Yukika está pronta para inventar o City Pop no Japão com “Tokyo Lights”

Tem alguns atos do K-pop que a fanbase jura que vai fazer um sucesso incrível no Japão e acaba não dando em muita coisa, tipo o Crayon Pop que achavam que ia acontecer só por ter um conceitinho aegyo mais para o lado de palhacinhas que o kpopper da época jurava que era a cara do Japão ou o Dreamcatcher que é um grupo de gatinhas batendo cabelo no rock e sendo uma concorrência coreana para o BABYMETAL. Podemos colocar a Yukika nesse balaio, já que é uma japonesa cantando City Pop então É CLARO que ela vai fazer mais sucesso no Japão do que na Coreia… Certo? Não sei, mas se depender da primeira faixa original japonesa da cantora “Tokyo Lights”, eu acho que ela merece um hit por lá:

Antes de tudo um fun fact: O City Pop não é uma “criação japonesa”. Apesar do gênero resumir boa parte da música pop japonesa nos anos 80, o conceito de City Pop surgiu fora do país e o japonês médio não faz a mínima ideia do que é City Pop mesmo com o BOOM de “Plastic Love” da Mariya Takeuchi nos últimos anos (Que reviveu a carreira da mulher num nível absurdo). Esse vídeo mostra mais ou menos como um japonês comum de meia idade (Que teoricamente viveu a onda do City Pop nos anos 80) nunca ouviu falar do gênero antes:

Então o que a Yukika está fazendo agora é mais do que “começar” uma carreira como solista no Japão: Ela está revivendo raízes, trazendo um novo significado para parte da música pop japonesa e transformando sua arte em um ponto inicial para uma reparação histórica, onde japoneses podem entender o City Pop como uma criação do próprio país, mostrando como a Yukika será um marco para a música pop nos próximos anos.

Sobre “Tokyo Lights”: Acho que a música bebe um pouco demais de “Stay With Me”, música da Miki Matsubara que foi outro viral citypopesco nas redes sociais (Pegando até o #1 no chart global de virais no Spotify), e é basicamente uma versão mais e animada e “Soul Lady” dessa música. Isso acaba sendo um ponto negativo para a Yukika uma vez que, no Japão, as referências são um pouco mais amplas que na Coreia (Que basicamente conhece “Plastic Love” e tenta remixar em farofinhas mais modernas mês sim mês não) e “Tokyo Lights” acaba sendo meio “óbvia”, mas isso é mais eu sendo chato do que eu achando a música ruim. Muito pelo contrário: “Tokyo Lights” é incrível.

A coisa mais legal de “Tokyo Lights” é fazer dela uma música dos anos 80 que calhou de ser lançada em 2021. Não existe nenhum modernismo ou alguma espécie de reinvenção em cima desse city pop, e é quase como a Yukika homenageando o gênero com uma faixa gostosa que te deixa confortável para fazer um passeio pela cidade enquanto as luzes noturnas de Tóquio estouram a sua visão. A fórmula é a mesma de todo single da Yukika, com vocais adocicados, instrumental nostálgico, refrão leve e uma guitarrinha safada que surge para encantar qualquer ouvinte, mas existe uma individualidade em “Tokyo Lights” que me faz adorar essa faixa tanto como qualquer outra faixa que eu aclamo dela por aí. Uma graça.

Para o que se propõe e com o orçamento que tem, a Yukika faz um trabalho admirável. Não é qualquer um que consegue criar uma discografia tão interessante seguindo uma única proposta, e para alguns nem a própria Yukika é exceção (Não discordo de quem acha que ela lança a mesma música pois, bem, elas são parecidas até certo ponto mesmo), mas o que ela lança é MUITO bom e é o que importa. Nem todo mundo precisa se reinventar a cada comeback, e a Yukika prova que se consolidar em um único estilo também faz dela uma artista criativa e especial.

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3 comentários em “Yukika está pronta para inventar o City Pop no Japão com “Tokyo Lights””

  1. A Yukika é realmente uma das artistas mais interessantes atualmente pra mim, tanto na esfera asiática quanto fora, ela realmente parece apaixonada pelo som que escolheu e todos os trabalhos dela conseguem ter esse estilo conciso mas que difere da manada. Muita gente ta apostando no city pop atualmente mas ninguém faz “como a Yukika faz”, dá pra entender? Talvez eu seja culpada pra falar pois amo demais esse gênero mas eu acho de verdade que as músicas dela não são só uma grande homenagem elas são realmente boas em mérito próprio e isso é muito legal

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  2. A questão do City Pop é meio estranha porque ele veio de uma generalização ocidental de uma caralhada de coisa no Japão na virada de década 70 pra 80. Vai de folk pra rock pra jazz fusion pra pop pra techno… enfim.
    O mais próximo que os japas podem relacionar é New Music e a panelinha de compositores formada pelo Tatsuro Yamashita, Ryuichi Sakamoto, Masataka Matsutoya (e as esposas Mariya Takeuchi, Akiko Yano, Yumi Matsutoya) e Takuro Yoshida (que não tem esposa musicista, mas tinha a própria gravadora à la JYP) que tem mão em boa parte do que virou hit nos anos 80 e definiu o que é J-POP atualmente. Pergunta prum japa o que é City Pop e ele não vai saber, mas fala New Music ou Showa-kayo que ele deve saber alguma de cabeça. Repara que no próprio vídeo mencionam alguns deles até.

    Ah, é, a Yukika.

    O single tá gostosinho, mas chega a beirar o derivativo de um jeito não muito legal. Tipo, as referências estão tão claras que me dá mais vontade de ouvir elas do que essa música. Essa música é perfeita pra quem não conhece nada, mas eu duvido que no Japão, onde quase sempre tem algum programa resgatando música velha e vários desses artistas continuam lançando música, isso vá ser grandes coisa. Mas nunca se sabe, vai que o Niconico pega essa música e viraliza. A melhor das sortes pra ela.

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