Review Retrô: Quando o S.E.S andou para Kwangya poder correr em “Dreams Come True” (1998)

Eu perdi totalmente o timing de comentar um pouco sobre o “Dreams Come True” pois, recentemente, a SM lançou a versão remasterizada do MV e anunciou um cover que o aespa vai mandar em dezembro dessa música. Mas esse blog nunca fez muita questão de comentar no timing certo as coisas (Ainda mais agora nessa vida de assalariada), então vamos aproveitar que estou com pique para escrever posts nesse meu domingo de folga para fazer um review retrô BEM retrô, viajando até 1998 e comentando esse que é um dos lançamentos mais populares da 1ª geração do K-pop:

Nunca tinha escutado alguma coisa do S.E.S. com muita atenção antes porque, bem, nunca tive aquele interesse no S.E.S. como eu tive no Fin K.L (Por motivos de: Lee Hyori) ou no Baby V.O.X (Porque elas tem músicas crocantíssimas para um girlgroup de K-pop da 1ª geração). O mais perto que cheguei delas foi no cover que o Red Velvet fez de “Be Natural” e no revival do grupo com “Paradise” que, apesar de ótimo, nunca me fez ir além com o grupo. Então, quando saiu essa versão remasterizada, encarei como uma oportunidade: “Dreams Come True” é uma das mais aclamadas delas pelo meu círculo de cacuras do twitter, então se eu ouvir a achar bom tudo bem, vou caçar mais coisas delas. Se não, deixo pra lá.

A música é mais uma do gênero New Jack Swing, que foi um fenômeno na Coreia lá nos anos 90 e todo grande grupo lançava no K-pop da época porque todo artista de Hip Hop tinha um New Jack Swing hitando nos Estados Unidos e o K-pop adora importar as demos do momento por lá, e hoje em dia é até retrô e uma boa forma de reviver os velhos tempos entre os coreanos. A SM mesmo usou e abusou do New Jack Swing na 1ª geração, e não duvido da discografia do S.E.S ser cheia dessas também.

O diferencial de “Dreams Come True” é que ela não mira exatamente no hip hop. Aqui o S.E.S não se vende exatamente como as grandes periféricas de Seul e estão servindo visuais de evangélicas que vão ao convento todo domingo cantar no coral penitenciário do IZ*ONE, então “Dreams Come True” acaba indo por um lado mais leve e pop. Ela me lembra muito “Baby One More Time” da Britney Spears nesse quesito: A gente sabe das referências que as músicas possuem, mas ainda assim buscam ir por uma linha mais pop e chiclete. São muitas boas ideias envolvendo esse single do S.E.S., desde os vocais mais processados até o instrumental e os sintetizadores que criam toda uma atmosfera mais leve e mágica em cima desse lançamento. E o “rap do ET” foi algo que me pegou de surpresa e eu curti muito.

O MV é bem aquilo que os anos 90/início dos anos 2000 estava servindo como parte do movimento Y2K: Cenários futuristas, efeitos especiais, visuais e elementos mais ousados e transgressores e toda uma estética de como seria o futuro para o pessoal daquela época, esperando que em 2020 a gente se comunicasse com alienígenas e viajasse para outros planetas e recebendo cloroquina e velhos mau caráter comandando as mais diferentes nações no meio de uma pandemia.

Exemplos famosíssimos do que foi o Y2K

É um MV muito bem produzido para a época, mas assistindo ele me deu uma impressão de assistir um MV desse universo Kwangya que a SM vem construindo recentemente. Não é novidade que toda essa ideia futurista e cibernética de Kwangya nada mais é do que a estética Y2K mais polida e com uma história ao invés de referências mais genéricas como robôs, naves especiais e/ou aliens. O ponto aqui é que, se a SM quisesse, poderia investir na fanfic e falar que “Dreams Come True” faz sim parte do universo de Kwangya (E conhecendo o bando de maluco que é mente criativa da agência, é bem capaz de falarem que faz parte mesmo).

“Dreams Come True” é um lançamento MUITO bom. A SM já ostentava orçamento em 1998, e o fator nostalgia eleva ainda mais a experiência da música que GRITA anos 90 e faz ela ser ainda mais querida por quem curte ter esses sentimentos de “Ah, que saudade dessa época que nunca vivi”. Isso me deixa muito curioso para saber como vão estragar reinterpretar essa música em 2021 nas mãos do aespa mas, acima de tudo, me deu coragem de ouvir outras músicas do S.E.S. Afinal, música boa nunca é demais, independente da época que vem.

Para mais velharias sendo ressuscitadas e comentadas como se fossem grandes novidades no mundinho K-pop, siga o Pop Asiático.jpg no twitter: @popasiaticojpg

3 comentários em “Review Retrô: Quando o S.E.S andou para Kwangya poder correr em “Dreams Come True” (1998)”

  1. Eu vi essa música pela primeira vez cantada pelo cover que rolou do Red Velvet + Twice de final de ano. Tinha achado legal o instrumental, mas não encontrei de primeira a música_ só depois que vi o robozinho, e a galera usando isso pra debochar da música, mas sendo que em 2021 iriam ficar cantando pra naevis_

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  2. A SM sempre teve isso de fazer os artistas deles parecerem seres sobrenaturais/super-humanos e eu acho isso demais. Acho que os grupos que menos tiveram esse tipo de conceito foram o GG e o F(x), mas o resto sempre teve essa estética bem presente e é legal como eles mantém essa consistência.

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