Verão japonês sem um single de verão da Koda Kumi não é verão japonês, e em 2024 não foi diferente: Na última semana, Kodão lançou um novo single “Jump To The Breeze”. Quer dizer, “novo” entre aspas pois essa música já foi lançada ano passado exclusivamente na China para promover o 6º aniversário do jogo “Azur Lane”, e de repente a gata resolveu lançar a música oficialmente para todo mundo ouvir. É mais uma questionável decisão do questionável plano atual da carreira da Kumi? Sim, mas não acompanhamos ela por conta de decisões administrativas que façam sentido e sim pela música:
“Jump To The Breeze” é uma produção do Tetsuya Komuro, sendo a primeira colaboração entre os dois na carreira de Kodão. Para o jpopper médio (Especialmente o mais velho de guerra), Tetsuya Komuro é uma lenda das produções japonesas que dispensa apresentações e ditou todo um gênero e estilo musical no J-pop durante anos. Mas se você é kpopper e só entende linguagem K-pop, ele é basicamente o Brave Brothers antes do Brave Brothers existir. E tal como o Brave Brothers, já era para esse homem estar vivendo do legado das produções dele há uns bons anos mas a avex insiste em arrancar as produções mais cansadas do velho para alimentar suas contratadas casualmente. A da vez é a Koda Kumi (Com uma música de 2023, ok, mas ainda assim…). A música é um pop EDMzado com teclado bem marcado para conduzir a canção (Uma assinatura das produções do TK) aliado a elementos mais tropicais que trazem o calor que um single de verão competente precisa ter.
“Jump To The Breeze” por si não é ruim, mas cheira a coisa velha. Eu adoro um throwback e vivo aclamando uma ou outra reinvenção de synthpop oitentista ou a mais recente onda post disco por aqui, mas o TK infelizmente produz como se estivéssemos em 1991 e isso deixa as músicas novas dele com o cansaço de como se existissem há uns 30 anos. “Jump to the breeze” é uma música que o globe lançaria nos anos 90 e, por mais que eu adore um popzão noventista questionável, esse estilo em si é datadíssimo e ainda não deu a volta para se tornar algo camp comigo. Há uma tentativa de fazer algo mais fresh (Seja por ser um single de verão ou pelo fato da Kumi não ser uma diva japonesa dos anos 90 como as J-divas mais famosas da bolha) mas acho tudo pouco ousado e muito limitado ao que “o Tetsuya Komuro consegue fazer” ao invés do que “a Koda Kumi consegue fazer”.
Acho que o fato da Kumi não ter trabalhado com o TK do jeito que outros medalhões do J-pop como Namie Amuro e (especialmente) Ayumi Hamasaki trabalharam me faz pensar que falta mais da personalidade da Kodão nessa música. Não me entendam mal, ela é a melhor coisa nessa música (É sempre revigorante quando ela canta desse jeito mais leve, sem se preocupar em servir vocais potentes ou uma atitude de tia fodona) e o instrumental é bem gostoso até. Mas “Jump To The Breeze” não tem nada que lembre a diva e poderia continuar limitada para o jogo chinês já que, dentro do catálogo da Kumi, acaba sendo simplesmente uma música no meio de tantas (e tudo fica ainda mais óbvio se você conhece um pouco das produções do TK no Japão). Na melhor das conclusões, “Jump To The Breeze” é um clássico e nostálgico bop referenciando o auge dos anos 90 no J-pop, mesmo que seja mais por conta do Tetsuya Komuro girar em círculos e não conseguir renovar seu estilo assinatura.
Eu achei o clipe extremamente outdated, mas curti a parte do ambiente fechado e das flores, me lembra festas alternativas num casarão no Cosme Velho, onde tinha todo um tema de decoração floral.
Gostei da voz dela!
Excellent post and beautiful pictures! Thank you for sharing! 🙏🙂🇯🇵
1. Fico triste com o rumo que a discografia da Kumi anda tomando. Quero muito que ela invista num álbum bom de verdade, condições pra isso ela tem. E fico triste com o rumo que a carreira dela num geral tomou, flop atrás de flop. Ela deveria saber descansar a imagem como a Utada e talvez se escorar em um anime popular pra ter pelo menos alguma atenção.
2. Acho engraçado como o Jpop é amarrotado de produtores ultrapassados com produções ainda mais ultrapassadas. Por isso estagnou nos anos 2000 e foi pisado pelo Kpop.
3. A Kumi é muito gostosa. Não canso de reparar nisso!
Gostei da música e do MV!
De fato, é uma música que tem mais a cara da Ayu que da Kumiko, é bem diferente do repertório geral da Koda Kumi, mas… bom, coesão e coerência nunca foram exatamente características associadas com os trabalhos dela (boa parte dos álbuns dela atirava pra todos os lados, colocando rocks, baladões, músicas eróticas e outras mais bobinhas, tudo misturado). E sair da zona de conforto dela (mesmo que forçando o Tetsuya Komuro a ficar na dele) parece uma decisão sensata; afinal, a essa altura ela não tem nada a perder.