ALBUM REVIEW: Yukika – SOUL LADY

Acho que umas duas pessoas ainda esperavam uns comentários sobre “SOUL LADY”, da Yukika (Mentira, recebi uns 20 likes no twitter quando anunciei que estava escrevendo isso aqui), então acho justo fazer uma maravilhosa review do álbum de estreia da Yukika, até por ele ser uma das melhores coisas que o K-pop soltou em 2020. Pessoalmente tem um álbum que consegue superar o Soul Lady (Não vou soltar nomes pois pretendo soltar uma review também… shh, não estraguem a surpresa), mas não vou condenar ninguém que considere esse o álbum do ano, ok:

Yukika-Soul-Lady
Sobre-o-Álbum.png

No K-pop já vivemos algumas experiências com diversos artistas e grupos explorando um pouco o City Pop, gênero musical muito popular no Japão durante a década de 80 e que ressuscitou há alguns anos para os mais hipsters depois que o algoritmo do YouTube decidiu que todo mundo devia saber da existência de “Plastic Love”, da Mariya Takeuchi. Porém, nunca tivemos um trabalho mais consistente voltado para o City Pop no K-pop: Ou as músicas surgiram como meros singles (Ótimos, mas ainda eram somente singles), ou um boa faixa para complementar um EP. Mesmo com esse revival, ninguém na Coreia se mostrou disposto em investir em um álbum conceituado especificamente no City Pop… Então surgiu a Yukika, que veio do Japão para a Coreia e, literalmente, mostrou como se faz com “SOUL LADY”.

A ideia de “SOUL LADY” é mostrar um álbum com a alma da Yukika e mostrar a viagem e os desafios de uma japonesa em Seul sem perder a sua essência e bagagem japonesa, justificando o trocadilho entre SOUL e SEOUL no nome do álbum (“Seoul Lady” é o nome em coreano do álbum). Toda a atmosfera delicada, sofisticada e conceitualizada no City pop mostra toda a ambição e ousadia da jovem japonesa em mostrar um pouco do que pode oferecer em território coreano. E esse “choque de culturas” acaba resultando em um álbum único, jovem e fácil de escutar por completo e sentir a história que ele transmite. E os vocais graciosos e fofíssimos da Yukika são a cereja do bolo.

Apesar do álbum ser majoritariamente inspirado no City Pop, “SOUL LADY” também mostra sons mais variados em algumas faixas, como o house em “pit-a-pet” e os arranjos mais acústicos em algumas faixas. Mas tudo é feito para contribuir na história do álbum, enriquecer a experiência e sentir toda a nostalgia que a Yukika quis transmitir viajando no tempo com suas músicas. “SOUL LADY” é um projeto que homenageia o passado, ao mesmo tempo que coloca a Yukika como uma novidade que temos a obrigação de prestar atenção.

Faixa-a-faixa

O álbum começa com a intro “From HND to GMP”, uma intro que representa bem a ideia do “SOUL LADY” com uma jovem camponesa japonesa indo tentar a sorte na Coreia. Com o violino de “NEON” tocando no fundo, ela pega seu vôo no aeroporto de HaNeDa (Tóquio, Japão) e aterrissa no aeroporto internacional de GiMPo (Seul, Coreia do Sul), e aqui começa a nossa aventura. “I FEEL LOVE” é a primeira inédita do álbum, e recebemos nele o já citado City pop em sua forma completa. Para quem conhece o histórico da Yukika, sabemos que as músicas da cantora ganham muitos pontos pela delicadeza que ela coloca em cada trabalho, e não seria diferente com “I FEEL LOVE” e todo o cuidado que ela tem em cantar cada linha adequadamente ao instrumental imersivo e envolvente. A interpretação e os vocais são graciosos e o instrumental é adorável, não tem como não se render a isso aqui.

Depois de um início adorável temos a faixa principal do álbum, “SOUL LADY”. Mantendo a linha city pop, a ideia é mostrar uma Yukika com muita energia e fogo para se tornar uma verdadeira dama de Seul, então o tempo sobe um pouquinho e ganhamos uma faixa dançante para acompanhar toda a confiança da Yukika nessa sua jornada pela Coreia. “SOUL LADY” leva o ouvinte para um novo mundo, onde os sonhos de Yukika serão realizados e a alma da cantora vai superar todas as barreiras através de sua música. É uma faixa que acende toda a animação e traz uma aura incrível, sendo a melhor escolha para promover o seu primeiro álbum de estúdio e mostrar todas as suas armas. Seguindo com o retrô japonês no álbum temos “NEON” e “Yesterday” (Nota: “NEON” não está na tracklist das versões digitais do álbum fora da Coreia, mas segue disponível como single no streaming), desacelerando o projeto e voltando para a linha mais suave e adorável de “I FEEL LOVE”.

O gancho e a ideia de “NEON” como debut é bem clara: Mostrar que a Yukika é diferente de tudo o que vem surgindo no K-pop, com uma letra falando sobre querer estar sozinha pela cidade grande, com luzes de neon iluminando suas noites frias, numa produção que propositalmente ativa um sentimento nostálgico no ouvinte, como se a gente estivesse ouvindo essa música de um vinil ao invés de um arquivo .mp3. Já em “Yesterday”, que foi utilizada como pré-lançamento do álbum, temos algumas das escolhas mais ousadas (E acertadas) do álbum, como o uso de corais, um “rap” e um break com a guitarra brilhando, algo bem característico no City Pop mas que só deu as caras nesse álbum agora. Tudo isso deu um brilho especial para a música, que no geral é a mais tímida do álbum até aqui, mas se torna tão memorável quanto todas as outras quando percebemos esses detalhes.

“A Day For Love” é a primeira faixa mais familiar para o público que não é tão ligadinho assim em City Pop, sendo um pop acústico bem inofensivo, mas que se beneficia pela atmosfera do álbum e pela posição na tracklist. Normalmente a gente encontra músicas como “A Day For Love” no final de EPs pop, meio que preenchendo o álbum em si e não soando como parte do projeto, mas “A Day For Love” surge aqui como uma novidade, algo inesperado, e que mesmo assim faz parte do universo que “SOUL LADY” criou até o momento, continuando com a delicadeza, sofisticação e vocais doces da cantora. E depois de 3 faixas mais lentas, temos a farofinha house “pit-a-pet” mostrando mais um pouco da versatilidade de Yukika. Eu sempre me rendo a esses números voltados para performances e coreografias marcadas nas pistas de dança, e apesar de “pit-a-pet” não ser a coisa mais inventiva do gênero, ela ainda é uma ótima faixa que me lembra outras ótimas faixas no K-pop (A trilogia de debut do GWSN e as melhores do Loona me vêem a mente ouvindo essa música). Das poucas faixas não promocionais do álbum, “pit-a-pet” é o grande destaque pra mim.

“Cherries Jubiles” volta com tudo para o City Pop, em mais uma faixa projetada para ser transmitida em alguma estação de rádio dos anos 80. Algo que eu não comentei até agora é que a Yukika não tem exatamente o vocal mais marcante ou forte que você irá ouvir, mas é algo tão gostoso de ouvir que, em toda música desse álbum, eu sinto uma paz no coração, como se ela estivesse me abraçando com muito amor e carinho. Com isso em mente, “Cherries Jubiles” é a faixa que mais me traz essa sensação confortante, como se eu estivesse em um final de tarde com uma garoa leve caindo na varanda, tomando um chá e deixando essa música tocar de fundo. E depois dessa música a tracklist do álbum fica meio estranha pois temos 2 interlúdios, 2 remixes e 1 faixa inédita. Ouvindo o álbum tudo faz sentido e não compromete em nada a qualidade do mesmo, mas fica a sensação de que eles foram colocando mais coisas na tracklist só para conseguir vender como um álbum completo mesmo.

“I Need A Friend” é o primeiro interlúdio do álbum, onde Yukika está conversando com um cara que só adia os compromissos que tem com ela. O instrumental de fundo é uma delicinha, e merecia ser estendida para uma faixa completa, mas funciona como uma ótima intro para “SHADE”, uma faixa sobre o término do relacionamento introduzido nesse interlúdio. Apesar de várias faixas desse álbum não serem dançantes, esse é o único momento em que podemos ouvir uma Yukika triste, reflexiva e expondo sentimentos mais tristes, justificando tanto os vocais quanto o instrumental mais melancólico. E, claro, sem sair da atmosfera retrô que o álbum construiu muito bem, se tornando outro grande destaque das faixas inéditas do SOUL LADY. “All flights are delayed”, na prática, encerra o álbum, com um instrumental tranquilo e profundo, e Yukika descreve essa música como “A vontade da protagonista do álbum de voltar para o Japão após passar por tantas dificuldades na Coreia, mas todos os vôos foram adiados. Isso conclui a história do álbum, deixando o ouvinte na dúvida se ela decidiu ficar ou não na Coreia”. Encerrando o álbum temos 2 remixes: “NEON 1989”, uma versão mais dinâmica e moderninha de “NEON”, e a versão acústica de “Cherries Jubiles” com ela e um violão.

Concluindo.png

“SOUL LADY” é o tipo de álbum que é fácil de ouvir. Nada nesse álbum é experimental ou agressivo, com batidas muito fortes ou coisa do tipo. “SOUL LADY” não te desafia a ouvir  é um álbum que aposta na harmonia, na suavidade e nas melodias mais leves e confortáveis para se mostrar um trabalho maravilhoso.

4 comentários em “ALBUM REVIEW: Yukika – SOUL LADY”

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