ALBUM REVIEW: The Deep – Electric Pink

No final do ano passado tivemos a The Deep abalando o mundinho de blogueiras periféricas brasileiras kpoppers com o EP “Messy Room”, e ela resolveu “repetir a receita” esse ano: Depois de várias colaborações lançadas durante o ano, a artista chegou no final de 2024 com um novo EP na praça, “Electric Pink”. Será se é tão bom quanto o “Messy Room”? Eu já adianto que SIM e DIGO MAIS: É um EP que tenho certeza que os gays mais edgy do twitter vão AMAR.

Artista: The Deep
Álbum: Electric Pink
Lançamento: 05/12/2014
Gravadora: The Deep
Nota: 95/100

A The Deep deu uma furada na bolha e alcançou alguns kpoppers com “Bappi” e o EP “Messy Room”, com uma pegada mais descolada e y2k em músicas garage e dnb bem soft só que com uma execução mais ousada e atrevida do que o K-pop andava fazendo habitualmente. Ela meio que seguiu com esse mood mais desbocado e “2cool 4you” durante as colaborações que ela lançou esse ano e, bem, já estava acostumado e aceitando que esse seria o estilo que a The Deep entregaria por um bom tempo. Então absolutamente NADA tinha me preparado para a virada que ela deu com o “Electric Pink”… E que virada, meus amores.

“Electric Pink” é um EP bem mais hardcore. Pesado, industrial e eletrônico, “Electric Pink” faz a The Deep girar 180º em um som mais agressivo, estética mais forte, produções mais potentes e chamativas e uma direção mais ofensiva (No bom sentido). Se o “Messy Room” e os singles desse ano tinham a ideia de serem mais soft e cool, “Electric Pink” já jogada 5 pedradas no meu ouvido numa pegada dominante, como se ela trouxesse correntes e outros metais para tornar os homossexuais mais submissos ao som mais imponente e afrontoso. A The Deep está insultante nesse álbum e eu estou VIVENDO por isso.

“Electric Pink” é um álbum bem “uma nota só”, o que pode afastar o pessoal que está mais acostumado com EPs e álbuns mais “versáteis” e que exploram distintas sonoridades no K-pop atual. A ideia é, basicamente, ser um EP para as boates, clubes e bueiros mais questionáveis da vida noturna de São Paulo, um conceito excitante e que muita gente aí queria MUITO que seu girlgroup de K-pop favorito fizesse algo assim. Os últimos comebacks do aespa e LE SSERAFIM, por exemplo, também tinham essa pegada mais club, electropop e brat nos singles e visuais mas isso não foi transmitido para os álbuns, enquanto a The Deep entrega A experiência noturna, descolada e baladeira que os EPs citados não trouxeram. Acredito que alguns vão se cansar mais rápido desse álbum da The Deep por seguir um fio condutor e servir batidões mais pesados durante todo o projeto mas, particularmente, não me vejo ficar entediado com nenhuma música do “Electric Pink”.

Uma vez eu falei que o fato do K-pop como indústria ser algo mais “para adolescente” meio que deixa todas as sonoridades do momento mais vanilla e palatáveis, então essa adrenalina e insolência que a The Deep entrega no “Electric Pink” é algo que só uma artista independente conseguiria fazer na Coreia. Eletrônico, artificial e caótico na medida certa, “Electric Pink” é o tipo de trabalho babilônico que ganharia festas temáticas na ZIG se fosse lançada por uma gostosa mais mainstream. Para quem vem achando o K-pop monótono, o jeitinho mais debochado e estiloso da The Deep junto com as produções mais perigosas do Weissen é uma novidade muito bem vinda. Não sei se diria que é um álbum melhor que o “Messy Room” pois eu acho o EP anterior dela muito bom e são propostas bem diferentes para definir facilmente se um é melhor que o outro, mas diria que o “Electric Pink” é mais memorável e bem mais fácil para as gays do twitter ferverem ouvindo.

Faixa a Faixa

O EP começa com “invite only”, uma espécie de “intro” (Não sei se podemos de chamar uma música de 1:40 de intro quando a faixa seguinte tem apenas 13 segundos a mais) que já introduz a virada da The Deep que conhecemos com uma produção mais pesada e industrial, vocais autotunados no talo e frases fáceis com um ou outro bitches para as bitches da rave bater cabelo. “OPPA” é gloriosa, lembra algumas gostosas LGBTQIA+ da cena daqui com o batidão EBM mais escrachado, violento e sacana, com uma interpretação desbocada tanto por parte dos vocais da The Deep quanto pelo rap da Ash-B. É uma faixa que merece MUITO um extended mix pois esse 1:53 parece “condensar” a música e eu queria uma versão mais desenvolvida, especialmente para ver até onde a produção consegue chegar. Mas, do jeito que está, a minha única reclamação é ser uma faixa bem curtinha mesmo pois o som aqui é soberano.

“Girls Like Me” é a faixa mais “Foco na produção” que o EP possui, pois a música é, basicamente, o pancadão club estourando no meu ouvido enquanto a The Deep passa metade da música repetindo que as garotas gostam dela e os garotos gostam dela também, sendo o mais novo hino bissexual que a Coreia produziu. A The Deep faz o seu trabalho na interpretação mais descolada e talz mas estou VIVENDO pelo instrumental desde o lançamento (Acho que o meu favorito dela até aqui). Já “NPC” me pegou desprevenido por ser uma faixa com MAIS de 3 minutos (Ela é a última artista que eu pensaria que fizesse algo assim), e é o trabalho mais hyperpop e experimental do álbum. Não sou muito apegado ao hyperpop como gênero mas a The Deep fez um negócio muito bom e envolvente aqui, especialmente quando os synths mais vibrantes ganham brilho. O batidão industrial do resto da música é daqueles que muita gente já chegaria pensando “Ah se fosse um boygroup lançando esse viadinho acharia um lixo” mas fazer o que né, a The Deep sustenta e sabe entregar um bop nesse estilo.

Todas as músicas até aqui são para o lado queer mais bandidona, da rave, que adora uma montação, fica nas BCharts da vida tentando provar que a Charli XCX é a maior artista de todos os tempos e acha que a SOPHIE é a responsável por definir o futuro da música pop, mas a The Deep também pensou nas gayzinhas mais vanilla que seguem tendências atuais com “Sad Girls Club” servindo um miami bass babado com as batidas mais soft do álbum, sem deixar de perder a intensidade e esse senso mais descolado de interpretação e melodia. Como a história do miami bass e do funk carioca são bem interligadas eu já imaginei a The Deep cantando esse bop no Planeta Xuxa com as curse words enquanto crianças fritam loucamente no melhor estilo Gillette cantando que não quer homem de pinto pequeno para um bando de adolescentes fervendo com o batidão.

Concluindo…

É o único lançamento coreano que você precisa ouvir nesse fim de ano. Ninguém lançará um álbum tão bom quanto esse nesse mês de dezembro.

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