ROCK THE BOAT” serve o mesmo Pop/R&B anos 2000 de outras músicas do grupo, mas a referência claríssima a Aaliyah e o mergulho mais profundo ao que o estilo proporcionou há 20 anos mostra que o XG está aí, pesquisando e buscando inspirações para evoluir e orgulhar os fãs do grupo.

A primeira metade do álbum vai alternando entre “house e derivados” e “Hip Hop e derivados”, e tudo é muito bom. “GALA” e “Hypnotize” são grandes músicas eletrônicas que possuem diferentes execuções (“GALA” serve raps, enquanto “HYPNOTIZE” entrega mais vocais) onde uma complementa a outra e mostra o que o XG tem de melhor. Para os amantes do lado R&B/Hip Hop temos o XG servindo old school, referências e muito rap legal de ouvir. E eu tenho que AGRADECER pelo fato de NÃO TER UM TRAP FODÃO nesse álbum, o que deixa a experiência muito mais envolvente para mim. O tracklist não parece contar uma história e tem cara de playlist com as trendings do momento? Sim, mas com muita coisa legal para mostrar que elus PRECISAM estar na sua lista de favoritos.

Minha questão está mais para o final do álbum, que não é exatamente ruim mas parece perder todo o gás criado até então. Aprecio a ideia de “explorar outras coisas” com o Pop/Rock de “O.R.B” e a midtempo acústica de “4 SEASONS” servindo coisas que não pensamos em ouvir do XG e acredito que essas + PS118 (Que muda de solo da Jurin para música da unit rap do grupo) tentem explorar um ponto mais vulnerável do grupo, mas as faixas 8 e 9 são dispensáveis tanto sozinhas quanto depois do fogo que o THE CORE fez subir até então. Por mim, dava para o XG ter seguido a linha hip hop e house music até o final para manter a adrenalina no conjunto completo.

Até a faixa 7, o “THE CORE” é um álbum fortíssimo e seguro do que o XG sabe fazer de melhor. É um trabalho com uma visão mais centrada do que foi feito nos EPs e expandindo o que já deu certo, não tem uma aura de clássico instantâneo mas é muito interessante para um primeiro álbum de estúdio. Porém, o final do álbum mostra que ainda há trabalho a ser feito no grupo se eles quiserem MESMO mostrar versatilidade e alcance ao invés de trabalhar no melhor álbum eletrônico e/ou hip hop que elus tem capacidade de fazer HOJE, nos lembrando que o XG é um grupo “novo” que ainda está experimentando terrenos e tentando mostrar para o público que são capazes de fazer de tudo. A estrada para a evolução está na frente deles e será interessante acompanhar os futuros lançamentos do XG, assim como já é interessante olhar para trás e ver o tanto que o grupo já progrediu desde as tentativas mais baratas de emular K-pop nos singles de debut.

Faixa a Faixa

O álbum começa com a intro “XIGNAL” que, bem, é uma intro. Uns toques (Ou sinais) mais futuristas referenciando o lado eletrônico do grupo e indicando que a viagem vai começar. Os jovens estão entusiasmados para dar início de vez no álbum, e “GALA” é um deleite que precisa ser apreciado por anos a fio. A elegância do house, a potência dos sintetizadores dance, os raps afiados mostrando a habilidade do grupo, tudo parece estar em seu auge e cria um resultado emocionante tanto para ouvir no fone de ouvido quanto para servir e entregar tudo na pista de dança, sendo o meu single favorito do XG até aqui. O R&B aparece pela primeira vez em “ROCK THE BOAT”, que vai além do nome, e capta bem o que a Aaliyah fazia na cena na virada do milênio, dando um toque mais leve e fresh para o XG em 2026. A produção é tão refrescante e vibing que espero que estejam guardando um MV bem verão e quente para essa música.

“TAKE MY BREATH” volta com o pop/dance, mas deixando o house para depois e apostando num estilo synthdisco que já é mais manjado a essa altura do campeonato, mas é sempre bem vindo na minha playlist. E o XG ser muito bom no que se propõe performar deixa essa música ainda mais viva e colorida. Como única faixa dance nas b-tracks do álbum, “TAKE MY BREATH” se destaca e vira fan favorite para qualquer entusiasta de música pop. “NO GOOD” volta com o R&B mas de um jeito mais emotivo e envolvente, soando muito como um trabalho que uma Ciara da vida faria e que todo mundo ignoraria (Apesar de muito bom). Todo álbum do XG tem uma música como essa, mas eu gosto desse ritmo mais cadenciado com sintetizadores mais fortes que me deixam mais sensível e fazem a música bater de um jeito especial comigo.

“HYPNOTIZE” traz o HOUSE de volta, mas de um jeito mais “clássico” e vocal que “GALA”. Com foco nos vocais e uma produção que te faz transcender nas pistas, você se deixa levar pelo glamuroso instrumental que explode em brilho e purpurina num refrão delicioso. Não sinto potencial em ser a minha música favorita de 2026 como “GALA” tinha em 2025, mas já bota o XG no mapa com um dos melhores lançamentos desse mês. “UP NOW” resgata a leveza e calor de verão de “ROCK THE BOAT”, mas com um ritmo hip hop mais rebolativo e cativante. Bem divertido e me tira um sorriso leve do rosto enquanto ouço.

“O.R.B” é o pop/rock de bandinha emo revoltada com o mundo, o que é melhor que a média de pop/rock que ando ouvindo desde que virou ALGO no pop asiático mas ainda é bem qualquer descarte rockish da Koda Kumi que caiu no colo deles. Além de proporcionar uma virada estranha na tracklist, sozinha parece faltar muita força no instrumental para marcar como um trabalho agressivo e punk como queriam. “4 SEASONS” é uma faixa acústica no violão com a unit vocal do grupo que está ali apenas para ser a baladinha emotiva e de exibição vocal obrigatória, não muda a vida de ninguém mas será um amor ouvindo ao vivo. Fechando o álbum temos a unit de rap do grupo mostrando as credenciais de rappers e servindo um hip hop old school em “PS118”, que tem mais a personalidade do XG (Já que a galera fecha com o grupo pelos raps dos integrantes) mas é algo que qualquer artista hip hop 101 mostra por aí sem nada muito grandioso por trás. É como eu disse antes: A parte final dá uma murchada na potência do álbum, mesmo que nada me ofenda de fato.

Concluindo…

No que o XG faz de melhor, o grupo não decepciona, e isso felizmente está na maior parte do “THE CORE”. O que está fora da zona de conforto, entretanto, mostra que ainda não é o grupo mais completo que eles querem exibir para o público. A sensação final é de vitória por ter muita coisa genuinamente legal, mas também penso que desperdiçaram a oportunidade de fazer um AOTY nessa tentativa de abraçar o mundo de gêneros musicais desnecessariamente.

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