Do pior ao melhor: Ranqueando os singles do Keyakizaka46/Sakurazaka46

Bom, eu nunca achei que essa série de posts revisitando carreiras chegaria ao ponto de alguém me mandar pix para falar de um grupo japonês, mas aqui estamos com um post para falar sobre o Sakurazaka46 e os 19 singles que o grupo lançou tanto como Sakurazaka quanto como Keyakizaka46. Um terreno muito perigoso já que, daqui para alguém meter o famoso louco me mandando pix para fazer um post enorme dos 490 singles que alguma j-diva de 120 anos de carreira desovou desde 1857, é um pulo e eu não tenho esse tempo todo como funcionário da CLT para me dedicar a algo tão grandioso assim. Mas com o Sakurazaka eu consegui lidar, então aqui vamos nós para mais um post ranqueando, do melhor para o melhor, os principais singles do grupo:

Nenhum

O Sakurazaka46 (E os grupos 46 no geral, pelo que percebo acompanhando de longe) tem uma proposta de entregar músicas idol mais dramáticas e maduras, não se escorando tanto no carisma de uma idol japonesa tradicional e colocando um poder de performance a mais do que o esquema de pirâmide rival (AKB48 e adjacentes). É uma ótima fórmula que evita atrocidades pois todos os singles do Sakurazaka seguem uma base de música idol que é interessante, especialmente quando elas conseguem colocar elementos fora da caixa nas produções. Os instrumentais são MUITO bons no geral, é um grupo com uma assinatura sonora forte e, mesmo com um conjunto de vocalistas pouco interessante, consegue entregar músicas sólidas que comprovam o fato delas serem um dos girlgroups de J-pop mais interessantes que surgiu nesses últimos 10 anos. Se eu vivesse mais pelo mundinho idol japonês, com certeza eu teria várias músicas do grupo na minha playlist.

Sekai ni wa Ai Shika Nai

Uma reclamação que será meio constante nesse post é com o trabalho de mixagem PORCO que o grupo tinha (Especialmente nos singles Keyakizaka) e isso tira o brilho de alguns trabalhos em diferentes níveis (Em defesa delas, acho que isso é mais um problema do Yasushi Akimoto como líder de produção pois tudo que ele toca passa por esse mesmo problema em algum momento). “Sekai ni wa Ai Shika Nai” ainda é lotado de versos falados que me tiram um pouco da paz de espírito ouvindo. As produções são, em sua maioria, muito boas e salvam algumas experiências horríveis mas, nesse single, eu não senti muito apreço pelo instrumental que parece qualquer anisong b-list de anime slice of life. No geral não é ruim, mas é esquecível e falta um polimento para ser algo mais agradável de escutar.

Kuroi Hitsuji

… Um grande meh. É uma música que não tem nada de MUITO errado (Passo as mesmas raivas de mixagem nas vozes do grupo mas, por se tratar de uma música mais melodramática, o coral mais cru faz sentido, pelo menos) mas a música nunca engrena comigo. Tudo que elas fazem nessa música meio que já foi feito antes e melhor, então essa música acaba sendo dispensável para mim. Mas vale pelo MV, super teatral e com a ideia de gravação em um take muito bem executada.

Ikutsu no Koro ni Modoritai no ka?

A sensação que tenho com essas músicas de mixagem bizarra com vocais exageradamente crus é que tem algumas gatinhas aí no Keyakizaka que não sabem/não deveriam estar cantando. Quando “Ikutsu no Koro ni Modoritai no ka?” começa a ser cantada eu me questiono seriamente se o responsável pela mixagem sabia o que estava fazendo ou se a menina em questão sabia como cantar essa música apropriadamente pois minha nossa, é muito fora do tom. E isso meio que vai derrubando todo o trabalho vocal dessa música que eu achei super desconfortável de ouvir. Aí voltamos ao problema de ter um bom instrumental (Nada de muito impressionante ou fora da casinha do Sakurazaka a essa altura, mas bom) que não disfarça bem o quão esquisito é o trabalho dos vocais. De longe o single mais fraco do Sakurazaka desde a reformulação.

Silent Majority

Lembro que “Silent Majority” foi um debut que fez um barulho enorme no J-pop em geral (Provavelmente é o único grupo idol japonês que conseguiu vender mais de 500 mil cópias digitalmente logo na estreia) e é um dos maiores hits da carreira do Keyaki/Sakura até hoje (Chutaria até que é O maior hit do grupo, mas não acompanho elas direito para afirmar isso). No geral eu acho merecido, esse instrumental mais dramático misturando violinos e guitarras/violões que mais ou menos virou assinatura dos singles delas é realmente muito bom e inspirador, mas me incomoda MUITO essa mixagem com os vocais de coral penitenciário mais crus e meio fora do tom do instrumental (É como se tivessem pegado a gravação e botaram na música com muita fé e sem nenhum tratamento). Isso faz a música envelhecer mal comigo, mas o instrumental ainda segura a onda e faz de “Silent Majority” um bom trabalho.

Futari Saison

Essa coisa mais orquestrada com um destaque na produção para o violino e piano que dão esse tom dramático e orgânico para uma música pop é talvez uma das coisas mais interessantes que o J-pop oferece, além de fazer sentido com a ideia de coral que as músicas desses mega grupos como o Keyakizaka46 são. Em “Futari Saison” isso ainda me incomoda, mas consigo relevar porque ficou bem bonito de ouvir (Especialmente o refrão). Acredito que essa música fica melhor e mais deslumbrante em uma versão ao vivo com orquestra (Se não existe isso, deveriam fazer), mas a versão estúdio é uma gracinha também. Não é lá um destaque, mas é consistente e com uma delicadeza bonita de ouvir do início ao fim.

Kaze ni Fukarete mo

“Kaze ni Fukarete mo” é uma daquelas músicas que eu não sei definir exatamente o que dá errado, mas tem algo que não funciona aqui. Tem boas ideias, uma produção interessante e eu sinto que essa música deveria ser incrível, mas não tem um momento onde eu penso “Nossa, que música incrível”. Talvez uma vocalista mais confiante soltando high notes pela sua vida? Talvez o violão devesse ser mais destacado para levar a música para um lado mais latino? Um combo dos dois? Não sei dizer, mas eu termino essa música pensando “Ah, tá bom” e sigo em frente. De qualquer forma, é uma música sólida que casa bem com o conceito do grupo.

Ambivalent

As minhas partes favoritas de “Ambivalent” são aquelas que não tem o grupo cantando e, no máximo, está ali repetindo os “Ooohh” e “waaaa”. TODAS as partes em coro são meio too much para mim e é uma música que funcionaria melhor com menos gente cantando ou numa divisão de linhas mais tradicional mas, no geral, é ok. É mais um instrumental muito bom que perde muita força com essa mixagem questionável dos vocais e a falta de uma cantora que seja tão forte quanto a produção para elevar a coisa toda. Todas as músicas do Keyaki/Sakura tem problemas parecidos e o desafio acaba sendo ver o quão bem o grupo e os produtores conseguem disfarçar isso, e “Ambivalent” acaba não tendo esse brilho que consegue ofuscar as coisas mais meia boca que a música tem.

Dare ga Sono Kane o Narasu no ka?

Último single do Keyakizaka antes da reformulação para Sakurazaka46, é um bom trabalho. Um dos desafios desses grupos que tem uma sonoridade específica bem marcante é conseguir se reinventar dentro desse som para não parecer que não estão chegando no mesmo lugar a cada single, e eu sinto que “Dare Ga” tem esse problema de parecer algo que elas já fizeram. É um bom single, mas meio básico e 101 que não se destaca do resto dos trabalhos do grupo (Especialmente na reformulação para Sakurazaka onde elas melhoraram MUITO o nível dos singles.

Nagaredama

O instrumental com fortes elementos jazz/band é algo meio “Sheena Ringo produzindo música idol” e interessante num primeiro momento, mas “Nagaredama” acaba caindo na mesma armadilha de chegar num mesmo lugar que o Sakurazaka costuma chegar com suas músicas de trabalho. Mas isso é mais algo particular meu, e não impede “Nagaredama” de ser um bom trabalho no final do dia, com muitos pontos positivos e pouca coisa para criticar (O refrão para mim não se destaca tanto assim do resto da música e isso acabou sendo um problema para mim). “Nagaredama” não muda opiniões se você não é muito chegado a idol songs, mas é ótima se você já curte mais esse nicho.

Samidare yo

Essas músicas com menos poder de performance, melodia mais confortável e mais empenhadas em demonstrar carisma com uma graciosa melodia e harmonia do coral tem mais cara de grupo 48 que grupo 46 para mim, mas talvez seja por eu não estar tão inserido assim no mundinho 48/46 e não pegar as diferenças mais sutis de sonoridade entre um esquema de pirâmide e outro. De resto, “Samidare yo” é um idol 101 que não faz muito por mim e é mais uma música que não funciona muito com quem não tem nenhum apego com o Sakurazaka, mas tem uma delicadeza no instrumental mais orquestrado com o violino conduzindo que é agradável de ouvir uma vez ou outra.

Shonin Yokkyu

A intro engana muito com o som mais pesado que me fez jurar que elas entregariam um TRAP IDOL JAPONÊS que seria muito extremo como melhor ou pior coisa que ouviria na minha vida, mas a música em si é bem basiquinha e esse som eletrônico mais pesado só dá as caras por uns 10 segundos depois do segundo refrão. De resto, “Shonin Yokkyu” vale pelo refrão EDM que é muito bom e dançante, mas o conjunto da obra é um popzão bem padrão que tenta ser grandioso mas não desperta grandes sentimentos em mim. O Sakurazaka já foi mais inventivo e emblemático.

Fukyouwaon

AGORA SIM chegamos no melhor template do Keyaki/Sakurazaka: Quando elas aliam toda a dramaticidade e energia inspiracional do coral do grupo a um instrumental eletrônico mais potente e performático, que me intimida na agressividade. “Fukyouwaon” é uma virada muito impactante em comparação a tudo que elas lançaram antes em termos de sonoridade, com um ritmo mais frenético e uma aura mais forte, presente e ambiciosa que faz essa música ser memorável no meio das “fórmulas prontas” de música idol. Senti falta de uma ou duas vocalistas mais fortes para carregar e elevar a música e fazer ela ser icônica, mas ainda é um ótimo trabalho e essencial para quem quer se aventurar no mundinho idol japonês.

Nobody’s fault

Música de “redebut” com o nome Sakurazaka46, “Nobody’s fault” não é A grande reinvenção de um grupo que você espera se tratando do 1º single pós reformulação/rebranding. Na verdade não foge muito do que o Keyaki entregava antes sonoramente (Visualmente, no entanto, é muito mais interessante para o grupo não ter tanto destaque para uma só integrante nos MVs), mas as mudanças mais sutis que a música tem acabam sendo essenciais para “Nobody’s Fault” ser melhor que a maioria dos singles do Keyaki, especialmente essa interpretação mais cadenciada que é extremamente marcante e dá uma espécie de “revitalizada” nessa ideia de som idol mais melodramático que o grupo possui. O instrumental segue sendo muito bom, mas é a direção dos vocais do grupo que faz “Nobody’s Fault” ser acima da média.

Sakurazuki

Mais uma música pop idol mais carregada que eu sinto que seria ainda mais emblemática se tivesse um conjunto de vocalistas mais potentes para encantar com high notes durante a música, mas o coral do Sakurazaka é encantador de ouvir aqui. Ao mesmo tempo que a música não tem aquele momento que se destaca muito do resto, o conjunto é tão sólido e bonito que é impossível não achar essa música ótima, Tenho muita curiosidade em ver o Akimoto desovar músicas assim para grupos mais vocais (Ou que pelo menos não tenham que manter um nível mais baixo para soar como um coro mais harmonioso) mas, das faixas mais sinfônicas/com violino sendo o elemento principal, “Sakurazuki” é a melhor que o grupo lançou até aqui.

I want tomorrow to come

Tem uma música incrível nesse vídeo depois do 1º minuto e antes dos 3 minutos e 20 segundos, com um piano acelerado, sintetizadores mais dinâmicos e um refrão intenso com versos rápidos com um tom de desespero que combina perfeitamente com o instrumental, mas a intro e outro mais lentas num estilão power ballad são bem desnecessárias para mim. Não só são muito longas e fazem a música demorar para pegar no tranco como parecem totalmente avulsas da energia principal da canção. O meio da música é icônico e a música no geral é ótima, mas deveriam ter cortado o que foi feito nas pontas para criar uma outra canção mais dramática e que explorasse o lado mais teatral do grupo.

Glass wo Ware!

Ai isso aqui é muito bom, uma mistura de elementos de música idol com toda uma produção mais punk/rock adolescente que me fez sentir uma colegial rebelde japonesa do ensino médio. O Keyaki brilha muito quando vai para um lado sonoro/estético mais impactante, e “Glass wo ware!” traz todo um ar de novidade com essa energia de maior coral de roqueiras de colégio de Tóquio enquanto ainda trazem elementos que dão personalidade para essa música ter a cara do grupo. É emblemática em diferentes sentidos, seja por conseguir dar uma reinventada em tudo que elas tinham feito desde então quanto por lançar uma música forte e imponente que me deixa impressionado ouvindo. Mereceu muito ser o primeiro million seller da carreira, pois “Glass Wo Ware!” é incrível.

BAN

Sem medo do BAN, “BAN” é uma das melhores misturas de elementos eletrônicos com acúsiticos que a música idol já proporcionou. A intensidade que essa possui tanto nas partes mais sintetizadas dos versos e refrão quanto em todos os momentos que o violão dá o seu show e brilha demais nessa música. “BAN” traz uma adrenalina única, uma sensação de que o Sakurazaka não está para brincadeira e tem a ambição de ser icônica, um trabalho que nasceu com a vontade de ser emblemática e consegue com muito mérito. Se eu tivesse mais apego por idol songs na minha playlist é certeza que eu teria lembrado de colocar “BAN” como uma das melhores músicas de 2021.

Start Over!

Mais uma música que eu teria facilmente colocado entre as melhores do ano se lembrasse de colocar idol songs japonesas na minha playlist, “Start Over!” é uma grande pérola de 2023 trazendo o pop/rock do momento no J-pop com uma pegada jazz/big band no refrão e a energia idol característica do grupo. Uma combinação mais inusitada, moderna e super fresh, com um vídeo super legal que deixa tudo ainda mais perfeito. “Start Over” foi a música que me fez olhar o Sakurazaka com outros olhos e, mesmo que não seja algo que voluntariamente na minha playlist, é uma música incrível que me faz ter boas expectativas para cada lançamento novo delas que aparece como recomendado no YouTube.

Jigōjitoku

Já essa daqui eu tenho que lembrar de colocar pelo menos entre as 30 melhores músicas do ano porque meu deus, “Jigoujitoku” é sensacional. Os melhores singles do Sakurazaka tem como característica em comum o fato de conseguir aliar uma sonoridade com mais intensidade e adrenalina ao estilo mais assinatura do grupo, e “Jigoujitoku”: O refrão idol mais característico, mas os versos mais ousados, carregados e intensos são disruptivos e trazem uma sensação alarmista que deixa tudo ainda mais icônico. Uma música incrível do início ao fim, e meu trabalho favorito do Sakurazaka até aqui.

7 comentários sobre “Do pior ao melhor: Ranqueando os singles do Keyakizaka46/Sakurazaka46

  1. como ja sugeriram no ranqueando anterior vou reforçar aqui que queremos ranqueando do loona dougie🙏
    elas não tem tantas titles como grupo OT12 mas tu pode incluir os singles solos e das units do projeto pré-debut

  2. “Um terreno muito perigoso já que, daqui para alguém meter o famoso louco me mandando pix para fazer um post enorme dos 490 singles que alguma j-diva de 120 anos de carreira desovou desde 1857, é um pulo e eu não tenho esse tempo todo como funcionário da CLT para me dedicar a algo tão grandioso assim”

    Na torcida pra alguém mandar pix pedindo pra você fazer um ranking de todos os álbuns da Ayu (incluindo os Greatest Hits, os álbuns de remixes, os Greatest Hits DE REMIXES, os EPs tapa-buracos, os álbuns ao vivo, os Greatest Hits de remixes ao vivo e por aí vai).

    Mas não tem problema se esquecer um ou dois, já que a própria Ayu não deve se lembrar de uns 30% da discografia que ela desovava nos anos de flood de lançamentos.

  3. Minha única decepção foi você não ter gostado de Ambivalent, mas respeito sua opinião. Você deveria tirar um tempo depois pra ouvir as b-sides, eu sei que são muitas mas elas são ótimas, vou deixar aqui minha favorita, espero que você ouça:

    https://www.youtube.com/watch?v=XEKPn3WbksE

    Qualquer dia te mando um pix pra você ouvir todos os singles do Nogi.

  4. Realidade: Todas Rank A e S.

    Sekai ni em último é mais interessante do que 70% dos lançamentos de kpop desse ano hahai. Eu colocaria KazeFuka em último pq acho mais esquecível que SekaiNi, KazeFuka é um exemplo de uma era que foi carregada pelos visuais(elas de terno foram o momento).

    DareGa S moral por ter Kobayashi Yui no center!

    Ambivalent hino do caps

    Start Over começou o movimento contra a escala 6×1!

    Samidare yo e Kuroi Hitsuji clássicos cults que apenas intelectuais entenderam a proposta…elas fizeram pela arte e não pelos charts

    Silent Majority cultural reset merecia S e Nagaredama é de longe um dos melhores singles delas, até as b-sides são muito boas. É bom ver algm colocando BAN num rank alto pq na época que lançou ngm deu valor, só foi ser valorizada um tempo depois.

    (mas nunca que Nobody´s Fault é melhor que Silent Majority)

    Jigojitoku obra prima msm, eu meti pau quando vazou a letra mas me viciei e foi uma das músicas que mais ouvi esse ano.

    Conclusão: discografia perfeita zero erros, o sonho de muitos grupos de kpop é um dia ter culhão pra lançar uma Kuroi Hitsuji.

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