ALBUM REVIEW: The Deep – Messy Room

Eu estava esperando a The Deep soltar um MVzinho para promover o seu novo EP “Messy Room” mas, a essa altura, acho que não vai rolar mesmo. E como esse EP ocupará muitas posições no meu futuro Top 100 de 2023, acho mais válido aclamar agora esse que é o EP do ano para mim e vocês já ficarem preparados para deitar com os bops dançantes e eletrônicos da diva:

Artista: The Deep
Álbum:
 Messy Room
Lançamento: 29/11/2023
Gravadora: talented
Nota: 93/100

Quando saíram as prévias desse EP eu comentei algo como “Se o NewJeans fosse um grupo com 20+ anos e pudesse ser um grupo de grandes gostosas, elas lançariam esse EP”. “Messy Room” pega basicamente todas as tendências (Jersey Club, Drum n Bass, House Music) e cria um trabalho de 5 faixas para você, homossexual, fritar numa boate e desfilar seu estiloso look da SHEIN em qualquer esquina por aí. “Messy Room” é um EP da noite, e eu adoro isso.

O grande trunfo do “Messy Room” é que ele tem muito conteúdo. Nenhuma das faixas tem mais de 3 minutos, porém isso não se torna um problema quando acontece muita coisa em cada música, tanto nos instrumentais intensos de batidas fortes quanto na interpretação mais desbocada e sexy que a The Deep usa no trabalho inteiro. Até mesmo as faixas mais cadenciadas tem nuances e vão sutilmente se transformando, ganhando novas cores e um brilho único. Tudo no “Messy Room” é muito bem feito e, mesmo sendo uma artista independente, é melhor produzido do que muita gravadora anda desovando na Coreia.

O fato da The Deep compor o álbum todo e mixar boa parte dele acaba sendo um detalhe no “Messy Room”, mas que vale chamar atenção em uma atual indústria musical onde cantoras/compositoras são (Ou se forçam a ser) muito valorizadas. “Messy Room” é um EP muito bom, cria uma atmosfera refrescante e confortável ouvindo por completo, e cada música tem sua energia para deixar no repeat, e não é todo mundo que consegue fazer isso, até mesmo com o suporte de grandes gravadoras. Um trabalho eletrônico especial, os detalhes são charmosos e o conjunto é chamativo.

Pelo caminho que o EP segue seria muito interessante ver o “Messy Room” como um álbum completo e ver até onde a The Deep poderia chegar com o conceito sonoro dele. Por outro lado, os 14 minutos do EP são o suficiente para entregar uma experiência eletrônica grande e completa, pegando tudo que todo mundo vem fazendo e executar de um jeito acima da média. Todas as músicas no “Messy Room” são marcantes, e o EP é um deleite.

Faixa a Faixa

O EP começa com “Brand New House”, um house que talvez é o que mais se aproxima do que a gente casualmente ouve no K-pop mais mainstream (Isso facilmente seria uma faixa ótima daquele STATION da SM, lembram?), as batidas mais graves e os sintetizadores mais coloridos e “rasgados” renderam uma combinação matadora, e a The Deep cantando de uma forma mais leve e descontraída deixa essa música ainda mais interessante. Uma ótima forma de abrir o álbum, que dita também o estilo de todas as faixas que vem a seguir.

“Bappi” é um dos maiores singles de 2023. O batidão eletrônico é insano de tão bom, tanto os momentos mais sintetizados com o “I do what I do, let me get it” são prazerosos e é viciante ouvir apenas o batidão que conduz os versos, assim como o refrão que é muito bom. Normalmente não gosto de refrões pouco marcados dentro das músicas, mas “Bappi” manteve tão bem a frequência da música que acaba sendo uma exceção. Não existe um momento minimamente ruim em “Bappi”, que é um dos meus grandes vícios de 2023.

A faixa título “Messy Room” é a música mais cadenciada e “ambiente” do EP. Extremamente elegante em seu instrumental e com um vocal delicado e gracioso por parte da The Deep, “Messy Room” é uma faixa relaxante com um toque mais intenso e sexy por parte do refrão. Uma faixa perfeita para desestressar e desligar um pouco do mundo para aproveitar a vibe que o som por trás passa. “Bow wow” parece ir para o mesmo caminho nos primeiros segundos, mas logo vai ganhando camadas do Jersey Club e a mistura de um som tranquilo e despretensioso com essa pegada mais ousada e rápida acaba fazendo uma faixa bem legal no final. “Bow wow” é o que mais me lembrou o álbum PinkPantheress nesse EP, o que é um grande elogio.

Fechando o álbum temos “20’s”, o puro suco do Drum n Bass mais alternativo dos anos 2000. Infelizmente não consigo puxar exemplos de cabeça, mas me lembra uma fase específica da música nacional onde artistas mais alternativos da cena investiam nesse estilo de DnB mais etéreo que era muito bom. Quem viveu esse momento deve ter a mesma impressão ouvindo essa música (E pode me ajudar com algum exemplo rs), mas “20’s” encerra o EP cuidadosamente bem.

Concluindo…

“Messy Room” é um EP incrível, e a The Deep foi a grande descoberta de 2023 na minha playlist. Ponto. Todo sucesso do mundo para essa querida.

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