ALBUM REVIEW: Yena – LOVE CATCHER

A YENAMANIA continua, seja pela falta de lançamentos que me interessem essa semana (Claramente o K-pop estacionou por conta do BTS voltando na sexta) ou por “Catch Catch” seguir como uma das músicas mais viciantes do K-pop esse ano. A crescente dos números no Spotify e as beiradas no Melon mostram que a Yena está com um hit nas mãos, mas será que o EP “LOVE CATCHER” tem mais a oferecer? Fui ouvir o mais recente mini álbum da comadre e a resposta, infelizmente (mas não surpreendentemente), é NÃO:

Artista: Yena
Álbum: LOVE CATCHER
Lançamento: 11/03/2026
Gravadora: YH Entertainment
Nota: 71/100

Um dos motivos para eu nunca ter interesse em ouvir com mais atenção um álbum de solista do IZ*ONE é que nenhuma delas parece ter muita gana (Ou uma equipe com investimento pesado) para fazer algo que me surpreenda. Tem uma ou outra pérola no meio do caminho, como “Croquis” da Eunbi e “I Don’t Wanna Know” da Chaeyeon, mas no geral todo mundo parece se preocupar em cumprir seu papel sem grandes riscos. Nunca será muito ruim, mas também nunca será muito bom. Até mesmo a Yena, que tem uma direção artística bem diferente das outras ex-IZ*ONE, não me dá grandes expectativas com seus álbuns, e “LOVE CATCHER” não dá nenhuma razão para pensar diferente.

“LOVE CATCHER” captura bem a essência de um álbum da 2ª geração do K-pop: Tem um conceito sólido e marcante para criar músicas até a página 2, e depois soca fillers o suficiente para chamar de álbum. “Catch Catch” e “Spring Fever” são duas grandes contribuições para a persona pop super açucarada e J-popish que a Yena vem criando com mais intensidade nos últimos comebacks, com a faixa principal indo além e abraçando o espírito caótico e carismático das farofas da 2nd gen do K-pop que beberam da fonte electropop japonesa da época, mas o resto do álbum pouco conversa com isso e só se preocupa em não ser tão ruim assim. Daí temos um álbum que até é bom, mas boa parte dele é irrelevante se você não tem qualquer ligação ou simpatia pela Yena em si.

Porém, eu tenho que destacar uma coisa: O quão “IU” a Yena consegue ser nesses fillers. Especialmente nas faixas com mais orquestra como “April’s Cat” e “Question Mark”, dá para notar que a Yena é bem “fangirl” e extrai tudo que há de bom na performance da eterna irmã mais nova da nação, adaptando bem para esse timbre mais agudo que ela tem. É fofo e tem um toque de ternura e inocência que cativa qualquer ouvinte, e fica ainda mais apaixonante em duetos românticos como o que ela fez com o Paul Kim no final do álbum. Porém, o single principal é muito mais relevante, e é o que eu carrego para minha playlist nesse comeback.

A sensação final é que o 5º mini álbum da Yena poderia ser o 1º ou o 10º mini álbum de qualquer idol solo no K-pop, porque ele é bem padrão. A Yena tem uma voz de charme peculiar que a gente não vê muito no K-pop atual e ela usa isso de forma inteligente, dando mais personalidade ao trabalho como um todo. Mas as produções são de um EP comum que, no papel, poderia ser de qualquer gatinha emergente na indústria, não servindo nenhuma música mais destacável que o single. A faixa principal é mais ambiciosa e empurra todo esse comeback para a gente saber qual é a faixa que temos que ouvir no repeat insanamente, e o resto do álbum não ofende se você decidir ouvir. Cumpre seu papel, e isso aparentemente acaba sendo o suficiente para as gravadoras no K-pop.

Faixa a Faixa

O EP já começa com o single “Catch Catch” que ainda é um arraso. Acho que boa parte da fanbase que não entende toda a aclamação em cima da maior farofa trash autotunada 2010-ish recente, mas essa é justamente a graça de “Catch Catch”: Não se levar a sério. O instrumental é uma mistura de sons e sintetizadores eletrônicos enérgicos, tem uma letra bobinha com um trocadilho atrevido envolvendo brincar de pega pega e a performance bem aguda e fofinha da Yena na música inteira, esse é o combo quirky de electropop que todo sommelier de K-pop da 2nd gen ansiava em ouvir novamente na Coreia e a Yena serviu com gosto. Extremamente divertido e um dos grandes destaques de 2026.

A seguir temos “Spring Fever”, que tem uma vibe J-pop idol raiz mais forte. O instrumental resgatando bits de videogame e o vocal ainda mais agudo da Yena é exatamente o que alguma coitada em alguma esquina de Akihabara lançaria com um figurino madoka magiquesco e um sorriso no rosto, mas um pouco melhor dosado para agradar o fã médio de K-pop. Eu dispensaria os dois rappers da música que não tem nada a ver com nada, mas não afunda (tanto) “Spring Fever”, que é uma experiência adorável no fim do dia. “Sticker” já tira a Yena da fantasia idol japonesa e é um pop/rock 101 que sai semanalmente na Coreia. Nada de ruim para falar da música em si, mas a sensação dessa ser a quadragésima vez que lançam esse mesmo pop/rock no K-pop tira qualquer atenção que poderia dar para essa canção.

“April’s Cat” é uma baladinha emotiva que também é meio 101 no K-pop desde sempre mas, no primeiro play que dei nesse EP, soou bem mais fresh que o pop/rock anterior (Para vocês verem o nível de saturação que estou com esse estilo no K-pop). A voz da Yena ficou interessante nesse instrumental mais orquestrado e a gata convence muito na interpretação, com um toque puro e inocente que é charmoso. Fillerzão no fim do dia, mas bem agradável. Fechando o álbum temos o dueto retrô/jazzy com o Paul Kim “Question Mark”, que flerta muito com o que cantores/bandas pop/rock japonesas andam fazendo nos últimos anos. De todas as parcerias do álbum, o Paul Kim consegue ser o mais relevante por colocarem ele para cantar junto com ela e criar uma atmosfera romântica de musical da Broadway que é cativante, e gosto muito quando o piano ganha destaque durante a música. Um final sofisticado e carismático para um EP que consegue ter todo o charme da 2ª geração do K-pop.

Concluindo…

“LOVE CATCHER” é um álbum mais preocupado em ser competente do que icônico. Faz bem o que se propõe, mas é evidente que botaram todas as fichas na esperança de “Catch Catch” ser o novo viral da nação.