ALBUM REVIEW: VIVIZ – VOYAGE

Acredito que um dos motivos do VIVIZ ter levado mais de um ano para lançar um álbum novo foi para evitar que o fã delas/GFRIEND me mandasse um gostoso pix para fazer a review do álbum, o que já faz delas inimigas públicas desse blog só por atrapalhar o meu esquema de urubu do pix para sobreviver como blogueira de K-pop. Mas o comeback do grupo aconteceu, o álbum está aqui e o fã do trio me mandou o pix para fazer a review desse EP. Sem mais delongas, vamos ver o que o VIVIZ entregou para o seu QUINTO (Caramba, tudo isso já) mini álbum:

Artista: VIVIZ
Álbum:
 The 5th Mini Album “VOYAGE”
Lançamento: 07/11/2024
Gravadora: BIGPLANETMADE
Nota: 72/100

“Voyage” é mais um trabalho do K-pop onde temos que lidar com a tal ideia de versatilidade e alcance do grupo em diferentes gêneros. A essa altura não temos mais um álbum com conceito na indústria, mas sim diversas pequenas ou grandes playlists montadas aleatoriamente pois foi criada essa necessidade metafórica de mostrar que os idols/artistas conseguem ser muito bons desde o pancadão pop EDM dance house da vez até a baladinha vocal r&b synthpop passando por quaisquer que sejam os 3 ou 4 estilos musicais que são tendência nos vídeos das redes sociais. Não que a indústria tenha muitos exemplos de álbuns mais conceituais ou com uma ideia mais marcante de sonoridade do início ao fim, mas já aceitei que jamais teremos um “REBOOT” ou um “SOUL LADY” encantando o K-pop de novo e isso é triste.

No caso do VIVIZ, “Voyage” é um EP que passeia pelo latin pop, synthpop, drum n bass e R&B, e tudo isso acontece em um trabalho de 5 músicas. Como os produtores conseguiram fazer essa mistura louca funcionar como um conjunto? Bom, eles na verdade NEM TENTARAM e só montaram a tracklist da forma mais óbvia possível: O single abre o álbum, as músicas mais lentas fecham e o que sobrar encaixa ali no meio até ter a duração de um EP. Parece que estou fazendo uma crítica ferrenha em cima do VIVIZ mas, na verdade, isso meio que virou padrão no K-pop e ninguém está muito afim de mudar isso, então a gente trabalha com o que tem. Já fizeram misturas mais malucas na indústria, e não vamos condenar o VIVIZ por fazer igual.

Em casos assim o que nos resta avaliar é a força individual das faixas, e é aí que o “VOYAGE” começa a ganhar pontos pois todas as músicas aqui são de boas a muito boas. Gosto muito do latin pop mais ousado e provocante de “Cliché”, assim como o R&B sofisticado e marcante de “Hypnotize” (Uma música realmente hipnotizante para quem curte R&B coreano) e a ideia da baladinha de fim de álbum ser um Synthpop deixou “Love & Tears” bem mais memorável que a baladinha de fim de álbum padrão. É uma pena que o single do álbum é uma das músicas mais básicas do EP (A outra mais básica é o DnB de 2 minutos) pois “Cliché” seria muito interessante como single do VIVIZ, porém até “Shhh!” tem seu valor aqui. A seleção de músicas para montar o VOYAGE é muito interessante e explora bem os pontos fortes do VIVIZ na maior parte do tempo, mas juntar tudo isso em um EP ao invés de desenvolver 3 ou 4 EPs com sonoridades mais coerentes internamente meio que faz desse um EP como tantos outros na indústria.

Nada no “VOYAGE” fará você dizer “Nossa, eu nunca ouvi nada igual, isso é a cara do VIVIZ”, e até mesmo o conjunto da obra não é algo que eu penso “Nossa, que álbum mais especial, colocou o VIVIZ em um lugar único no K-pop”. Porém, para um EP que não tem nenhum empenho em seguir um fio condutor sonoramente, pelo menos tivemos músicas muito legais no meio do caminho. Seria interessante se a ideia de fazer um pop latino mais atrevido das duas primeiras faixas fosse ampliada para o EP completo, ou se o caminho synthpop de “Love & Tears” fosse ampliado em diferentes velocidades que um EP synthpop pode oferecer, mas isso fica só na imaginação mesmo. O que temos em “VOYAGE” é uma playlist consistente com músicas interessantes que fazem esse comeback ter seu valor, mas não é como se fosse algo que não ouviremos qualquer outro girlgroup entregando a mesma proposta de versatilidade daqui a uns 15 dias, mais ou menos.

Faixa a Faixa

O álbum começa com o single “Shhh!”, uma escolha que faz sentido como single (Ela tem a energia “sexy porém soft” do hit delas com “Maniac” mas um pouco mais latina, em comparação) mas está longe de ser a minha favorita. É como eu disse comentando o single: As meninas parecem super empolgadas em rebolar a bunda e descer até o chão em um batidão sexy mas os produtores das músicas não estão tanto assim, e aí acabam entregando esses singles que parecem propositalmente contidos. Tanto que a faixa seguinte do EP “Cliché” vai mais fundo nessa ideia de gostosas latinas e entrega um latin pop mais potente e atrevido para o trio, e até mesmo a performance do VIVIZ em “Cliché” é mais dramática e emocionante. É uma pena que o TikTok abriu a porteira para qualquer grupo periférico conseguir um viral na Coreia na trend do momento pois, em condições normais, “Cliché” seria facilmente o single desse comeback.

“Full Moon” é o número DnB do VIVIZ pois HEY, literalmente todo mundo está lançando DnB na Coreia, o que impede elas de não lançarem? Absolutamente nada, então aqui estamos. Não tem nada em “Full Moon” que seja muito diferente do Drum n Bass 101 do Kpop, é a mesma produção mais atmosférica com um ritmo mais acelerado mas nada muito frenético, prezando o estilo mais colorido e polido de um grupo de K-pop, e 50 segundos a menos que uma música de verdade porque, né… Mas é uma boa música para quem não enjoou do estilo. Já “Hypnotize” dá um 180º agressivo na vida do VIVIZ com um R&B bem cadenciado, com a ideia de envolver o ouvinte nesse ritmo mais vibing e estiloso. Talvez você sinta que esse é o tipo de R&B que o Kiss Of Life lançaria casualmente como album track de algum EP delas e *BOOM* sua sensação fará sentido pois temos Belle creditada na composição. Por fim temos “Love & Tears” que me surpreendeu por entregar a baladinha emotiva de fim de álbum em formato de midtempo synthpop, deixando o final do EP mais bonito e emocionante. As duas últimas músicas do álbum dão uma boa desacelerada no “Voyage”, mas é uma desacelerada confortável com músicas sólidas que tem seu charme para não soarem dispensáveis.

Concluindo…

O K-pop poderia parar de montar álbuns e EPs como se montasse uma playlist da Today’s Top Hits mas, pelo menos, o VIVIZ fez uma seleção bem boa de músicas para esse EP. Um trabalho básico e 101 do K-pop atual, mas um básico bom.

Um comentário sobre “ALBUM REVIEW: VIVIZ – VOYAGE

  1. Eu gosto muito das meninas, mas a impressão é que depois de saírem do GFriend, perderam a identidade.
    Quando você ouvia uma música, tinha aquela noção de “nossa, isso é muito GFriend”.
    Com o Viviz ainda fica aquela sensação de que estão procurando seu espaço.
    O EP é gostosinho e possui seus pontos altos, porém não é nada diferente que tantos outros lançados no Kpop.
    Como você disse, Doug, faz falta um álbum com conceito fechadinho em que todas as músicas se conversem bem criando uma viagem gostosa do início ao fim.
    Desejo muita sorte para as meninas e que consigam sucesso nesse comeback que está legal!

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