ALBUM REVIEW: Lexie Liu – Teenage Ramble

Esses últimos dias eu me peguei voltando para “X” da Lexie Liu toda vez que pensava em ouvir uma música boa voltando do trabalho, e isso me deixou meio focado nessa música. E faz muito tempo que não faço um post fora do mundinho K-pop por aqui, o que aumentou a minha vontade de falar sobre o “Teenage Ramble”. Então, eu tirei a noite para reouvir esse EP e escrever sobre aqui no blog, e até defender o trabalho da galera que sentiu que a Lexie decaiu em comparação aos álbuns anteriores. Realmente não é tão icônico quanto o “The Happy Star”, mas ainda tem muita coisa boa para destacar nele.

Artista: Lexie Liu
Álbum: Teenage Ramble
Lançamento: 16/10/2025
Gravadora: Nixie Music
Nota: 85/100

A Lexie Liu é uma artista que você pode reconhecer de diversas formas: Os mais ratos de cultura coreana podem lembrar dela como participante do K-pop Star 5 no grupo Mazinga S, os lolzeiros e gamers no geral devem associar como a voz da Seraphine no grupo K/DA, e tem quem acompanhe a cantora desde quando assinou com a 88rising e lançou o EP “2030” internacionalmente (Na China, ela lançou como “2029”). Com isso tudo e um som pop eletrônico bem moderno e desafiador, a Lexie consegue furar a bolha do mandopop e alcançar um público internacional relevante, que cresce com o passar dos anos. Talvez isso explique a sonoridade que o seu último EP, “Teenage Ramble”, possui, assim como o fato dele ser inteiramente em inglês… Ou talvez não.

Vi que alguns fãs mais velhos de guerra da Lexie não abraçaram esse EP, o que faz sentido. Além de ser um álbum pouco coeso se olharmos para o que ela fez anteriormente, as músicas são bem menos “supreendentes” em comparação com os grandes destaques da carreira da e praticamente pensadas como singles para as rádios americanas dos anos 2000 e 2010 (Tanto as farofas pop mais assumidas quanto as músicas mais alternativas dentro do EP). “Teenage Ramble” é, como o nome diz, um barulho de alguém que viveu diferentes tipos de música pop na adolescência e trouxe essa magia nostálgica para 2025. E com o revival do Y2K na música pop e novas divas pop surgindo (E ressurgindo) na cultura pop, a Lexie achou apropriado fazer um álbum com as referências dela de música pop adolescente.

Isso não significa que o EP é ruim. Na verdade, considero ele um exemplo de como deveria ser essa onda de álbuns pop versáteis e múltiplas sonoridades que a gente encara atualmente: Diversos estímulos e sentimentos proporcionados por faixas distintas e com uma personalidade própria no faixa a faixa, mas com algo que “conecta” e traz um conceito mais fechado para o conjunto da obra. “Teenage Ramble” é o trabalho menos pretensioso da Lexie Liu em termos de conceito, mas essa Lexie experimentando e brincando de ser diva pop seja algo que faça ela ter mais destaque com um público que só quer ferver com uns sintetizadores e batidas pop mais radiofônicas na mente.

“Teenage Ramble” é a versão mais divertida que temos do que é ser uma diva pop para os gays. Quer dizer, talvez não seja para os gays mais novos que têm a Taylor Swift como maior referência de pop feminino (Coitados), mas quem viveu (e ainda vive) pelo auge do eletropop e do pop mais sintetizado dos anos 2000 vai pegar bem todas as sonoridades que a Lexie traz nesse EP. Esse som mais artificial, eletrônico e colorido é carismático e viciante, todas as faixas tem algum replay factor e potencial para ser a música da sua vida na próxima semana. Obviamente não está entre os trabalhos mais emblemáticos da Lexie Liu, mas o “Teenage Ramble” é delicioso para qualquer simpatizante de música pop.

Faixa a Faixa

“Adrenaline” e “Teenage Rumble” abrem o álbum com aquele pop alternativo que você ouviria de alguma banda independente dos anos 2000 com um sintetizador eletrônico e um sonho. É impossível ouvir os “alala” de “Adrenaline” e não lembrar de CSS, enquanto “Teenage Rumble” traz uma guitarra mais destacada junto aos synths e um refrão de atitude mais rebelde, dando um tom levemente pop punk para a música. Essas duas músicas como abertura soam meio “propaganda enganosa” para um álbum que traz toneladas de músicas pop e eletrônicas mais comerciais, mas serve como um aceno para trabalhos anteriores da Lexie. “FFFFFF” já torna as coisas mais “mainstream” com esse pop saído de algum projeto de Aly & AJ ou The Veronicas nos anos 2000. O som é ótimo, mas o que vem a seguir é uma das sequências de 3 músicas mais fortes do ano de 2025 no asian pop.

“Deeper & Deeper” é fascinante, com a ideia de música eletrônica futurista da virada do milênio em seu auge, com um bass etéreo e vocais distantes da Lexie, que proporcionam a sensação dela estar caindo em um abismo de emoções cada vez mais profundo. A música é uma produção do Danny L Harle, e dá para sentir a assinatura dele nesse tipo de trabalho mais pop (Soa para mim como uma irmã low profile de “Heaven” da Kalen Anzai também produzida por ele, lembram?). Uma das melhores músicas de 2025, e na sequência temos OUTRA das melhores músicas de 2025.

“X” é o grande single desse EP e traz o auge do pop dos anos 2000 de gostosa que é gostosa demais para VOCÊ. Ao mesmo tempo que soa como o auge da dupla Timbaland e Danja produzindo música pop para fodonas da época como Nelly Furtado, é uma música moderna e que se encaixa bem na nova leva de divas pop E tem os vocais da Lexie que dão toda uma personalidade da cantora para a canção, deixando ela emblemática. Já “Pop Girl” é uma música pop de garota, que garotas e gays vão gostar. E, como um gay, eu curti muito. “Pop Girl” é aquele electrohouse de pista dos anos 10 bem artificial e estiloso, que funciona tanto pela crítica na letra que fala sobre o quão fútil e dependente de aceitação e validação externa uma pessoa pode ser (Na vida real e virtual) quanto para NÃO ligar para a crítica e fritar com os sintetizadores rosa e toda essa artificialidade de gatinha descolada das redes. A música mais “ame ou odeie” do álbum, e eu AMEI.

“Like U” é o drum n bass menos pancadão que ganhou força no mainstream pop nos últimos anos (Especialmente em quem está muito afim de emular a PinkPantheress), mas a música parece não chegar a nenhum lugar. Parece que todo mundo pegou a ideia de música eletrônica desconstruída e easy listening que a panterinha tem, mas peca em execuções que não servem um auge de produção ou um refrão realmente catchy. Soma isso com uma música que não tem tempo para cativar o ouvinte, e temos uma faixa bem meh. Um meh fofo, mas dispensável para a Lexie. O álbum fecha com uma demo de “Cigarette”, que realmente parece uma demo. Algumas ideias de instrumental soltas com vocais mais sóbrios da Lexie, tudo bem simples e que parece pedir por mais algumas sessões para polir e “finalizar” a faixa com mais potência. Espero que isso aconteça com essa música no futuro, mas essa demo crua é bem interessante.

Concluindo…

Até o trabalho mais genérico e menos pretensioso da Lexie Liu consegue ser um dos destaques mais interessantes do Asian Pop em um ano. Quem conhece a Lexie deve sentir que o “Teenage Ramble” é um “passo para trás” mas ainda vai achar algo para se divertir nele, e quem conheceu ela nesse EP tem como obrigação conhecer os álbuns anteriores da gata.

Um comentário sobre “ALBUM REVIEW: Lexie Liu – Teenage Ramble

  1. Gosto muito da diva. Ainda sou uma gatinha edgy apegada ao The Happy Star, mas consegui curtir esse novo ep.

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