ALBUM REVIEW: ITZY – Motto

Essas últimas semanas estão sendo INSANAS com a quantidade de álbuns lançadas para um blogueiro que só se propõe a ouvir e fazer posts no fim de semana, resultando em muitos rascunhos e poucas publicações de um homossexual com sérios problemas de foco nesse sentido. Mas, aos poucos, essas reviews ganham forma e resultam em posts como esse, sem qualquer timing com o comeback (O ITZY ainda está promovendo “Motto”?) mas que ainda sinto que algo precisa ser dito.

Então, sem mais delongas, vamos falar sobre o DÉCIMO SEGUNDO (jss) EP do ITZY, que não é tão bom quanto os anteriores numa tentativa de agradar todas as massas que soltaram a mão delas há uns 4 anos e se recusam a segurar novamente:

Artista: ITZY
Álbum: Motto
Lançamento: 18/05/2026
Gravadora: JYP Entertainment
Nota: 71/100

Sem qualquer fio condutor além do lema “Eu sou mais eu” que o ITZY usa desde o debut, “Motto” pode ser qualquer coisa… E acaba sendo de tudo um pouco. O single é um synthpop bubblegum mais povão, “Glitch” assume uma persona mais mística com uma batida eletrônica travada, “you And I” vai para um lado hip hop mais sutil e… “experimental”? E aí tem os solos, que assumem diferentes estilos pop e hip hop. Queria pelo menos que tentassem me enganar falando que o “Motto” tem alguma mensagem amarrando o álbum, mas é uma playlistzona mesmo e o ITZY disse “SIM” para qualquer coisa que falassem para colocar na tracklist.

Hoje em dia eu tento não me incomodar tanto com álbuns montados no aleatório e sem um grande propósito pois o K-pop é isso aí, e se eu esbarrar em um álbum minimamente amarrado e com alguma coesão, estarei no lucro. Mas, no caso do “Motto”, isso claramente era para ser um single album que a JYP aproveitou para socar os solos das integrantes rodando pela turnê e cobrar como se fosse um EP. E lotar ele de solos deixa o lançamento ainda mais… “filler”.

O que fez o 2025 do ITZY tão bom foi o fato dos EPs parecerem ter uma razão de existir, seja indo para um lado fritação homossexual em “Girls Will Be Girls” ou pelo caos e confusão proporcionado em “Tunnel Vision”. “Motto”, por outro lado, parece uma espécie de obrigação contratual onde 1) A JYP tem que garantir que essas meninas lancem algum solo sem, necessariamente, promover uma carreira solo e 2) O ITZY precisa lançar uns 2 álbuns por ano. Não existe nenhum foco ou nada que me faça aclamar o “Motto” como álbum.

Por isso, “Motto” depende muito da força das músicas individualmente para acontecer como álbum… E, chocantemente, tem muita coisa legal acontecendo. As 3 faixas do grupo funcionam em suas propostas e todos os solos mais intensos do álbum são bem divertidos (Embora os solos da Yeji e da Ryujin meio que necessitavam passar dos três minutos para abalarem MESMO), com os mais sentimentais sendo qualquer coisa mas sem ofender em qualquer momento. Mesmo que “Motto” se distancie quase que por completo do que foi feito em 2025, a JYP pelo menos se preocupou em manter as músicas, no mínimo, aproveitáveis.

“Motto”, para todos os efeitos, é mais um bom álbum do ITZY, mas é bem menos memorável que os 2 EPs de 2025 do grupo. É o tipo de álbum que você extrai as músicas dele e dispensa o resto, não criando qualquer interesse em ouvir ele do início ao fim. Pessoalmente eu acho triste, pois estava muito empolgado com a persona construída ano passado e não queria elas escanteando isso em prol de uma música que possa fazer elas irem além do Top 200 do Melon (Spoiler: Não foi além), mas me conforta saber que até um EP menos esforçado como esse tem músicas boas para colocar na minha playlist.

Faixa a Faixa

O álbum começa com “Motto”, que é o ITZY indo para as massas no synthpop mais radiofônico da carreira do grupo. Não existe nenhuma ousadia no instrumental, alguma vocalista berrando aleatoriamente ou qualquer virada disruptiva transformando a música em outra coisa. É o meu single favorito do ITZY? Obviamente NÃO, mas é catchy, cativante e será o single favorito de quem acha que elas só lançaram porcaria nos últimos anos. “Glitch” faz tudo que espero de uma música com esse nome: Um pop cheio de elementos eletrônicos que não parecem fazer sentido e proporcionam um pequeno caos eletrônico facilmente solucionável se você apertar o play. “you And I” é a mais inventiva das faixas desse álbum, mas eu nunca fui muito fã desse tipo de instrumental mais “vazio” que a música é durante praticamente toda a primeira metade dele. A segunda metade vai por um caminho hip hop mais interessante, mas isso transforma a música numa album track do NMIXX, basicamente. Não é ruim, mas é a menos essencial das 3 músicas do grupo.

O solo da Yeji “Pocket” é a gata roubando a demo da gaveta de solos da Jihyo e falando “Essa música é minha SIM”, o que não é um problema vendo que a JYP não parece estar tão afim de dar um comeback solo para ela tão cedo. É um pop anos 2000 com toques de hip hop latino que é sempre dançante e bem vindo na minha playlist, mas poderia ter colocado uns 40 segundos a mais para servir um saboroso e mágico single saído de 2004, né?! Já “ASYLUM” é o ballad pop/rock emotivo e vocal feito unicamente para promover a Lia como vocalista. Em algum momento a Lia debutará como solista com uma música tão água com açúcar quanto, então é uma forma de nos prepararmos para sentir a conexão que teremos com a Lia quando ela partir para valer na sua jornada solo (Ou simplesmente dormir ouvindo essa música).

“LOOK” brinca com os momentos eletrônicos mais lúdicos do pré-refrão com as batidas industriais que o resto da música, fazendo da Ryujin uma gatinha edgy que serve música eletrônica safadíssima para homossexuais de ZIG da vida. De todos os solos, é o que mais parece fazer sentido com o ITZY de 2025 e, por consequência, é o solo mais empolgante desse álbum. Mas, já que a música luta para ter 2 minutos, o pancadão poderia ser mais apocalíptico para mudar a minha vida mesmo. “Undefined” da Chaeryeong é uma música que… existe, eu acho. Entendo a ideia pop mais jazzy do instrumental e a proposta de mostrar a Chaeryeong como uma vocalista mais interessante sem cair no clichê de baladão ou faixa lenta que a Lia caiu, mas eu gostei mais da teoria e a execução é bem esquecível. Por fim, “Tangerine” da Yuna é um synthpop mais colorido e oitentista, que conversa com o que ela fez no EP que ela ganhou solo esse ano mas de um jeito muito mais retrô. Uma música adorável com um refrão retrô mágico que combina com a persona fofa da Yuna, mas a música é batidíssima se você está cansadinho desse tipo de synthpop no K-pop.

Concluindo…

“Motto” é o melhor álbum esquecível do K-pop esse ano. Você não passará raiva ouvindo, mas dificilmente pensará nele na hora de ranquear os melhores álbuns da Coreia do Sul em 2026.

Um comentário sobre “ALBUM REVIEW: ITZY – Motto

  1. não tem explicação. tirando o viral absurdo de that’s no no, o itzy foi um dos grupos que introduziu ano passado essa onda dance/house que o k-pop tá tendo o prazer de ter e ao invés de afundar o grupo de vez no eletro-pop eles matam todo hype com um comeback água de chuchu desses?

    a real é que a jyp já sabe que o itzy é um retorno muito seguro pra empresa e matou qualquer ambição do grupo voltar com seus dias de glórias

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