Review Retrô: Quando algumas músicas asiáticas “viraram” singles da Wanessa Camargo no “DNA” (2011)

Isso aqui não é bem uma review, mas mais como uma curiosidade mesmo: Vez ou outra o DNA, emblemático álbum engrish de farofas da Wanessa Camargo (Que nesse CD era só Wanessa), ressurge como assunto na internet, e a parte mais cacurinha da fanbase que se ligava tanto em gatinhas do K-pop quanto na Wanessa fervendo com o público gay (= eu e umas 4 pessoas que sigo no twitter) faz questão de lembrar como “Sticky Dough” já era uma música do f(x) antes de “virar” um single da Wanessa. Muita gente não conhece nada dessa história, então esse post vem dar uma luz nessa era em que a brasileira decidiu fazer tudo pelas relações exteriores do nosso país:

A Wanessa Camargo lançou esse vídeo como parte do documentário de 20 anos de carreira no ano passado explicando todo o processo do DNA e como foi o lançamento do álbum, mas se você não quer ver esse vídeo de mais de 50 minutos, um resuminho: A Wanessa estava ganhando popularidade nas casas noturnas e entre o público LGBT, e isso rendeu alguns passos diferentes na carreira dela. A parceria com o Mr. Jam “Falling For U” foi um farofão que dominou as boates, e isso rendeu um “Music Ticket” em 2010 com um código que você colocava em um site e baixava 4 músicas. O negócio continuou dando certo e aí surgiu a decisão de criar o “DNA”, um álbum totalmente em inglês com produções internacionais e farofas eletrônicas voltadas para boates e casas noturnas, sendo lançado em 2011.

Os dois grandes singles do álbum foram “Worth It” (Lançado antes no Music Ticket de 2010) e “Sticky Dough” (Single principal do “DNA”, já em julho de 2011), e ali rolou uma coincidência bem… Curiosa: As duas músicas foram “lançadas” antes por artistas lá da Ásia. “Worth It”, lançada em 2010, pode ser escutada em mandarim como “Beautiful Encounter”, da Elva Hsiao, lançada como uma faixa do “Diamond Candy” em 2009.

As duas produções possuem uma produção muito similar e não tem muitas diferenças de sonoriade, a Elva e Wanessa foram bem fieis a demo e entregaram uma farofa pop que funcionava em seus respectivos, e são duas músicas muito legais. Eu prefiro a versão da Wanessa por costume (Quem viveu o auge da MixTV sabe o quanto essa música tocou horrores lá), mas ouço muito a versão da Elva também.

Já “Sticky Dough”, lançada em julho de 2011, compartilha a mesma demo de “Dangerous”, faixa que o f(x) lançou meses antes como parte do “Pinnochio/Hot Summer”. Isso rendeu algumas acusações de plágio pro lado da Wanessa, afinal em 2011 o K-pop já tinha o seu nicho por aqui e já tinha quem enchesse o saco por conta dessas coisas, no melhor estilo “Lady Gaga plagiando uma album track avulsa do SNSD”.

Mas diferente de “Worth It”, que parece não ter mudanças bruscas na demo original, em “Sticky Dough” a demo foi retrabalhada com batidas de funk na música inteira, e isso fez a música da Wanessa se distanciar muito da música do f(x). É notável que a base de ambas as músicas são a mesma, mas são produtos finais bem diferentes. No comparativo eu prefiro a da Wanessa, muito pela música que é bem legal (Não sei se essa mistura EDM+Funk+Engrish de Namie Amuro seria muito bem aceita hoje em dia, mas funcionava na época) mas também pela nostalgia do meu eu de 14 anos achando um máximo tudo isso. Já “Dangerous” não é ruim, mas não é o tipo de album track que mudou a minha vida em 2011 e nem vai mudar agora (E o auge da discografia do f(x) veio uns anos depois também, então esse 1º álbum delas acaba passando batido comigo).

Se você é uma gay novinha que só viu a Anitta de brasileira cantando em inglês pra ver se engatava um hit na Hot 100 (Cada país com a sua CL né), talvez não tenha vivido essa jornada da Wanessa com a língua inglesa e nas sapatarias de todo o país, mas o “DNA” foi um trabalho muito legal. Foi uma era que rendeu memes, piadas, brigas e ferveu as principais comunidades de música pop do orkut (Ou as que ainda tinham fôlego em 2011), e ainda rendeu umas músicas divertidas que fazia qualquer gayzinho ferver (De ódio ou para aclamar a madrinha dos LGBT naquela época). Hoje em dia um álbum como o “DNA” não funcionaria do jeito que rolou em 2011 (Até porque a própria percepção de pop nacional mudou muito de lá pra cá), mas eu tenho o meu carinho por esse grande momento.

4 comentários em “Review Retrô: Quando algumas músicas asiáticas “viraram” singles da Wanessa Camargo no “DNA” (2011)”

  1. Vale acrescentar que “Worth It” ganhou um remix como faixa bônus no DNA que acabou agradando mais o público que a versão original, a ponto de ser essa a versão da música que a Wanessa cantava na turnê do álbum.

    Foi uma fase muito boa dela, pena que a condução da carreira dela sempre foi uma bagunça e essa fase não foi exceção. A gravidez inesperada ainda no começo da divulgação e a polêmica com a “piada” do cretino do Rafinha Bastos (que até hoje não superou o processo merecido que tomou e perdeu) também não ajudaram.

    E teve também o fato dela fazer as músicas só em inglês – o que por um lado devia ajudar a fazer as músicas bombarem nas boates, mas por outro foi uma barreira impedindo que elas caíssem no gosto do povão. Nesse sentido do idioma, a Anitta foi mais esperta (embora tenha perdido essa esperteza atualmente, focando só em lançar músicas em inglês e espanhol pra “carreira internacional” e esquecendo que o principal consumidor das músicas dela ainda é o Brasil…).

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  2. Só tu mesmo pra me fazer lembrar dessa fase da Wanessa. Eu vivia ouvindo essas músicas na mix enquanto voltava da escola, oh nostalgia!
    Na época era motivo de vergonha dizer que gostava das músicas dela, por conta que a turma zoava por ela ser brasileira e ficar cantando em inglês, eu ficava só na minha ouvindo com meus fones.
    PS. A galera acusando de plágio pela música do Fx sendo que apesar de gostar da música das meninas, a da Wanessa ficou bem melhor e superior. Sorry.
    PS2. Sinto saudade dessa época pop que a gente viveu, tinha tanto hino nas rádios que ficava difícil acompanhar. Hoje em dia é uma merda, salvo uns 2 ou 4 lançamentos ao longo do ano.

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