ARASHI fala sobre o legado de Johnny Kitagawa e como o que você vê no asian pop hoje já é feito no japão há décadas

Essa semana o Arashi foi entrevistado pela revista Variety para falar sobre os tópicos quentes envolvendo o grupo: A parceria deles com o Bruno Mars, o futuro hiatus do grupo e a globalização do Asian Pop. No decorrer da entrevista, o Matsumoto Jun falou sobre o legado que o Johnny Kitagawa (Fundador da Johnnys, empresa do Arashi) deixou no pop asiático… E deixou a internet coreana meio p da vida por falar que toda essa globalização do pop asiático é fruto de um trabalho que começou lá atrás com o Johnny introduzindo o conceito de boygroups no Japão:

Na entrevista, o Jun fala basicamente:

“Johnny criou tantas boybands ao longo de seus 60 anos de trabalho e deixou sua marca não só na indústria de entretenimento japonesa, mas também na cultura pop asiática em geral, mesmo fora do Japão, [visível na] ascensão dessa geração pop asiática. O que você vê agora com grupos não japoneses realmente encontrou suas raízes no trabalho que o Johnny fez na década de 1960.

O que existe é um sentimento de orgulho de que a arquitetura que o Johnny construiu por décadas agora está começando a cruzar as fronteiras. Mesmo que não seja feito pelo Johnny, por si só, o legado continua e está vivo e bem”

Você pode conferir a entrevista completa do Arashi para a Variety (em inglês) nesse link

Na prática, ele quis dizer que aprecia essa expansão do pop asiático como uma recompensa pelo trabalho duro que o Johnny fez lá atrás, e que se não fosse por isso essa cultura idol e de boygroups na Ásia (Sendo mais específico, no K-pop) não existiria… E ele não está mentindo. Não é nem novidade que a cultura idol japonesa foi uma base para o início da indústria idol coreana, com a Coreia planejando (E conseguindo) a expansão de seus grupos pela Ásia e, atualmente, pelo mundo. O K-pop começou cheio de referências e ideias de outros lugares (O próprio Lee Soo Man fala disso, se não me engano) até desenvolver sua própria identidade e marca pelo mundo, e não tem nada de errado nisso.

Mas é interessante como existe essa necessidade de debater esse pioneirismo. Isso não só pelo Arashi, mas até dentro da fanbase mesmo com coisas do tipo “BTS paved the way” ou “Se não fosse os grupos da 2nd gen o K-pop não teria a popularidade de agora”, ente coisas desse nível. Tipo, nada disso é mentira, com cada geração subindo um degrau e elevando o K-pop para um novo nível, mas ao invés de juntar tudo numa única história para desenvolver uma linda linha do tempo sobre como o K-pop cresceu nesses seus 25 anos de história, o pessoal se estapeia querendo provar que o fave inventou a música pop ou coisa assim. Não vou ser a pessoa mais racional nesse post pois adoro um barraco desse tipo (Se me perguntarem eu falo que não existiria o BLACKPINK se o Dal Shabet não lançasse Someone Like U e quero ver alguém dizer que estou errado), mas no caso do Jun ele está em uma entrevista e respondendo formalmente uma pergunta profissional, enquanto a gente só precisa de um tweet que não concordamos muito para pistolar na internet sobre esse assunto.

Um outro ponto interessante da entrevista é quando o Jun fala sobre a dificuldade que eles, como um grupo japonês, tem encontrar um equilíbrio entre as expectativas da fanbase tradicional japonesa e da fanbase internacional:

“Quando [nossa turnê ao vivo] ‘Untitled’ foi postada em nosso canal do Youtube, eu tinha certeza que haveria reclamações. Porém, por volta das 11 da manhã eu fiquei sozinho lendo os comentários e chorei durante 3 ou 4 horas [Por conta da reação positiva dos fãs tradicionais do grupo].

Nós não queremos desrespeitar os nossos fãs que nos apoiaram fielmente durante esses 21 anos, especialmente depois de todo amor e suporte que eles nos deram.”

Isso não é uma situação exclusiva do Arashi, mas uma barreira para todo o J-pop. A indústria japonesa e a própria população não vê necessidade em se expandir globalmente, então esses movimentos e parcerias fora do Japão (Como essas colaborações internacionais ou a disponibilidade de discografias para o streaming globalmente) são ainda mais importantes para a fanbase internacional. Existem muitos conflitos e tradições que acabam barrando a expansão do J-pop para o mundo de uma forma tão forte quanto no K-pop, mas não é como se os artistas de sucesso lá precisassem de mais popularidade fora do Japão também. Só é uma pena para a gente mesmo, afinal vai uns dois rins da pessoa para conseguir importar um álbum japonês.

2 comentários em “ARASHI fala sobre o legado de Johnny Kitagawa e como o que você vê no asian pop hoje já é feito no japão há décadas”

  1. ai…ai… vi a declaração desse camarada e concordei bastante quando vi a parte. Mas infelizmente a galerinha nova do kpop e adoradores de um certo grupo tentaram fazer birrinha.
    Mudando um pouco de assunto: eu sinceramente não sei qual a birra que as pessoas tem com jpop e suas raízes do Japão. Sendo que a ideia tá e foi parar na Coreia. Eu fico constrangida, porque o que me fez inclinar para o kpop foi justamente meu contato com um pouco de bandas japonesas e músicas deles em geral. E as pessoas enchem textos carregados numa ignorância, que minha nossa…o triste é nem serem novos, e sim velhos e entendidos. Pode não ser um estilo tão frequente assim, mas tenho enorme respeito e tals. Mas os kpop médios não.

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    1. O que é uma pena, porque embora o k-pop e o j-pop não se misturem com muita frequência, é sempre muito legal quando isso acontece.

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