Top Top.jpg: 10 artistas que não tiveram a sorte de nascerem latinas, mas se esforçaram para entregar hinos pop latinos do mesmo jeito

Semana passada eu recebi uma sugestão bem legal sobre fazer um Top Top.jpg de músicas pop asiáticas inspiradas em música latina para aproveitar o hype do Super Bowl do Bad Bunny, e eu provavelmente teria aderido e feito um post se o twitter não fosse o treco mais bugado do momento na internet e tivesse me notificado dessa sugestão nas DMs. Mas falta de timing nunca me impediu de fazer posts por aqui, e como já tinha uma lista dessas mais ou menos feita (E não está acontecendo absolutamente NADA no pop asiático por conta do ano novo lunar), vamos tirar o pó desse post e trazer 10 artistas que não tiveram a sorte de nascerem latinas, mas lançaram hinos latinos como se fossem as gostosas mais quentes das periferias de Santo Domingo. Sem mais delongas, vamos ao post:

10º lugar — Dahye – Poison

Regravar Uhm Jung Hwa é o tipo de honraria que quase toda artista coreana com mais de 25 anos sonha em fazer (Ainda mais pensando que a Uhm Jung Hwa é uma diva bem acessível para liberar cover), e a Dahye foi uma das felizardas com um cover de “Poison”. Reimaginando toda a música, Dahye botou a pesada mão latina no instrumental, uma intro em espanhol e VIVEU essa música como se fosse a mexicana sucessora da Thalía. Gosto da entrega, do comprometimento com o personagem latino e com a vontade de ser a gatinha mais sexy desse país, e tudo isso deixa esse cover ainda mais delicioso.

9º lugar — Kana Nishino – Esperanza

O comeback da Kana Nishino no J-pop não rendeu nada muito incrível ou fora do que se espera de uma artista como ela, o que deixa a existência de músicas como “Esperanza” ainda mais inacreditáveis. O pop mais inocente e adolescente e os vocais expressivos e com um toque de fragilidade (Características bem marcantes do início de carreira da Kaninha) estão presentes, mas ela decidiu transformar isso em um pop latino dos mais cafonas e o resultado é glorioso, sing along e memorável, sendo um dos melhores e mais chamativos trabalhos da Kana Nishino até hoje.

8º lugar — Mamamoo – Egotistic

Em clima de comeback do Mamamoo em 2026, vamos falar de “Egotistic”? Uma das melhores músicas daquela fase em que o K-pop soltava pop latinidade a rodo na 2ª metade dos anos 10 para aproveitar a explosão do reggaeton/urban latino da época, “Egotistic” explora muito bem a vibe sexy e exageradamente dramática que uma música nesse estilo tem que ter. A parte sexy foi muito bem carregada pela Hwasa (Que estava no auge da beleza aqui), e o drama ficou a cargo dos vocais servindo uma bela disputa de quem serve a voz mais forte e acentuada do grupo, enriquecendo ainda mais esse hino latinocoreano.

7º lugar —MỸ MỸ – KHÔNG AI KHÁC NGOÀI EM (feat. OSAD)

A MY MY é uma das artistas vietnamitas que eu sempre recorro toda vez que sinto que o K-pop está morto e preciso de uma gostosa asiática servindo nos meus ouvidos, e “KHÔNG AI KHÁC NGOÀI EM” traz a gata servindo seus conhecimentos de pop E urban latino para entregar um número sexy, confiante e extremamente rebolativo. Eu não entendo uma palavra sequer no idioma vietnamita mas sinto exatamente a paixão, valentia e tesão que a MY MY está vivendo pelo boy nessa música, e nem mesmo o rap meia boca do rapper aí é capaz de quebrar essa vibe.

6º lugar — 4EVE – Salsa No Drama

Um dos grandes destaques da nova onda de grupos de pop tailandês, o 4EVE recentemente serviu sua salsa para a nação com o single “Salsa No Drama”, que tem muita salsa… e também drama. O que diverte em “Salsa No Drama” é a falta de sutileza em pegar os elementos mais óbvios de música, figurinos e cenários que serviriam o entretenimento em qualquer lugar de Cuba, que em outros tempos seria chamado de apropriação cultural (E em outros outros tempos seria um vídeo da Gwen Stefani). Um misto de saliência e cara de pau que um pop de periféricas precisa ter para entreter e divertir qualquer ouvinte.

5º lugar — Chung Ha x Guaynaa – Demente

Os flertes da Chung Ha com a música em latina em trabalhos como “Chica” e “PLAY” são deliciosos e bem queridos entre fãs e ouvintes casuais, então ela pensou: Hum, e se eu decidir ser latina PRA VALER? E daí surgiu “Demente”, colaboração com o porto-riquenho Guaynaa onde ela bota todas as aulas de espanhol pra jogo num reggaeton super charmoso. Em 2021 esse *BOOM* do reggaeton na música pop começava a saturar, mas a Chung Ha estava destinada a ser a maior dominicana de todos os tempos e “Demente” segue sendo um ótimo trabalho para reforçar minhas raízes latinocoreanas para o mundo.

4º lugar — Akemi Ishii – Lambada

Começando com a trinca de covers da parte final do post temos Akemi Ishii, que lá em 1990 meteu sua versão japonesa para “Chorando Se Foi” do Kaoma (Ou melhor, “Llorando se Fue” do Los Kjarkas). Intitulada simplesmente “Lambada”, Akemi levou o “ritmo proibido” para as esquinas japonesas com bastante comprometimento e uma performance provocante e fiel ao entregue pelo Kaoma, se tornando um de seus grandes sucessos no país e mostrando até onde chegou o sucesso dessa música em tempos onde a globalização não estava lá para deixar tudo tão acessível quanto hoje.

3º lugar — JeA – Despacito

Um dos covers que mais sou obcecado em ouvir e revisito sempre é o de “Despacito” da JeA. Uma mulher assumindo o vocal dessa música dá um charme único e a JeA tem uma voz encantadora, além da reimaginação do reggaeton de uma forma acústica com o violão que torna tudo ainda mais belo para alguém com a habilidade vocal da JeA brilhar. A cantora é daquelas que tem potencial para brilhar em qualquer estilo musical, e essa skin latina ficou hipnotizante o bastante para ouvir (bem mais) que a versão original.

2º lugar — Koda Kumi – Livin La Vida Loca

Foi muito GAY LATINA da parte da Koda Kumi meter um cover do cantor GAY LATINO Ricky Martin, e manter o “That girl is gonna make me fall” da música original foi ainda mais GAY LATINA da parte dela. O material inédito dela pode estar questionável nesses últimos 10 anos mas a mulher sabe entregar num cover, especialmente quando a música permite que ela enlouqueça na performance e sinta uma persona totalmente nova cantando uma canção. E não satisfeita em regravar a versão original, ela ainda regravou a versão japonesa “Goldfinger ’99”, mostrando sua disposição em ser a Kodaniela Kumercedes do Japão.

1º lugar — Gain – Irreversible

A 1ª latinacoreana do mundo, Gain estreou solo com um tango que eu só conseguiria imaginar alguém do Brown Eyed Girls fazendo em 2010. Todo o drama, tensão e sensualidade que um legítimo tango pode ofertar, a Gain vai FUNDO nessa skin argentina e entrega uma performance hipnotizante, que magnetiza qualquer ouvinte para ELA e o que quer que ela esteja cantando. “Irreversible” é a Gain aliando seu belo timbre com um instrumental refinado, e usando suas habilidades e o passe livre para conceitos mais adultos do BEG para fazer algo emblemático, que dá um pau em quase toda música feita por latinos (E isso se estende por todo o EP de estreia). Que 2026 marque o retorno da comadre para o K-pop servindo um bopzão elegante e magistral como esse.

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