Do pior ao melhor: Ranqueando os singles da carreira do Ladies’ Code

O bom do kpop desovar girlgroups de meio de tabela e de terceiro escalão regularmente há uns 15 anos é que SEMPRE terá alguém para lembrar de um grupo que está perto completar 10 anos desde o fim das atividades. O meu girlgroup é o Dal Shabet, e o Ladies’ Code é da pessoa que me mandou um gostoso pix para revisitar e comentar os singles que esse pequeno grupo da Polaris desovou no K-pop na década passada.

Antes disso, um disclaimer: Não vou comentar nenhuma das músicas que viraram single por conta da morte da EunB e Rise, porque acho que o sentimento e comoção que tanto “I’m Fine Thank You” (Que, na verdade, era uma b-side que acabou se destacando demais por se encaixar como “música para confortar” os afetados com a notícia do acidente e das mortes) quanto “I’ll Smile, Even If It Hurts” carregam ultrapassam as músicas em si. Particularmente, seria muito injusto ranquear e avaliar de forma padrão músicas que ganharam luz justamente por conta da tragédia, e eu prefiro deixá-las como respeitosas menções honrosas aqui. Explicações dadas, vamos ao post:

Nenhum

O Ladies’ Code tem uma discografia bem curta e o pessoal por trás se preocupava em fazer delas um grupo mais refinado, seja nos primeiros singles mais explosivos e “idol” ou nos últimos trabalhos mais amadurecidos. A margem de erro era mínima, e o Ladies’ Code não acertou essa margem em nenhum momento. E o que poderia ser questionável acaba ganhando níveis com a capacidade vocal do grupo, que é bem subestimada entre os fãs de vocais e sustenta toda essa persona retrô dada ao Ladies’ Code com muito talento. Se você está cansado de girlgroups da voz branda e quer ouvir vocais mais carregados conduzindo ótimos números retrô, esse post será essencial para sua playlist

Hate You

“Hate You” é um trabalho mais interessante pela estética mais macabra do que pela música em si, que parece precisar ser “mais cozinhada” para acontecer. Os versos pop no violão são simples e a coisa mais legal da faixa, mas ela perde a mão nos elementos eletrônicos generiquíssimos que não conversam com o que foi feito antes, e ainda rola um autotune (!!) totalmente aleatório que deixa a música ainda mais meh. O conjunto da obra não é condenável e vale dar uma conferida nos visuais mais dark do MV, mas a música em si é o single mais qualquer coisa da carreira do Ladies’ Code.

The Rain

“The Rain” traz a consistência para o rebrand mais elegante e R&B do Ladies’ Code como trio, tem um instrumental delicioso de se escutar e as meninas fazem um bom trabalho como um todo, mas o refrão de “The Rain” é algo que não cola comigo de jeito nenhum. Não quero soar insensível (Pois tanto essa como “Galaxy” carregam um certo “luto” pela morte da Rise e da Eunbi), mas esse refrão simplesmente não é… triste o bastante para ser tocante, sabe? Os versos fazem um trabalho interessante, mas não sinto a melancolia e distância que a música se propõe a ter no refrão, e o resultado é um 7/10 satisfatório que não me dá muita vontade de ouvir de novo. É uma boa música e tem uma galera que vai amar ouvir pela primeira vez, só sinto que não vai muito além disso.

Set Me Free

O último single da carreira do Ladies’ Code é um resgate espírito disco, modernizando a coisa toda com sintetizadores EDM que eu não sou muito fã (Principalmente no pós refrão que é bem qualquer coisa). A intro promete uma coisa e vem outra quando elas começam a cantar, e o desejo que fica é que a música mergulhasse no retrô e servisse a música disco mais quente de um girlgroup de K-pop. Apesar disso, “Set Me Free” segura as pontas através dos vocais do trio, que trazem de volta a vibração e energia dos primeiros singles do grupo e transforma “Set Me Free” numa faixa carismática. Nada grandiosa, mas super simpática.

Bad Girl

“Bad Girl” é uma versão bruta da visão de divas retrô que a Polaris tinha para o Ladies’ Code. O instrumental começando com o delicioso, o drama e potência que as vocalistas imprimem para a faixa, a entrada do sax no pré-refrão e o tom subindo para criar um refrão icônico. “Bad Girl” se desenvolve pelas referências mais clássicas e palatáveis do jazz na música pop e, mesmo que a música pareça algo que possa ser cantada por qualquer grande vocalista na Coreia (Esse instrumental seria ouro nas mãos do SPICA ou da Ailee do velho testamento, por exemplo), “Bad Girl” introduz muito bem o potencial que o grupo tinha com uma melodia adorável. Deve estar no hall de melhores debuts do K-pop para uma galera aí.

Pretty Pretty

“Pretty Pretty” ainda mantém a pegada jazz/funky do debut, mas de um jeito mais colorido e extravagante que é igualmente cativante. “Pretty Pretty” faz o básico do que se espera de um número retrô puxado para o jazz/funk, com o conjunto vocal entusiasmante do Ladies Code elevando a experiência com adlibs e notas altas a torto e direito. Era uma época diferente onde a indústria exigia pelo menos UMA grande vocalista para sustentar números retrô glamurosos ou tornar demos mais padrão nesse conceito mais memoráveis, e o Ladies’ Code mostra nessa música que tinha os vocais certos para serem as novas promessas retrô do K-pop.

Feedback

“FEEDBACK” é mais certeira no resgate ao espírito retrô do Ladies’ Code, especialmente pela guitarrinha funky deliciosa conduzindo a música toda e a ponte jazzy perfeito para os vocais do trio. Um “back to basics” que não soube valorizar na época do lançamento, mas envelheceu muito bem ao longo dos anos. “Feedback” é música para ouvir bebendo um vinho, curtindo as luzes da noite na cidade, viver um dia de diversão e descontrair com as amigas por aí. Só não coloco como perfeita porque ACHO que ela chegaria nesse patamar se tivesse um pouco mais de energia e me desse vontade de dançar por aí, mas isso sou eu sendo detalhista. Para “curtir a vibe” e rodar a cidade por aí, “Feedback” é uma delícia.

Kiss Kiss

Eu diria que “KISS KISS” é o momento mais “bagaceiro” e descontraído dos singles do Ladies’ Code, misturando elementos eletrônicos clássicos de um grupo de terceiro escalão do K-pop com música disco e uma guitarrinha funky sem muita preocupação mas com uma execução perfeitinha que me dá muita energia para dançar e limpar meu quarto toda vez que ouço. Cada parte dessa música é deliciosa por conta própria: Os versos são viciantes, o refrão é um sing along delicioso, eu amo quando os wob wob brilham depois do segundo refrão e a ponte onde as gatas sobem o tom na guitarra e elas ganham mais gosto em se exibir vocalmente transforma a parte final em puro luxo. Muito bom lembrar que “KISS KISS” é um dos melhores trabalhos retrô do K-pop na década passada.

So Wonderful

Seguindo com a disco music mas numa performance mais dramática, “So Wonderful” é outra jóia do K-pop retrô. Aqui, o Ladies’ Code desabrocha sua diva interior e nos leva para o auge dos anos 70 com essa melodia dançante e vocais cristalinos, especialmente no refrão deliciosamente sing along. E a ponte dessa música é uma das melhores, misturando versos rápidos (Não sei se é propriamente rap, mas vai né) e notas altas que dão uma adrenalina perfeita para o refrão final ser o ápice com uma leve desacelerada seguindo de adlibs lindos. Perfeita do início ao fim, “So Wonderful” é, de fato, Wonderful.

Galaxy

Se propor a voltar depois da tragédia que matou 2 integrantes do grupo é arriscado pois, conhecendo a falta de noção de empresas de K-pop mais fundo de quintal e dependendo do que fosse feito, poderia soar desrespeitoso em níveis se elas tivessem, pelo menos, mantido o clima mais colorido e quente dos primeiros singles. Então GRAÇAS A DEUS o Ladies’ Code voltou de forma mais desacelerada, R&B e amadurecida para evoluir de forma primorosa a imagem do grupo. Amo o quão hipnótico e envolvente é “Galaxy”, e o sentimento é um dos mais únicos que tenho ouvindo algum K-pop. Sabe quando uma música te leva para um canto mais vulnerável e proporciona um momento de introspecção, encarando pensamentos mais errados que você precisa encarar para crescer enquanto indivíduo? É isso que sinto com “Galaxy”. Incrível.


Esse post foi bancado por um pix delicioso para relembrar a carreira desse pequeno grande grupo. Se você quiser bancar um post desse blog e/ou quer ajudar um gay a ter verba para manter o blog em tempos de desemprego, você pode mandar um pix na chave: dougielogic@gmail.com. Você também pode seguir o blog nas redes sociais como InstagramBluesky e X/twitter.

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