ALBUM REVIEW: TWICE – Formula Of Love: O+T=<3

TWICE é um grupo que sempre crio expectativas, pois eu sempre saio satisfeito com os projetos coreanos delas. Desde que o grupo mudou a chave e resolveu servir aos gays de boate de diferentes formas, o grupo também começou a entregar álbuns mais sólidos, que dão vontade de ouvir do início ao fim e valem a pena comprar e dar stream. Então, quando veio o anúncio do “Formula Of Love: O+T=<3”, eu fiquei realmente empolgado. E quando o álbum foi anunciado com 16 faixas eu fiquei ainda mais empolgado, afinal se o full album anterior do TWICE foi icônico, esse sendo maior seria ainda mais icônico, certo?

Então veio SCIENTIST, que é……. OK. Uma música legal, mas comparado ao que o grupo vinha lançando e a toda a brasilidade que elas serviram em “Alcohol-Free”, é um single que brilha pouco e é chega a ser sem graça para o TWICE. Mas um single extremamente safe que não faz nada por mim me impediria de ouvir o álbum? Claro que não, então aqui estamos para analisar por completo o mais novo projeto do TWICE. Será que o Formula Of Love é forte o suficiente para compensar um single mais bland? É isso que vamos ver agora:

Artista: TWICE
Álbum: Formula Of Love: O+T=<3
Lançamento: 12/11/2021
Gravadora: JYP Entertainment
Nota: 80/100

Ouvindo o álbum, eu acho que elas queriam dizer que a fórmula do amor é uma sequência de faixas disco poderosas, pois o ponto mais forte dele é quando elas se aprofundam nesse estilo e me faz voar para os anos 70. Ele seguir um direcionamento mais único nesse ponto foi bom, pois criou todo um universo repleto de referências e uma sonoridade que, embora seja revivida hoje em dia (TWICE não é o primeiro nem será o último grupo de K-pop investindo em Disco Music hoje em dia), foi feito de uma forma que me leva direto para os anos 70. Nesse ponto, ele funciona mais ou menos como o “REBOOT” do Wonder Girls funcionou no synthpop 80’s.

O principal problema do álbum é que ele tenta ser grande demais. Sabemos que é difícil um álbum de 16 faixas se sustentar do início ao fim, já vimos isso esse ano, e não foi diferente com o TWICE: Fora das faixas disco, o Formula Of Love perde fôlego com faixas não tão excitantes. Começa pela faixa principal e indo pelas faixas mais piranhonas e até as mais lentinhas, todas são simpáticas porém fica aquele sentimento de que não são nada demais. A impressão é de que são dois álbuns encapsulados em 1: Um álbum mais conceitual, focado nelas serem as fodonas dos anos 70, e um mais variado, com diferentes estilos como foi com o “EYES WIDE OPEN”. Esse segundo lado do Formula Of Love parece um “Lado B dentro do Lado A”, onde tem faixas interessantes nele mas que, quando são colocadas junto com os destaques do álbum, acabam não despertando meu interesse em ouvir de novo.

Formula Of Love traz 2 ou 3 faixas que já são as melhores da carreira do TWICE, mas eu queria muito que fosse um álbum mais focado no conceito mais retrô que o JYP insiste em não investir. Quem ouve “SCIENTIST” e “The Feels” nem imagina as pérolas 70s que esse álbum possui, e é uma pena os singles desse álbum não venderem tão bem um projeto que, no fim, é muito bom. Seria ainda melhor sacrificando umas 3 ou 4 faixas que só enchem linguiça no álbum, mas o TWICE ainda traz outro álbum consistente que alimenta ainda mais a discografia fortíssima que o girlgroup vem construindo ao longo desses últimos anos.

Faixa a Faixa

O álbum já começa com sua faixa principal “SCIENTIST”, e minha impressão sobre a música continua a mesma da época do comeback: É uma boa faixa, mas não é forte o bastante para ser single. A impressão que tenho de “SCIENTIST” é que ela é mais um single especial sem muita pretensão (Como “CRY FOR ME” foi, por exemplo), pois é o tipo de farofinha que não muda a vida de ninguém mas, ocasionalmente, vale a pena ouvir e ser feliz. Só que promovendo o álbum ela perde o brilho e fica aquela coisa de “Nossa, poderia ser melhor né?”… E isso se confirma já na próxima faixa, pois “MOONLIGHT” é um dos grandes destaques de 2021 com TWICE provando ser as 9 netas da Kylie Minogue e entregando a perfeição disco que a Kylie serviu pra gente com o disco DISCO. Em outras épocas onde o JYP estava mais empenhado em servir conceito retrô essa música ganharia um MV safadíssimo delas se acabando na pista de dança, mas não dá para se ter tudo né.

“ICON” é uma faixa que a minha bolha aclamou muito pois o TWICE com músicas mais fortes e de atitude é uma coisa que sempre soa inesperada e crocante. Ela bate “BRING IT BACK” como faixa de piranhona gostosa do grupo? Não (E soa meio que descarte do “Thank U Next” da Ariana Grande também), mas é uma faixa bem legal. Me sinto gostosa, me sinto peituda, me sinto icônica, então a faixa cumpre o seu papel, só não funciona mais por ser sanduichada na tracklist por faixas disco ainda mais icônicas. A próxima do álbum, “CRUEL”, de início soa como a prima classuda de “Where Does The DJ Go?”, mas logo depois se mostra uma prima divertida que sabe agradar gays na balada. O mais legal em “CRUEL” é essa mistura de nostalgia que reviver uma faixa disco hoje em dia dá, e que o TWICE conseguiu executar de uma forma que faz ela brilhar e ser memorável no meio dessa trend. O instrumental é muito bom, mas ouvir elas cantando em cima é simplesmente divino.

TWICE on Twitter: "TWICE 3rd Full Album "Formula of Love: O+T=<3" Release  on 2021.11.12 FRI 2PM (KST), 0AM (EST) Worldwide Pre-order Starts  2021.10.12 TUE 11AM (KST) 2021.10.11 MON 10PM (EST) #TWICE #트와이스 #

“REAL YOU” mantém o estilo disco vivo, mas de uma forma mais colorida e mais dentro do que os grupos coreanos apostam nesse estilo. “REAL YOU” parece sair da mesma forma de músicas como “Oh! My Mistake!” do April e “SHOOT!” do Girls Planet 999, mas o TWICE é um grupo que já venceu na vida então consegue servir uma produção mais refinada para o público. Isso não quer dizer que é uma faixa incrível (Das faixas disco do álbum até aqui é a mais tanto faz), mas valoriza tanto os vocais do TWICE quanto o conceito que o grupo vem explorando até aqui, então é outra faixa essencial para essa fórmula do amor. Já “F.I.L.A (Fall In Love Again)” é total diva pop da disco music nos anos 70 (Ou Daft Punk servindo disco music em 2010 como se fosse os anos 70), e é esse tipo de referência mais distante do habitual que não tem em “REAL YOU” e faz “F.I.L.A” ser mais forte na minha playlist.

“LAST WALTZ” traz de volta o TWICE de batidão mais forte e atitude mais femme fatale, mas achei o refrão meio deslocado da música, que por si só parece meio vazia e sem um grande direcionamento. Eu achei no início que elas serviriam latinidade num reggaeton bem piranhesco, mas aí entra o pré-refrão invocando uma pequena ópera e o refrão partindo para o trap e eu fiquei meio confuso. Não é um desastre de ouvir, mas também não é tão excitante quanto deveria ser. O mesmo dá para dizer de “ESPRESSO”, que parece ser algo mais fora do comum e impactante mas, no final, nem é nada demais.

TWICE drops the first set of concept photos for 'Formula of Love: O+T=<3' |  allkpop

Depois de uma sequência de faixas mais fracas, hora de desacelerar um pouco: “REWIND” é a midtempo emotiva que tem em todo álbum de K-pop e não faz nada por ninguém, é só para mostrar que elas são versáteis e cantam baladinha emotiva também. Já “CACTUS” é mais profunda e tem mais conteúdo indo por uma vertente mais baladão pop/rock dos anos 2000, além dos próprios vocais serem mais sentimentais e mais convidativos para acender um esqueiro e chorar ouvindo. Os baladões de K-pop geralmente são muito guiados pelo piano (Quando não são SÓ vocal e piano), então quando alguém surge com algo diferente (Especialmente um girlgroup mainstream), é válido apreciar e exaltar. Lógico que com tanta faixa mais legal “CACTUS” acaba sendo esquecida no churrasco, mas é uma boa música.

E aí chegamos na sequência das sub-units do grupo, onde elas se dividiram em trios para lançarem suas próprias músicas. A primeira é “PUSH & PULL” (Jihyo, Sana e Dahyun) que acreditaram que o álbum seria full disco e, bem, serviram seu disco bem geladinho também. “HELLO” (Nayeon, Momo e Chaeyoung) já vai pelo lado mais bandidonas e servem um trapzão bem OK mas elas estão tão mal acostumadas nesse estilo que nenhuma delas sabe exatamente como vender os versos, numa coisa meio “Pessoas brancas fazendo rap” que chega a ser até desconfortável de ouvir. Por fim temos “1,3,2” (Jeongyeon, Mina, Tzuyu), que é um reggaeton do KARD (Literalmente) e como hoje em dia eu simpatizo bem mais com as farofas de início de carreira do grupo da DSP (Até pelo lixo que foram as últimas também), também simpatizei com o reggaeton do trio. Na corrida das units “PUSH & PULL” é a minha favorita das 3, com “1,3,2” vindo logo atrás e “HELLO” podendo ficar em casa mesmo.

O álbum está chegando ao fim, com a última inédita dele sendo “CANDY” que é um tanto faz mais legal. A faixa é lentinha, tem uma bandinha de fundo, é um popzinho que tocaria em qualquer rádio mais nostálgica e tal. Se Maroon 5 fosse bom lançava uma dessas como single, basicamente. “The Feels” é um single retrô que, se deu certo para o BTS, daria ainda mais certo para o TWICE. Não acho que tenha força como single mas, diferente de “SCIENTIST”, ela cumpriu com o que pretendia (Debutar na Hot 100), então foi um tiro certo para a vida delas no final. Por fim temos o remix de “SCIENTIST” feito pelo DJ R3HAB dá uma outra vida para a faixa, mas falar que ela é mais forte que a versão original é forçar a barra para mim. Funciona numa playlist de boate gls de qualquer forma, então tá valendo encher linguiça nesse fim de álbum.

Concluindo…

Se o Formula Of Love fosse focado no conceito retrô e entregasse um álbum disco, sem dúvidas seria o álbum da carreira do TWICE. As gatas mostraram que servem muito bem em diferentes estilos e a maior parte do álbum é forte e muito legal de ouvir, mas é fácil ver que o destaque do Formula Of Love é o lado de divas da disco music que elas serviram aqui. Mesmo assim, é outro grande álbum do TWICE, que se não serviu tanto assim com a faixa principal, pelo menos compensou horrores com um álbum consistente e extremamente divertido.

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5 comentários em “ALBUM REVIEW: TWICE – Formula Of Love: O+T=<3”

  1. Amei esse álbum, sério! Ok, que acho uma ou outra meio fraquinha, mas é facilmente suprimida pelas boas. ❤
    Pena que achei a divulgação dessa era delas meio as pressas, poderiam ter colocado até Moonlight nas promoções ou a própria The Feels versão coreana.

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  2. Concordo e discordo ao mesmo tempo. Kkkk
    Vou deixar aqui minhas impressões, primeiro Scientist nao devia fazer parte desse álbum. Não fica legal ela ali. Destoa no meio de todas. Não sei como escolheram ela pra fazer parte dele até agora. Segundo deveriam ter dívida o álbum. Pegado O conceito querência da chungha e acertado nele. Iria ficar mais coerente e elas teriam o melhor álbum da carreira dela. Pois iria dividir o lado retro com as outras. Ia ficar divino.
    Ps. Me contrata JYP

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  3. Concordo plenamente com tudo. A única diferença é que eu realmente gostei de Scientist.
    Moonlight fez tudo por mim, mesmo se fosse tudo uma droga eu agradeceria aos céus por essa música existir.
    Amei que aproveitaram muito bem os vocais da Sana e Momo. Hello poderia ser descartada, eu fiquei com muita vergonha ouvindo essa.
    Enfim, eu tô amando o que o JYP tá fazendo com essas meninas musicalmente. É um dos únicos grupos enormes que eu acho que todas as meninas são carismáticas e bem singulares, é um lineup bem fechadinho e bem bonito também).
    Tá muito legal de acompanhar elas.

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