ALBUM REVIEW: BLACKPINK – BORN PINK

Quando saiu o BORN PINK, todo mundo resolveu comentar o álbum. Dos críticos mais conceituados até os viados mais desocupados da internet, todo mundo ouviu o álbum e estava afim de dar seus pitacos sobre esse álbum, e surpreendentemente a maioria deles foram chutando esse como se fosse o pior álbum da história. Então muitos blinks ficaram ocupados caçando cada review negativa, os primeiros dias desse álbum foram bem caóticos para comentar qualquer coisa sobre ele. Então eu resolvi ficar quietinho no meu canto sobre esse álbum até que resolvi fazer um tweet falando que só falaria desse álbum se me mandassem 20 reais por pix… e não é que mandaram?!

Talvez a pessoa que mandou me odeie a ponto de fazer que eu ouça esse álbum de novo mas, já que pagaram e ninguém fora da fanbase lembra que esse álbum existe para me encher o saco aqui, aqui vai a minha review do 2º álbum do BLACKPINK. Será que todas as críticas sobre o “BORN PINK” são válidas? Provavelmente sim, mas aqui vai minha visão sobre ele:

Artista: BLACKPINK
Álbum: BORN PINK
Lançamento: 16/09/2022
Gravadora: YG Entertainment
Nota: 58/100

Eu fiquei surpreso com o tanto de gente surgindo do nada para esculhambar esse álbum mais que o THE ALBUM, pois a primeira sensação que tive ouvindo é que ele é igual ao THE ALBUM. A maioria das músicas parecem novas versões de músicas do THE ALBUM, sejam elas melhores ou piores do que em 2020. Temos a nova How You Like That, a nova Pretty Savage, a nova Lovesick Girls, as novas faixas esquecíveis que nem os fãs comentam e por aí vai. Por quê então macetar esse álbum mais do que o THE ALBUM? Seria pelo engajamento mesmo ou tem algo no BORN PINK que deu mais errado que o habitual?

Bem, ouvindo hoje, acho que a resposta é: Por mais esforçado que seja, o BORN PINK parece estacionado na própria armadilha que a discografia e as expectativas em cima do grupo criaram para o BLACKPINK. Existe um ou outro momento mais surpreendente no BORN PINK mas, com exceção de “Yeah Yeah Yeah”, nenhuma faixa nele chega a ser 7/10 justamente pelos responsáveis por trás do grupo só conseguirem uma visão do que o BLACKPINK pode lançar. Os exemplos mais fortes disso estão nos singles desse álbum: Por mais que existam referências e truques que tentem fazer “Shut Down” e “Pink Venom” fugirem do habitual, no fim do dia elas viram músicas padrão do grupo que não surpreendem ninguém. Tipo, quem gosta desse BLACKPINK vai gostar desses singles, mas quem já cansou desse template do grupo vai ficar mais cansado ainda ouvindo esse comeback.

Partindo para o álbum completo, temos outro problema: A produção é tediosa. Acho que foi o cara da Pitchfork que mandou o papo desse álbum ser o menos K-pop que ele já ouviu dentro do K-pop, e apesar dessa frase já ser meio manjada se tratando de BLACKPINK ou qualquer crítica que fale de “K-pop se americanizando”, me impressiona que elas parecem realmente fugir de qualquer coisa mais vibrante, exagerada ou colorida que faça a gente lembrar que esse é um grupo de jovens adultas da Coreia. Até vocalmente elas me incomodaram pois é extremamente contido, sem vida e sem emoção na maior parte do tempo. Ok, elas precisam manter a persona de mina fodona na minha área, mas é MUITO chato ouvir essas meninas cantando como se elas não estivessem nem aí porque, na cabeça do Teddy, isso serve atitude. E o pior, os fãs preferem comprar isso do que algo que realmente mostre uma personalidade diferente do grupo.

O “BORN PINK” como um todo me lembra o “COLOURS” da Ayumi Hamasaki: Existem ideias, boa vontade e esforço para fazer algo totalmente novo, mas tem uma âncora (Os fãs e o time de produção por trás de ambas) que puxa o BLACKPINK pra baixo e faz o “BORN PINK” servir a mesma experiência do “THE ALBUM”, que serve a mesma experiência dos EPs do grupo. O álbum da Ayu pelo menos me entretém com músicas assumidamente horríveis que quase vão para o lado camp, mas o “BORN PINK” se leva muito a sério e só é chato de ouvir. Quando o flop bater na porta delas (Ou o disband, que parece mais próximo de acontecer), talvez a gente veja essas meninas experimentando de verdade em músicas que não precisem passar pela mão de ferro do Teddy para serem lançadas, mas até lá esses traps blasé de mina fodona e músicas pouco empolgantes são tudo que o BLACKPINK tem a oferecer para o K-pop.

Faixa a Faixa

O álbum começa com “Pink Venom”, que é o famoso hip hop trap meio étnico com o BLACKPINK gritando que está na minha área sem gritar que está na minha área (Isso elas fazem no outro single). A música vai de 1st gen do K-pop a Rihanna ao próprio BLACKPINK nas referências e é competente na maior parte do tempo. É uma música que se esforça em ser original e trazer uma sensação única, mas no final você sente que já ouviu essa música do BLACKPINK sendo lançada pelo menos umas 4 vezes pelo próprio grupo. Eu tenho que dar uns pontos para “Pink Venom” pois eu acho que é o melhor “BLACKPINK badass” que elas proporcionaram pra mim e eu acho bem melhor do que bombas como “How You Like That” e “Kill This Love”, o que provavelmente significa que vocês devem achar essa a pior música da história pois vocês gostam de me contrariar.

Já “Shut Down” é a pior música da história. Quer dizer, não é a PIOR música da história, mas tenta muito ser. Toda a experiência dessa música é tediosa, desde os mesmos 5 segundos de sample se repetindo em loop até os versos monótonos onde até as integrantes parecem mais cansadas interpretando isso. O refrão é fácil a coisa mais sonolenta do ano pois além de não fugir da chatice dos versos, as próprias não fazem questão de dar uma energia a mais que a música precisa. “Shut Down” estaciona no sample de música achando que isso é o suficiente para dar substância para a música, mas o conteúdo é fraco e o resultado final é decepcionante.

“Typa Girl” é a “Pretty Savage” do álbum, mas repete o mesmo erro de “Shut Down” em não ter energia e atitude. Eu não sei se a ideia era de fazer algo mais fatal e, huh, “adulto” fazendo essa música ser mais cadenciada e carregada, mas toda hora eu fico pensando “Meu deus alguém dá um energético para essas gurias” pois “Typa Girl” simplesmente não sai do lugar. A música não chega a 3 minutos mas parece ter 3 horas de tão chata que é. Depois de tanta música me puxando pra baixo, “Yeah Yeah Yeah” surge como um sopro de ar fresco pois finalmente temos uma música que não tem vocais blindados para servir atitude e temos um pouco de sentimento e energia nesse álbum. É mais uma música que o BLACKPINK costuma lançar em todo álbum e que normalmente morre como uma boa B-side (A única exceção é “Lovesick Girls”), mas essa merece mais destaque por ser o primeiro momento que o BLACKPINK simplesmente segue uma tendência e serve synthpop oitentista como se fosse qualquer outro girlgroup lutando por sua vida enquanto vende 10k na Coreia. “Yeah Yeah Yeah” é aquele ar de novidade dentro da discografia do BLACKPINK que simplesmente não é ampliado para outros trabalhos do grupo pois o apelo delas é outro.

“Hard To Love” é mais uma música desse álbum que eu sinto que falta alguma coisa e parece meio “off”, mas acaba funcionando pois essa coisa que parece produzida por uma banda de garagem pede que algumas coisas pareçam erradas para o produto final dar certo. “Hard To Love” é uma música fofa, as guitarras são boas e me aproximam do grupo, e os vocais um pouco mais rasgados também são charmosos e contribuem para essa música se destacar dentro do “Born Pink”. Já “The Happiest Girl” é uma baladinha comprada em algum saldão por aí e só vou me limitar a falar que elas ainda não lançaram a “Lonely” delas mas fiquei impressionado com as meninas servindo vulnerabilidade na interpretação. Essa sequência de “Yeah Yeah Yeah”, “Hard To Love” e “The Happiest Girl” é a parte mais estável e consistente do álbum, pois são músicas que fogem do convencional do grupo e permitem que o BLACKPINK seja algo diferente. Nenhuma dessas músicas é “Uau, elas definiram o pop”, mas é válido o esforço em não serem óbvias.

“Tally” volta ao pop/rock mas de um jeito mais polido como se fosse alguma música da Avril Lavigne, e eu não sou o maior fã de Avril Lavigne por aí. É outra faixa esforçada mas não é uma faixa que eu me conecto ouvindo pois não parece que chega lá. “Tally” é talvez a melhor das album tracks do BORN PINK em termos de produção, mas parece polida demais para a proposta. É uma faixa que ouço de forma mais distante e sem vontade de cantar junto, o que é um problema pois a música não bate no meu coração ouvindo do jeito que “Hard To Love” bate, por exemplo. Para (já) terminar o álbum temos “Ready For Love”, que claramente está aqui para completar a cota de 8 faixas e chamar de full album mesmo, mas prefiro ouvir uma farofa EDM datada de algum UMF de 2016 do que ouvir os dois singles desse álbum.

Concluindo…

O “BORN PINK” é o auge de uma empresa que sabe que não precisa se esforçar muito para fazer milhões de dólares em dinheiro com uma marca. Botaram oito músicas que variam entre demos compradas de outros artistas e músicas que parecem que o grupo lança em todo álbum, colocaram as integrantes para servirem a mesma coisa e pronto, temos um álbum que daqui a 2 meses não faz barulho nenhum fora do círculo de fãs mas o importante é que elas já garantiram seus 3 milhões de álbuns vendidos. Ah, e o “BORN PINK” é, de fato, a experiência menos K-pop que você vai ouvir no K-pop, pois é um álbum feito para o pessoal que se gaba do BLACKPINK não parecer K-pop.

Esse post foi patrocinado pela leitora Julia, que me deu 20 reais para fazer esse post comentando sobre o Born Pink do BLACKPINK. Se você quiser ajudar esse blogueiro a pagar as contas e a cachaça do fim do dia em troca de algum post safadíssimo sobre algum trabalho do asian pop, pode mandar um PIX com o valor que seu coração achar que eu mereço para a chave: dougielogic@gmail.com. Você também pode seguir o Pop Asiático,jpg no twitter (@popasiaticojpg) e no instagram (@popasiaticojpg)

2 comentários sobre “ALBUM REVIEW: BLACKPINK – BORN PINK

  1. Chega a ser engraçado parar pra pensar que em pouco mais de 1 ano, na época do debut, elas foram mais versáteis do que em todos os outros 4/5 anos de carreira. Nem as próprias integrantes parecem aguentar mais esse copia e cola que a YG faz com os singles delas, isso é notável pelos solos que elas soltam de vez em quando. A maioria foge bastante dessa ideia de mina fodona.

    (inclusive, “Hard To Love”, “Tally” e “Yeah Yeah Yeah” são músicas bem legais, HTL é a minha favorita aqui. Achei as b-sides do The Album bem piores que as desse aqui apesar de ser tudo bem básico, o que aloprou foram as titles mesmo. Shut Down é uma bomba atômica de tão ruim)

  2. Esse álbum é um saco, sinceramente, e parte disso é porque ele foi lançado pelo Blackpink. Não é hate pra elas, mas a esse ponto da vida é isso que elas querem entregar pra se mostrar como O GRUPO feminimino representante do k-pop mundo afora?? Sem condição bicho

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