Chanmina não suporta gente feia no seu império (Incluindo ela mesma) em “Bijin”

Chanmina está de volta com o primeiro single de 2021 “Bijin”, sendo lançado digitalmente hoje e oficialmente (Com as b-sides) no dia 14 de abril. A Chanmina vem ganhando atenção na cena japonesa pelo sucesso que ela fazendo fora dos padrões de beleza e corpo na indústria e apostando em músicas fortes e com mensagem na discografia, e em “Bijin” ela usa esse background para mandar uma crítica social fodíssima em cima da pressão estética:

O PV de “Bijin” traz uma Chanmina belíssima de kimono e com uma obsessão doentia por beleza, comandando as outras pessoas e punindo aquelas que ela considera imperfeitas, a ponto de banir uma das subordinadas de seu império por conta de uma simples espinha no rosto:

O universo do MV é rodeado por uma pressão estética, onde a beleza dita as regras e quem não é bonito não merece direitos. Esse padrão foi ditado pela própria Chanmina, que esconde sua fragilidade e inseguranças debaixo de toda essa estética que ela considera perfeita.

Como a Chanmina não é uma pessoa bem resolvida com suas próprias questões, ela acaba arranhando o seu rosto. E quando ela nota esse corte, a fodona entra em uma crise pois se vê encurralada pelo mundo que ela criou: Esse corte a deixava imperfeita, e qualquer um que não se encaixasse na justiça merece ser condenado.

No final da história ela dá a sua própria sentença e se enforca. Os últimos dois minutos do vídeo são dela agonizando na forca enquanto “Dahlia”, uma das b-sides do single que será lançada mês que vem.

A história do PV mostra o quanto um mundo comandado por estética é cruel para pessoas que estão fora do padrão, e como elas são condenadas, exiladas e mortas simplesmente por serem pessoas comuns. E embora ela traga uma estética mais tradicional, sabemos muito bem o quanto essa indústria da beleza impõe regras duríssimas e impossíveis de serem cumpridas até os dias de hoje, e eu interpreto isso como a Chanmina falando como histórias como a desse PV acontecem há eras e não mudou em nada nos dias de hoje. Um vídeo para refletir sobre nossos próprios padrões e exigências em cima de nossa aparência.

A música, além de contar a história do vídeo, reforça a crítica em cima dos padrões estéticos e em como ela foi muito afetada por isso, pois ela sofria bullying e vivia atormentada por comentários maldosos sobre seu corpo e que ela nunca seria linda e famosa do jeito que ela era. A letra passeia por situações que a Chanmina teve que suportar ao longo da vida e mensagens mais gerais de autoaceitação, e ainda dá tempo dela empoderar as ouvintes com gritos de “Nós somos mulheres lindas pra caralho”, numa forma tão dramática que é a Chanmina tirando todas as suas forças para lembrar que todas são lindas do jeito que são em seu último suspiro.

A produção de “Bijin” é um trapzinho bem 101 de 2 minutos e meio, que ajuda a criar a atmosfera mais agressiva e violenta que a Chanmina quer passar. Está longe de ser o trap mais original da história (A própria costuma lançar músicas nessa linha), mas o instrumental acaba sendo um suporte para o que realmente brilha na música: A letra pessoal e forte e a interpretação pesadíssima da Chanmina. O modo como o flow da rapper serve aquela coisa meio louca e distorcida, trazendo ainda mais realidade para a música, e a transição para a forma mais dramática e desesperada do final… É de arrepiar. A Chanmina traz uma personalidade muito forte em seus trabalhos, e em “Bijin” ela dá ainda mais peso para a crítica que ela quer passar.

“Bijin” é o single onde a Chanmina coloca todos os seus tormentos e transforma em uma música fortissima, com uma mensagem impactante e real onde qualquer pessoa se conecta ouvindo. Não é a primeira música de aceitação e empoderamento que a Chanmina faz na carreira, mas é em “Bijin” que ela mostra como é passar por toda a perversidade da indústria e conta como ela é uma sobrevivente em meio a tudo isso. “Bijin” é, acima de tudo, uma faixa necessária para sentir uma conexão ainda maior com a Chanmina como pessoa e como artista.

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