ALBUM REVIEW: f5ve – Sequence 01

A experiência mais quente do Jpop twt resultou em um álbum: f5ve lançou, na semana passada, seu 1º álbum de estúdio “Sequence 01”. Com 11 músicas e 25 minutos, o f5ve promete entregar muitos pancadões com um toque japonês que farão a sua cabecinha fritar, e será que consegue? Eu digo que sim, mas também digo que dava para ser bem melhor. A explicação? Darei nessa review:

Artista: f5ve
Álbum: Sequence 01
Lançamento: 05/05/2025
Gravadora: LDH Records
Nota: 75/100

“Sequence 01” é um álbum que passeia por diversos estilos eletrônicos sem se limitar a um gênero específico e com um toque japonês que dá uma personalidade mais única, indo além do álbum de pancadões 101… Mass dá pra ver que o plano não era esse levando em conta como tudo começou. O batidão industrial “Firetruck” e o trapzinho de TikTok “Lettuce” são as coisas menos japonesas que você pode pensar ouvindo música pop, independente da qualidade das músicas (“Lettuce” é gostosinha e “Fire Truck” é uma vergonha) e era evidente que o f5ve era apenas o esforço em repaginar um Happiness depois de 15 anos de carreira para os #xovens sem uma direção muito relevante. Foi a partir de “Underground”, música que alcançou mais usuários e ouvintes de música asiática na internet para o grupo, que os responsáveis viram aonde tinha que direcionar o grupo.

“Underground”, “UFO” e “Magic Clock” são singles que tem mais, digamos, “cara de música japonesa”, seja pelos sintetizadores mais coloridos e vibrantes não característicos de uma farofa ocidental, o autotune mais carregado ou simplesmente metendo um beatzão para para. É esquisitinho, é legal, é japonês, é o tipo de farofa mais camp que você pode curtir tanto pela ironia quanto pra valer. Mas o J-pop não é conhecido por descartar músicas, então é claro que “Firetruck” e “Lettuce” estão presentes na tracklist (E “Sugar Free Venom” que também destoa da ideia mais “japonesa” de fazer EDM) e o Sequence 01 acaba parecendo ter duas ideias de álbum distintas em um mesmo pacote. Isso meio que se estende para as b-tracks mas nenhuma é tão ruim quanto “Firetruck”, o que faz o álbum ser mais legal.

“Sequence 01” me lembra diversas vezes o que o FEMM fez em seus 10 anos de carreira, o que é muito bom uma vez que o FEMM é um dos projetos mais injustiçados da música pop. Mas na época do FEMM músicas com mais de 3 minutos eram regra e não exceção, e aí temos outro problema para o Sequence 01: Na maior parte do álbum, não dá tempo de você chegar naquele sentimento de que a música mudou a minha vida. Em músicas mais caóticas como “Underground” não tem problema e 2 minutos e meio parece o suficiente, mas “Television” (Que é uma das minhas favoritas do álbum) parece pedir por MAIS tempo, alguma virada inesperada depois do refrão tipo “Whiplash” do aespa ou simplesmente um minuto a mais de lacração homossexual mais dinâmica como “Comme Des Garcons” da Rina Sawayama. Em boa parte do álbum você pega muito bem a ideia e gosta de onde a música chega, mas aí ela acaba e você se vê obrigado a mudar a chave para absorver a música seguinte.

No geral, Sequence 01 é um álbum bem legal, sem uma direção de som específica mas com ideias promissoras que realçam bem o quanto o f5ve quer ser o girlgroup japonês mais descolado da sua playlist. A sequência Firetruck > Lettuce > Sugar Free Venom deixa a impressão de que o conceito para o primeiro álbum do f5ve seria totalmente diferente, mas o resto do álbum traduz bem a coisa mais excêntrica e colorida de fazer pop japonês para um público que tem como única referência de J-pop o girlgroup XG. Porém, eu IMPLORO que esteja passando na cabeça do Bloodpop e do A.G. Cook a ideia de fazer um extended version desse projeto com as músicas, pelo menos, alcancem os 3 minutos e ganhem momentos catárticos que elevem as músicas para um outro nível. De qualquer forma, o faixa a faixa mostra que o álbum tem mais pontos positivos do que negativos.

Faixa a Faixa

“Initiate Sequence 01” é uma intro que está ali mais para “abrir a porta” do álbum do que introduzir a faixa seguinte. 30 segundos depois já vamos para “Underground”, a grande música do f5ve até aqui. O hyperpop mais acelerado e evocando referências eurobeat/para para serve tudo de mais gyaru e divertido que o J-pop dos anos 90 poderia entregar. É uma música condensada, rápida, que te deixa frenético e, por isso mesmo, funciona como algo mais curto, como se quatro minutos fossem muito bem condensados em dois. “Magic Clock” mantém a linha eletrônica japonesa mas indo para um lado idol mais atual, colorido e carismático. É o tipo de música que o Nakata lançaria para o Perfume ali na fase JPN/Level 3, mas em um pancadão maior e vocais mais processados que dariam todo o charme mais futurista e excitante que a música precisa. Me divirto muito com “Magic Clock”, mas me divertiria mais com um instrumental mais caótico de 4 minutos rodando no meu ouvido.

A seguir temos “UFO”, EDMzão anos 2000 que mais evoca a magia que o FEMM trouxe para o J-pop. As doze pessoas que conhecem a dupla sabem do que estou falando e o quão bom é esse batidão que o f5ve trouxe aqui. É artificial, com uma letra mais superficial, um trocadilho interessante e feita para você se divertir e transcender com os sintetizadores. Uma faixa muito divertida para um primeiro terço de álbum muito bom, mas aí chega “Firetruck” e jesus amado. Esse pop mais industrial/noise por si só já é pessoalmente irritante, mas aqui parece que alguém ouviu umas 3 músicas da Arca e achou que seria capaz de fazer uma música tão boa quanto, e o resultado é desastroso. “Lettuce” é uma música pensada demais para funcionar no TikTok, desde a letra com frases de efeito sobre “Você parecer como alface mas você é tóxico” até o instrumental que parece 20 segundos girando em círculos, e isso não cola comigo não. Podemos descrever “Sugar Free Venom” do mesmo jeito, mas com um instrumental mais pulsante e uma Kesha como participação especial (Que não muda muita coisa mas, bem, ela está lá).

O Sequence 01 volta aos trilhos com “Television”, que é a minha favorita depois de “Underground” porque é um housezão de passarela bem homossexual e, bem, não preciso de mais nada para me convencer que essa música é incrível. Muito yass, muito catwalk, carão e slay passando pela minha cabeça, mas o problema é que a música acaba antes do desfile e eu sinto que precisava demais para decretar essa a música do ano. “Bow Chika Wow Wow” é música de bêbada para nós, Heleninhas com problemas alcóolicos, deixarmos o vício vencer e curtir mais alteradinho em um pop bem chiclete que dá vontade de fazer uma dancinha esquisita por cima mas, junto com “Television”, são duas faixas que parecem mais interlúdios de luxo. Muito boas, mas que precisavam ser maiores para servir uma experiência completa.

“Jump” é a única música com mais de 3 minutos do álbum e, mesmo não sendo a minha favorita, é notável o quão completa a música é em comparação a outros trabalhos. Dando aquela sensação de conforto em um instrumental eletrônico futurista de jogo de videogame, “Jump” é uma música que te deixa entrar na vibe e se sentir mais brilhante conforme se desenvolve. Por fim, “Real Girl” é o J-pop mais contemporâneo ao aliar guitarras e um pop/rock meio anisong que está em alta na música japonesa mas sem deixar de ser um pancadão eletrônico. Não é um estilo que engaja muito comigo mas simpatizo muito com o f5ve para deixar a música crescer em mim, e foi uma ótima forma de encerrar o álbum.

Concluindo…

Se lançar músicas com mais de 3 minutos ainda fosse REGRA e não EXCEÇÃO, Sequence 01 teria força para ser o álbum do ano. Do jeito que está ele não é exatamente algo essencial, mostrando mais o potencial do f5ve como girlgroup que faz J-pop para quem não acompanha J-pop do que qualquer outra coisa. Tem muita ideia legal nesse álbum que pode fazer do f5ve uma das coisas mais quentes do cool japan, resta ver como isso será desenvolvido daqui pra frente.

4 comentários sobre “ALBUM REVIEW: f5ve – Sequence 01

  1. Eu achava que o pessoal tava mais empolgado pra esse álbum, mas a recepção tem sido tão morna… Acho que escolha da música da Kesha como faixa pra divulgar junto com o álbum meio que matou a divulgação porque ela é muito fraquinha (não que eu ache o resto da discografia delas muito melhor…)

    • Acho que o principal problema foi que Magic Clock é MT morna. Underground e UFO são bem fortes, aí vem uma morna e a galera da uma adornada também.

  2. Todo santo dia eu denuncio o áudio e o PV de Firetruck pra ver se essa possilga cai. Mas, continua intacto (brincadeira, não faço isso não.)
    Passado alguns dias eu vejo o quanto que Firetruck e Lettuce destoam do resto do álbum. Não fariam falta se tivessem sido esquecidas na hora de montar a tracklist.
    Underground, Television e Jump são as minhas favoritas.
    Espero que esse grupo tenha vida longa!

  3. Passo mal que elas são da mesma gravadora do PSYCHIC FEVER, MIYAVI e Crystal Kay. Isso explica muita coisa…

    Mas Psychic Fever segue lançando músicas melhores que as das gatinhas.

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