Da série de posts que eu jurava ter feito nesse blog mas, pelo jeito, nunca aconteceu, recebi um pix para ranquear os singles da carreira do 9MUSES do pior ao melhor. “Como assim, eu ainda não tinha feito um post assim para as musas?” foi o que passou na minha mente até jogar na pesquisa e ver que, DE FATO, não tinha feito um post para relembrar a carreira de um dos grupos mais injustiçados do K-pop. Será que a sua favorita é a mesma que as minhas favoritas? Descubra agora
Tier D — Ruim/Horrível
Nenhum
O 9MUSES ser conhecido por ter um dos piores debuts da história do K-pop segundo os coreanos é uma bobagem. Parte disso deve ser lobby da fanbase sone que não tankou o fato de outras 9 musas montarem um girlgroup e saiu na caça as bruxas com elas do mesmo jeito que todo grupo que a mídia ameaçava ser concorrência para o SNSD, e outra parte simplesmente não captou o camp que “No Playboy” possui (Tem tanta tranqueira hoje em dia que a fanbase chama de camp, me deixa defender as musas também). E depois disso, as gatas simplesmente evoluíram a performance e as músicas na base do ódio, então não tem nada condenável lançado por elas nos 8 anos de carreira.
Tier C — Mais ou Menos
No Playboy
“No Playboy” é aquela comadre que apanhou tanto da vida que você simpatiza com ela por certa pena e, depois de um certo tempo, enxerga qualidades e acaba criando carinho e uma vontade genuína de conviver com ela. O MV fuleiro e pobríssimo deixa uma impressão horrível e alguns vocais parecem captados numa garagem qualquer (o que era bem possível pois, bem… Star Empire né), mas o instrumental é uma delicinha e a seção de rap já se mostrava como uma das grandes qualidades do 9MUSES como girlgroup. Não é exatamente uma música boa e a Star Empire poderia ter dado uma retrabalhada sabendo que essa demo rodou nas lixeiras de toda a Coreia, mas tem uns ganchos cativantes e dá para tratar como um “sexy camp” (Se isso faz sentido).
Remember (2019)
O 9MUSES não poderia deixar de cantar para subir com uma baladinha de despedida para os fãs. Nem toda empresa pensa em uma música de despedida como um single de fato e dá qualquer baladinha tocante para os fãs adotarem como presente, e o 9MUSES não é um grupo vocalmente forte para elevar isso aqui. Meh.
Tier B — Bom
Dolls
Eu sou uma espécie de “exceção” dada a popularidade dessa música (Que não chega a ser um hit mas é a mais lembrada das musas pelos coreanos), mas tem algo em “Dolls” que nunca me prendeu. Acho que é o fato da música ser meio parada e não saber exatamente o que fazer com esse instrumental retrô jazzy, pois os versos e o rap parecem ir para um caminho sexy e melodramático e o refrão vai numa direção mais carismática e levemente aegyo que, para mim, não combinou muito. É uma música fofa com um refrão adorável, mas nunca passou disso para mim.
Sleepless Night
O grande problema do 9MUSES é que a Star Empire não estava em condições de descartar absolutamente nada que chegava no email deles, o que resultava em músicas que claramente precisavam de mais trabalho para funcionar direito. “Sleepless Night” é o Brave Brothers no automático com essa midtempo dramática que tenta trazer um tom mais dark de gostosas tristes e com tesão, o que é legal no papel e sustenta essa música no final do dia, mas a execução não é empolgante e o instrumental é bom, mas parece faltar objetividade e um momento realmente catchy. É uma boa música, mas se perde no meio das produções mais sensuais que o brave sound já desovou nessa vida.
Remember (2017)
Outro exemplo de música que chegava crua na Star Empire e eles falavam “Bora, 9MUSES, gravando”. A música ganharia níveis se o instrumental da 1ª e da 2ª leva de versos fossem uma coisa só (E não tivesse uma mixagem nível “No Playboy” de questionável), mas a ideia mais dramática e dark que tentaram dar para “Remember” faz essas partes ficarem separadas na intenção de ser introspectiva, resultando em um som tedioso que dá uma afundada na faixa. “Remember”, no geral, não é ruim e eu tive a minha fase “yasss kweens” com a música, mas ela meio que só vale pelo refrão que eleva esse drama em um som sintetizado mais creepy e é um dos melhores da carreira do grupo.
Love City
Esse final de carreira do 9MUSES não envelheceu muito bem comigo não. Lembro de ter amado horrores “Love City” na época do lançamento, mas ouvir esse 2026… É, não tem a mesma magia. Assim como “Remember”, tem um refrão MUITO bom que carrega uma música crua e sem refinamento. “Love City” é um EDM meio nugu que só junta uns oontz oontz e uns versos sussurrados/gemidos que parecem errados e bobinhos, e é como ouvir algum pancadão mais rampeiro do HELLOVENUS: Divertido e meio camp, mas poderia ser bem melhor trabalhado. Falta tempero e mais energia para “Love City” ser um grande single final na vida do 9MUSES, mas ainda dá para servir cunty numa pista de dança.
Tier A — Ótimo
Figaro
Nada como um comeback na base do ódio para elevar seu nível no K-pop, né? Depois de duas saídas e um dos debuts mais esculhambados do K-pop, o 9MUSES voltou com “Figaro” e a evolução é gritante. Uma música disco bem desenhada, melhor mixada, com um break babilônico e um refrão bem legal. Algumas musas até tiveram oportunidade de se venderem como vocalistas e servirem vocais ao longo do refrão, e tudo isso em menos de 6 meses. É esse tipo de comprometimento e luta para conseguir aquele rentável comercial de frango frito e chip da intel que faz os fãs da 2nd gen do K-pop terem motivos para humilhar as músicas de hoje em dia.
Ticket
Não está entre os meus singles favoritos do 9MUSES, mas “Ticket” é um trabalho intrigante. Tipo, é óbvio que a Star Empire queria emplacar a “Hoot” do 9MUSES aqui e essa mira no pop retrô mais dramático e cafona não é algo exatamente impressionante nesse nicho de pop retrô da década passada no K-pop, mas o resultado é tão original que o único grupo que poderia fazer algo parecido era… o próprio 9MUSES. É uma combinação tão absurda de estilos, sintetizadores e vocais que dá certo e é super viciante. É um trabalho especial, sem dúvidas.
Drama
“Drama” é “Dolls” ainda mais retrô e, digamos, “correta”. A abertura com o rap é INSANA e os versos tem um atrevimento “fofo” de grandes divas que deixa a música ainda mais cativante. Nessa época a Star Empire e o 9MUSES pareciam ter entendido as pazes e refinado a ideia de girlgroup sexy, e “DRAMA” é criativa por conseguir fazer um pop retrô e classudo, sendo sexy mas sem descambar em descer até o chão (O que não é um problema, como verão no resto do post, mas é ótimo para a proposta da música). Só senti falta de um refrão mais emblemático para elevar “DRAMA” à perfeição, mas não é nada que comprometa o ótimo trabalho feito aqui.
GUN
Sempre considerei “GUN” o ultimato desse pop retrô mais vintage do 9MUSES. Num primeiro momento “GUN” soa como uma forma repaginada de “Ticket”, mas toda a ideia de fazer algo sexy e vintage sem baixar o nível ou perder a essência dançante está tão bem lapidada e impressionante que é, basicamente, o amadurecimento e evolução do 9MUSES aos cuidados mais que especiais do Sweetune. Com isso dito… Esse rap me soa extremamente desnecessário e me impede de colocar “GUN” no Tier S (Essa ponte devia ser só a parte cantada e o instrumental com elas dando a vida em um break dance maravilhoso). De resto, “GUN” é arrasante.
Tier S — Perfeito
News
O 9MUSES tem uma singlegrafia praticamente imaculada (Especialmente entre 2012 e 2015) e é daquelas onde cada um dos 29 fãs que o grupo teve na carreira tem um single diferente como favorito. E, para mim, “News” é A música do 9MUSES. Elas ainda tinham o ódio e a necessidade de se provarem como um girlgroup de verdade depois das tamancadas do debut, e “News” entrega essa brutalidade de forma glamurosa, feminina e cativante. O refrão é ouro, os versos são sing along e a ponte+refrão final é daqueles que é me arrebata e me leva aos ceus ouvindo. Pop perfection do início ao fim, e a maior prova que o 9MUSES foi um dos grupos mais injustiçados da história do K-pop.
WILD
Lembram quando as músicas mais caóticas do K-pop serviam glamurosos e apocalípticos momentos eletrônicos e não pataquadas sonoras na tentativa de ser descoladas com a atual geração? Se não, “WILD” está aqui para mostrar isso. O instrumental do 1º refrão vira um amontoado de sintetizadores agressivos e selvagens que dão a EXATA adrenalina e sensualidade que “WILD” precisa, e fazer isso com o melhor rap da carreira do grupo deixa tudo ainda mais emblemático. E a forma como, depois dele, a música fica ainda mais dramática e explosiva, faz de “WILD” um trabalho ESSENCIAL para qualquer aspirante a kpopper que quer navegar pela história da indústria.
Glue
O budget estava baixo, a Sera estava de saco cheio e o 9MUSES estava indo para o 4º flop de 2013, mas o fogo no olhar ainda estava presente e “Glue” é uma das melhores execuções de música disco no K-pop até hoje. É essa abordagem mais sexy do grupo permitiu com que muitas músicas fugissem do óbvio nem que pela “aura” transmitida, pois não temos um número disco tão atrevido e libidinoso como esse no K-pop (Nem mesmo hoje em dia, que fazer música disco está em alta). “Glue” é saborosa, pegajosa e envolvente, o bastante para deixar no repeat horas a fio enquanto bebo um maravilhoso drink e vou curtir a noite paulistana.
Hurt Locker
“Hurt Locker” é uma das minhas ULTIMATE SUMMER SONGS do K-pop. Gosto muito de como a guitarra dá toda a carga que os versos precisam junto com a batida eletrônica, e a a forma como ela se transforma no pré-refrão para me parar para o MÁGICO refrão europeu que me leva diretamente para Ibiza é sensacional, além dos meus vocais favoritos em um refrão do 9MUSES (O gritinho no final… chave de ouro aqui). Nada é óbvio em “Hurt Locker” e, mesmo depois de tanto tempo, eu ainda me surpreendo com as decisões que foram tomadas para criar essa música. Uma das melhores e mais potentes músicas de verão já feitas no K-pop.