Review Retrô: Um post para falar do GLAM, o girlgroup que lançou 3 singles e matou qualquer vontade da Big Hit em lançar outro girlgroup

Amanhã a Big Hit lançará o novo boygroup CORTIS para o mundo (Na verdade já lançaram com o single “What You Want”, mas o 1º EP deles só sai nessa segunda), marcando o 3º debut consecutivo de um boygroup da principal empresa do esquema de pirâmide da HYBE. Talvez você se pergunte por que raios uma empresa com tantos grupos masculinos de sucesso se recuse a lançar um girlgroup hoje em dia, e a resposta (talvez) esteja no único girlgroup que teve o selo da Big Hit em 20 anos de existência. Sim, esse post vai fazer você relembrar da existência do GLAM.

Antes do Bang Si Hyuk se tornar se tornar o grande figurão da poderosa HYBE LABELS, ele administrava a Big Hit Entertainment, uma pequena empresa que funcionava basicamente dando assistência para empresas mais estruturadas nos anos 2000, como a JYP Entertainment e a Source Music, mostrando que o destino da Source era realmente virar puxadinho da HYBE. Foi nessa parceria com a Source Music que surgiu, girlgroup que fez seu debut em julho de 2012 com o single “Party (XXO)”.

Supostamente, o Bang PD sonhou alto com o grupo e passou 3 anos trabalhando no conceito do grupo e da música mas, honestamente, não parece que ele passou esse tempo todo trabalhando nisso não. Gosto do instrumental EDM que realmente grita 2012, mas a atitude delas cantando e fazendo os raps parece forte demais para uma música que, conceitualmente, é mais divertida e good vibes. Dá para entender isso como a forma que o K-pop tinha naquela época de realçar a vitalidade e energia de um grupo jovem e colorido, mas acho que a produção não pedia tudo isso na performance (Especialmente nos raps… Tem rap demais nessa música). É exagerado, e fica cansativo depois de alguns plays.

O desempenho foi o esperado para um girlgroup novo: Aparições discretas na parte de baixo do Top 100 dos charts com o pico de #66 na Gaon, um pouco abaixo do que os girlgroups novos conseguiram no mesmo ano (Que também não conseguiram muita coisa, em 2012 os maiores nomes rookies femininos do ano foram as solistas Ailee e Juniel), mas o suficiente para um grupo de empresa de pequeno porte como a Big Hit na época. Isso garantiu o 1º comeback do grupo, com “I Like That” sendo lançado em janeiro de 2013.

Se você assistir o vídeo de “I Like That” e pensar “Ué, esse grupo não tinha 5 integrantes? Por que só aparecem 4 monas agora?” é porque a integrante Trinity saiu do grupo em dezembro de 2012. Oficialmente a Big Hit só falou que a saída dela foi por “motivos pessoais”, mas rumores indicam um passado conturbado de Trinity como sasaeng de boygroups da SM e muita gente assume como verdade, uma vez que a Big Hit nunca fez questão de falar sobre essa história. O Super Junior é um grupo que eu queria que jamais existisse no K-pop então, se a história for verdadeira, a Big Hit fez certo em não dar muita moral e cortar logo essa fã maluca do grupo também.

“I Like That” é o grande bop do GLAM para mim. O instrumental acompanha melhor a atitude de mina fodona das integrantes, é um EDM mais pesado e marcado que funciona nessa direção mais hip hop do grupo (Que meio que assumiu a persona bootleg do 2NE1 com força nesse conceito, inclusive lançando esse single junto com “I GOT A BOY” do SNSD). A parte mais vocal/good vibes sendo apenas melodia para o refrão também foi um acerto e criou um contraste interessante e bem humorado com o resto da música, o que reflete no MV que, para mim, é o melhor da carreira delas também.

Mesmo com os rumores/saída da Trinity assombrando esse lançamento um mês antes, o GLAM conseguiu resultados comerciais melhores, um #57 na Gaon e um pouco mais de atenção do grande público, o que fez a Big Hit agilizar um novo comeback para o grupo. Então, 2 meses depois, tivemos o lançamento do último comeback “pra valer” do GLAM, “In Front Of The Mirror”:

“In Front Of The Mirror” é uma virada de conceito bem… esquisita para o GLAM. As duas músicas anteriores são farofas EDM mais animadas, alegres e bem humoradas, enquanto “In Front Of The Mirror” é um pop mais cadenciado com toques trot e uma letra autodepreciativa sobre uma garota que se acha FEIA, GORDA, BARANGA e, mesmo que todo mundo fale que ela está bonita, o espelho mostra a verdade.

Um grupo com uma imagem mais leve e despreocupada, de repente, lançar uma música falando de inseguranças e problemas com o corpo no seco soa “fora da curva demais” (Se a ideia era reverter a mensagem e ganhar simpatia das pessoas mais complexadas com o próprio corpo, ficou bem estranho), mas vale dizer que o ano é 2013 e Tia Alexandra Gurgel ainda não existia na internet para ensinar o mundo a se desconstruir e parar de se odiar, então essas músicas “eu me odeio, sou ridícula, quero ter corpo de modelo” sem uma ideia de aceitação/crítica por trás eram mais “passáveis” e comuns (Quem viveu os tempos de “Nice Body” da Hyomin sabe do que estou falando). Ignorando a letra, a melodia dessa música é uma graça e, mesmo fugindo muito da sonoridade dos dois singles, tem uma produção boa e uma performance agradável de ouvir (Sem entender o que elas cantam).

Apesar do desempenho comercial ser o melhor delas (#37 na Gaon, hitou muito!!!!), o GLAM sumiu e, por mais de um ano, só conseguiria lançar um single especial de dia dos namorados. Se fosse para supor algo, naquela época a Big Hit já havia debutado o BTS, e os esforços provavelmente estavam em fazer o boygroup acontecer, o que justificaria o sumiço do GLAM até setembro de 2014, quando elas voltaram aos holofotes nas páginas policiais após a integrante Dahee ser acusada de chantagear e extorquir o ator Lee Byung Hun, exigindo 5 bilhões de Won (30 milhões de reais, na conversão atual) para não vazar um vídeo comprometedor dele (Casado na época) fazendo piadas sexuais em um encontro com ela e a modelo Lee Ji Yeon. A investigação concluiu que o caso foi armado pelas duas e que os planos eram de fugir para a Europa com esse dinheiro todo. Em janeiro de 2015, Dahee e Lee Ji Yeon foram sentenciadas com 1 ano de prisão, e no mesmo dia a Big Hit anunciou o disband do GLAM.

Desde então, a Big Hit sequer anuncia audições para trainees femininas na empresa, e com o Bang PD criando o conglomerado HYBE, a criação e gerência de girlgroups passou a ser assunto das subsidiárias, enquanto a Big Hit Music foca em vender milhões com seus boygroups. A experiência desastrosa com o GLAM mais os super bem sucedidos e million sellers BTS e TXT deve ter feito o velho desencanar com essa ideia de girlgroup e deixar para quem tem mais comprometimento em fazer acontecer. E com os recentes problemas, escândalos e/ou processos jurídicos envolvendo LE SSERAFIM, ILLIT e NewJeans, eu duvido muito que o senhor Bang levante a hipótese de lançar qualquer girlgroup tão cedo.

18 comentários sobre “Review Retrô: Um post para falar do GLAM, o girlgroup que lançou 3 singles e matou qualquer vontade da Big Hit em lançar outro girlgroup

  1. Na minha opinião eles só não investem em girlgroup, pq perceberam que o pote de ouro vem de boygroup.
    Só da Coreia ser um país extremamente conservador e machista já atrapalha muito.
    É muito mais fácil vc ver idols/grupos femininos tomando rajadão por qualquer coisa, e afundando a carreira rapidamente.
    Fora que grupos femininos “morrem” cedo, depois dos 28 elas já estão “velhas demais” e o fandom começa a migrar pra grupos mais novos.

    Grupos masculinos tem uma fanbase muito mais empenhada (e muitas vezes doentia), ou seja, muito mais venda, muito pano passado pra qualquer polêmica, mais longevidade.
    A única coisa que precisam se preocupar é em convencer os caras a não assumirem namoro de forma pública.

  2. Esse era o grupo que as armys juravam que deu disband porque não chamaram o BTS de sunbae?

  3. finalmente história de girlgroups trambiqueiros… ninguém aguenta mais só história de girlgroup sofrendo. queremos mais girlgroups assim, girlgroup chantageando velho rico, girlgroup perseguindo macho….

    • off: sempre confundo elas com o EvoL, já tava preparando meu comentário aclamando o bop we are a bit different

      • A Zinny era minha bias. Dançava muito!
        Lembro quando I Like That saiu e eu assistia todos os stages.
        Uma pena que tiveram esse problema porque acho que elas teriam um bom futuro no Kpop, mesmo com a virada de chave no terceiro cb.
        As músicas delas ainda estão nas minhas playlists!

    • Por sinal, não teve uma ex-integrante do BlackSwan/Rania que saiu do grupo justamente por descobrirem que ela extorquia homens ou algo assim?

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