ALBUM REVIEW: Yukika – Timeabout,

Eu tinha prometido para alguém na minha DM que faria o review do “Timeabout,”, o 1º mini álbum da Yukika, aqui no blog… E eu simplesmente esqueci de fazer isso. Então vamos aproveitar que fim de semana não tem nada de relevante para comentar normalmente e finalmente falar sobre esse lançamento. A Yukika conseguiu entregar algo tão icônico quanto “SOUL LADY”? O City Pop ainda tem muita vida na Coreia? Será que a Yukika faria mais sucesso lançando esse álbum no Japão? Nem todas essas perguntas serão respondidas, mas a minha análise do álbum você confere nesse post:

Artista: Yukika
Álbum: Timeabout,
Lançamento: 07/04/2021
Gravadora: UBUNTU Entertainment
Nota: 77/100

Quem conhece a Yukika sabe que os trabalhos dela tem um enredo por trás mais claro porque ela, basicamente, tenta transformar sua história e aventura como cantora em álbuns city pop. Essa é a ideia dela como artista, onde ela se encontra e como ela quer ser lembrada. Isso é interessante se observarmos a atual conjuntura da música pop (Especialmente o K-pop), pois a Yukika cria uma constância no seu material que é agradável até certo ponto: Você sabe o que ela vai lançar em cada álbum (Até espera por isso) e, mesmo assim, ela consegue encantar qualquer um que ouve. A Yukika não é uma artista que tenta te impressionar com novos sons e músicas mais experimentais dentro do que ela se propõe (Até porque uma japonesa fazendo City Pop na Coreia já parece algo totalmente experimental), mas sim mostrar que ela é boa contando sua história dentro de um gênero que a torne memorável um dia. Em “SOUL LADY” ela deixou em aberto se ela desistiria ou não disso tudo, mas “Timeabout,” mostra que sua primeira experiência valeu a pena e ela está pronta para seguir em frente.

“Timeabout,” dá continuidade a jornada da Yukika, dessa vez com ela seguindo em frente com novos desafios sem se desligar do seu passado e de sua essência. E se o “SOUL LADY” tem uma energia de menina nova conhecendo o mundo, “Timeabout,” tem uma pegada mais melancólica e reflexiva, onde a Yukika parece entender que a sua principal aventura é descobrir sobre ela mesma. O ponto negativo desse álbum acaba sendo, justamente, ele permanecer no mesmo mood na maior parte do tempo: As 4 primeiras músicas são diferentes entre si, mas existe entre elas o mesmo sentimento que faz com que, juntas, pareçam uma grande faixa de 10 minutos de duração. Isso é facilmente corrigido com uma mudança de músicas na tracklist, mas o EP acabou ficando mais pesado do que queria, e o “Timemonth,” acaba sendo um trabalho, ao mesmo tempo, fácil e difícil de digerir (Fácil por todas as músicas individualmente serem de boas para cima, difícil pelo conjunto parecer ter 40 minutos ao invés de 20).

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“Timeabout,” é um álbum menos, digamos, “explorador” que SOUL LADY. Esse EP é quase focado no seu City Pop e suas variações, com tudo mais redondo e focado em uma mesma sonoridade e dando uma conceituada no rolê, afinal Yukika está revivendo o som da noite dos anos 80 no Japão para se tornar o som da noite de 2021 na Coreia. Considerando que é um EP eu acho que dá para levar numa boa o fato de todas as músicas serem familiares entre si por ser um trabalho menor, mas eu fico pensando se algo assim REALMENTE funciona em 2021. Eu disse uma vez que acho muito ousado a Yukika apostar em um gênero assinatura para chamar de seu ao invés de se mostrar versátil em diferentes ritmos como quase todo artista pop faz, mas o “Timeabout,” mostra que, embora não tenha uma faixa mais ou menos nele (Eu gosto de todas as faixas), uma tracklist tão linear faz o álbum parecer maior do que de fato é, o que acaba cansando um pouco o ouvinte até chegar ao fim.

O álbum começa com a intro “Leap forward”, que significa “Saltar para frente” e é um desfecho da história contada no 1º álbum, onde Yukika não volta para casa e decide seguir em frente com seu sonho. A faixa é só um instrumental city pop de 1 minuto, gracioso mas não tem muito o que comentar aqui, mas é um ótimo gancho para o encontro entre passado e presente que Yukika promove com a faixa principal do álbum, “Insomnia”. Compro perfeitamente a ideia de “Insomnia”, entregando uma faixa tranquila e passional que me faz companhia para momentos mais conturbados, mas acho essa faixa “tranquila demais” para liderar um álbum. É um ótimo trabalho que eu aprecio muito, mas mais com cara de pré-lançamento do que de single principal.

“Lovemonth” foi a faixa que serviu de pré-lançamento do EP, e acho que essa música tem muito mais força (Especialmente no refrão, que é o melhor do álbum). Ela mantém o conceito de garota da cidade da Yukika, mas parece uma faixa bem mais ambiciosa dentro do álbum e, por consequência, mais memorável. “Time Travel” volta com outro city pop vivo, instrumental doce e vocais angelicais, mas ele revela a maior fraqueza do álbum: Ele parece “se repetir” demais. Mais uma vez, eu entendo a ideia de criar um trabalho mais conceitual e coeso ao invés de experimentar diferentes gêneros, mas “Time Travel” acaba não tendo um momento de destaque depois de ouvir 3 músicas que seguem o mesmo padrão. Individualmente não é uma faixa ruim, mas dentro do álbum ela acaba passando batido tanto por não ser uma faixa trabalhada/divulgada como as duas anteriores como pelo próprio som ser o menos memorável dos 3. Um city pop sentimental é sempre bem vindo, só não sei se era a melhor opção para essa tracklist.

Yukika - The 1st Mini Album: timeabout, (Track List Teaser) : kpop

O grande destaque do álbum é a faixa mais desafiadora da Yukika nesse comeback, “Secret”. Descrita como um “Post City Pop”, “Secret” nada mais é que um synthpop que deu uma carreira para o April em 2020 (Sério, ela me lembra muito “Lalalilala”) e é o momento em que o álbum ganha um brilho diferente, como se a nova aventura da Yukika de fato começasse. Acho que ela poderia trocar de lugar com “Time Travel” na tracklist (Valorizaria “Time Travel” e não perderia a força de “Secret”, que é claramente a faixa feita para soar fora da zona de conforto da cantora) mas tudo bem, nessa faixa vemos que Yukika é versátil e pode entregar uma boa canção fora do seu city pop característico. Por fim temos “PUNG!” voltando para a assinatura da Yukika e servindo a baladinha de fim de álbum sendo mais interessante que as baladinhas de fim de álbum padrão do K-pop. Porque esse pode não ser o trabalho conceitual mais forte da Yukika, mas o caminho que ela toma sempre transforma faixas que poderiam ser comuns em projetos únicos.

Apesar do álbum parecer dar algumas voltas dentro de sua tracklist, “Timeabout,” é um álbum muito interessante e fora da curva se tratando de uma artista pop. A Yukika tem um charme cativante, as músicas facilmente me desarmam e eu consigo adorar facilmente tudo que ela lança, mas acho que ela poderia tomar cuidado para não soar repetitiva em seus próximos álbuns. Posso estar sendo exigente demais com uma garota tão jovem, mas a Yukika é uma artista promissora e esse EP é um pouco confortável demais para quem tem um 1º álbum tão empolgante e audacioso.

2 comentários em “ALBUM REVIEW: Yukika – Timeabout,”

    1. Concordo muito com a parte de parecer uma grande música de 10 minutos mas realmente, é uma música de 10 minutos tão agrádavel e a voz dela é muito única para quem tá bem enfiado nesse nicho de kpop e torna o combo melodia+cantoria dela uma combinação perfeita pra um fim de tarde. Secret e pit-a-pet seguem sendo os trabalhos mais fora da caixinha dela pra mim, acho que seria massa ela investir num album focado nisso: misturas de city-pop com outros genêros que trouxesem produtos únicos mas com aquele feeling de ser um trabalho da Yukika mesmo

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